08/01/2011

Coitadinhos!

Há pouco fiquei sabendo o que faz um deputado federal. Me deu um dó, um nó no peito e outro no bolso, que não sou trouxa.

Ser paraninfo de formandos deve ser muito extenuante! Imaginem, encomendar um terno completo só para isso! Terno é caro, vai o auxílio-paletó todo nesta brincadeira. E ainda ter que alugar o carro, arranjar o motorista, se hospedar, atender à militância local, enfim, é tremendamente cansativo.

E padrinho de casamento, então! Que absurdo ter que dar presentes a tanta gente, só para poder pedir votos depois! As verbas indenizatórias vão para o espaço num instante. Mandar fazer um fraque é caríssimo! E um doutor-deputado não pode usar o mesmo fraque duas vezes, seria ultrajante à sua excelência. Cada evento exige e ameaça de morte por um traje exclusivo, eles representam o povo!

Mas não é só o ilustríssimo que se apresenta ao evento em sua homenagem. Não, caros leitores, o coitadinho tem que levar, vestir e paramentar a esposa, quando não uma filha mais exigente. Sabemos como esses jovens de hoje se recusam a viver com o básico, no mínimo exigem que um secretário de gabinete vá assessorar. É muita despeza para onze mil reais. E se a festa for de um correligionário? Então o sofredor precisa pedir complementação indenizatória!

Gastos extras, então, nem me atrevo a imaginar o que sejam. Deve ser algo sofisticado demais para um homem vulgo do povo compreender.
O povo deve parar de aborrecer os anjinhos de terno que fazem coro em Brasília! Os santinhos são (mal) pagos para representar seus eleitores em festinhas particulares, eventos em homenagem própria, diplomacia extraodrinária em praias de países ricos e mais uma miríade de despesas que não entraram na conta.

Votar projectos, orçamentos, emendas, cobrar ação do executivo, fiscalizar obras públicas para que? O povo precisa vê-los agindo, e só se vê um autruista desta estirpe trabalhando em festas, em eventos, nos comitês de suas bases eleitorais, no superfaturamento de obras, em fraudes licitatórias, em desvios de recursos que deveriam ir para as escolas, cousas do tipo.
Aliás, vocês viram a propaganda na tevê? Que mentira absurda! Que irresponsabilidade em enganar o povo, fazendo todos acreditarem que um professor tem algo a ver com o desenvolvimento de um país! Vão à Suécia e vejam como eles tratam seus parlamentares. Lá, cada um tem seu próprio palácio, com sua própria frota representativa, um batalhão policial sob seu comando e tudo mais. Por isto os suecos vivem como vivem, podendo se preocupar com problemas de países pobres, porque seus parlamentares são tratados como reis. Eles nem precisam de salário, podem simplesmente entrar em uma loja e tomar posse do que for de seu agrado, mesmo que seja a vendedora, é assim que se manda um país para o primeiro mundo. Lá todo mundo foi passado de ano, sem precisar de professores, esta raça inútil.

Onze mil, minha gente, é pouco demais! Não dava para os gastos particulares que a constituição não prevê em parágrafo nenhum. Deveríamos é trabalhar ao menos uma hora a mais por dia, para dar um vencimento condizente a estes baluartes da democracia!
Aliás, o cargo deveria ser vitalício e hereditário! Assim os pobrezinhos não teriam que gastar com campanhas, nem se estressar com votações, ou temer que gente do povo possa subir e tomar seu título. Eleições desgastam muito! Consomem o dinheirinho mirrado de nossos deputadinhos federaizinhos.

Eleitorado malvado!

Eleitorado imbecil!

Estes pústulas dão combustível à insanidade autoritária e separatistas de grupecos de extrema demência, que há em várias partes do Brasil. Desabonam completamente a mais arraigada e basilar idéia de democracia, dando combustível para idiotas de extremo-qualquer-lado que querem fazer no Brasil o que fazem em países do velho mundo; causar mais baderna e conflitos do que nós já temos. Cretinos que vêem nos desmandos em causa própria, que é só  que os parlamentares fazem sem uma corda no pescoço,  um argumento incontestável para uma ditadura hereditária.

O congresso deveria ser todo acionado por funcionários públicos de carreira, já estabilizados. Parlamentares não deveriam sequer ter carro individual à disposição, não precisariam nem se decidissem trabalhar em causa pública. Para fazer o que não fazem, se podem utilizar vans e ônibus. Ninguém, nem mesmo promotores de eventos, é pago para receber homenagens ou apadrinhar noivos, isto é assunto particular. Nenhuma empresa paga a seus funcionários para serem paraninfos, nenhuma autarquia pública paga a seus funcionários pelo presente de casamento. É justo para assuntos pessoais que eu (tu, ele, nós, vós e eles) recebo meus vencimentos, que nem fazem cócegas nos onze mil reais que os pulhas rejeitaram. Ganhar para comparecer a festinhas é para artistas, que francamente caem muito no meu conceito com isto. É para quem vive da imagem e não tem responsabilidade nenhuma para com  uma comunidade, que dirá um país líder de continente.

Só o que me consola é a consciência limpa de ser pé frio em eleições.

A pedido da amiga e laitora New, o vídeo que inspirou o texto:

2 comentários:

New disse...

Meu amigo, por mim o Congresso deveria ser implodido e começar do zero.
Este post deveria estar com vídeo que postei... rsrsr...
E eu que não faço parte dessa corja sinto vergonha.

Beijos

Nanael Soubaim disse...

Implodido não, que naquele prédio tem dinheiro nosso, mas deveria sim haver um hiato para começar uma máquina totalmente nova, a ponto de os pilantras não saberem como lidar com ela, talvez até serem impedidos, e suas artimanhas de nada valerem para as novas regras e novos ocupantes... Concurso público para filiação política já!