29/08/2012

Etiqueta para quem tem SUV

Fonte da imagem: http://www.internetautoguide.com/

Quando se questionava a conveniência de um carro "grande" como o Opala no trânsito, carregando somente o motorista e nada mais, apareceram os utilitários esportivos, que além de bojudos, são altos e distantes do solo, algo apropriado para uso em terrenos acidentados e alagados, mas agravantes potenciais de acidentes. Deixo então dicas de cuidados que os donos desses carros devem tomar, para não transformarem seus sonhos off-road em pesadelos de asfalto.

  • Em primeiro lugar, Crossfox não é suv, é apenas market. Não basta ser alto, ter pneus mais recortados e penduricalhos de plástico pela carroceria, é preciso ter a suspensão realmente mais reforçada, para assegurar a durabilidade em terrenos ruins, mas ele consegue atrapalhar quase tanto quanto um utilitário esportivo de verdade;
  • Cuidado com o estepe externo, que muitos utiltários esportivos têm na traseira. Se fosse apenas funcionalidade, ele e os pneus de uso seriam bem mais finos, como os dos veículos militares ou um pouco mais largos, próprios para vencer terrenos alagados e elameados. Mas é só market. Naquela posição, eles danificam facilmente o carro de trás, impedindo que a capa plástica do pára-choque absorva o impacto, então não se iluda com as dimensões da carroceria, há um anexo acrescentando comprimento;
  • Como se o mundo já não estivesse agressivo demais, o desenho desses carros é pensado para passar mais agressividade, ainda que sacrificando o bom senso da visibilidade. Não se iluda com câmeras de ré, elas não cobrem tudo e não substituem o olho humano. Uma criança pode ser facilmente oculta pelas colunas largas, se enfiar nas altas e espaçosas caixas de rodas ou simplesmente ficar na frente do carro sem que o motorista veja. Certifique-se pessoalmente de que pode mesmo sair;
  • Altura e volume de um utilitário esportivo tomam muita visibilidade dos outros. Ao contrário dos carrões, como o Opala, eles tiram visibilidade até dos pedestres, por sua altura. Aqui a regra de estacionar a cinco ou mais metros da esquina deve ser reforçada e ampliada, sob o risco de os veículos da transversal, mesmo outros utilitários, não conseguirem ver o outro carro, um cidadão que começa a travessia ou mesmo uma criança estabanada;
  • Estacionar em frente à garagem alheia já é uma infração de trânsito e uma demonstração de estupidez terceiromundista, em um carro comum. Com um utilitário esportivo, a obstrução torna-se claustrophobica. Lembre-se, é a casa alheia, não a sua. Ou gostas de ter um carro grande e pesado obstruindo tua garagem? Quer que estacionem um FNM D11000 aí, para saber como é?
  • Seja humilde. Teu utilitário não é o único no mundo e com certeza há mais gente com excesso de auto confiança, ao volante de um. Mesmo um Mercedes-Benz GLK não é páreo para um veículo grande de carga, embora a sensação de poder que a propaganda reforça, faça parecer que sim;
  • Por contraditório que pareça, seja delicado ao volante. Tudo em um utilitário esportivo agrava uma colisão, ou atropelamento. As regras de segurança para pedestres recomendam uma frente baixa, macia e arredondada, de preferência sem componentes rígidos por baixo, tudo o que teu carro não é. Ele pode facilmente transformar o que seria uma lesão corporal leve em um carro de passeio, em homicídio culposo;
  • Um utilitário esportivo de luxo está para o asfalto, assim como um Puma GT com suspensão elevada está para a trilha. Por mais adaptações e tecnologia auxiliar que leve, ele não se sente à vontade e não é devidamente aproveitado no trânsito urbano. Comporte-se então, como se estivesse na casa de um estranho, e verá como até os outros motoristas te tratam com menos rispidez;
  • As ruas da cidade podem até parecer, mas não são trilhas de fora de estrada, então poupe a testosterona para as aventuras de fim de semana, onde não cause riscos supérfulos a terceiros;
  • À exceção do Rio de Janeiro, onde um lunático irresponsável tornou crime um hábito civilizador, dê carona. Os utilitários esportivos têm a capacidade de carga como maior argumento prático, na cidade, então faça o teu valer cada centavo gasto na compra e na manutenção, que é cara;
  • Lembre-se de que nem todos têm trinta anos e corpos perfeitos. Convivo com pessoas na família e tenho muitos amigos com gente em casa, que tem idade avançada ou dificuldades de locomoção, ou ambos. Se vais comprar um utilitário esportivo, tenha consciência de que essas pessoas terão problemas de acesso, e podem simplesmente não conseguir embarcar, ou não se equilibrar no desembarque. Então sejas solícito, incremente a fidalgia comportamental que se espera de quem consegue poder, no caso, um carro que só não sobe paredes por falta de aderência. É de bom tom aceitar aquele estribo rebaixado, que o vendedor está oferecendo. Tu também ficarás velho e terás dificuldades de acesso, pense nisso com carinho;

Não é tudo, mas é o essencial. Com estas poucas regras, o uso de um utilitário esportivo torna-se menos beligerante, e mais próximo à utilidade que os alemães pensaram para o automóvel, quando o inventaram.

3 comentários:

Xracer disse...

Muito boas essas regras e observações, Nanael, mas sempre acho que alguém com a humildade de aceitá-las não vai querer desfilar na rua com um SUV, que é o que a maioria faz. A maioria que tem um carro grande e desajeitado desses quer é mesmo aparecer, nem que seja sendo grosso... ter a "visão de comando" fala mais alto... espero que eu esteja errado, mas conhecendo a humanidade não é de se esperar outra coisa...

Nanael Soubaim disse...

Basta ver que muita gente solteira e sozinha, anda em um, quase sempre sozinho.

Guilherme Machado. Londrina-PR. disse...

Eu não tinha percebido nada disso até ser atropelado por uma SUV dando marcha a ré no meio da rua para estacionar. Em meu golzinho me vi impotente, deu para buzinar, mas de nada adiantou. Dai pesquisei sobre o tema e vi essa matéria. Mas acredito que a falta de bom senso não vem das crianças adultas e compram, mas dos idiotas que as fabricam e dos idiotas que permitem esse tipo de veículos nas cidades sem restrições. Humanidade burra.