27/02/2010

Festa no motel

A pedidos insistentes da Meg, do Talicoisa, e premiando sua conquista universitária, falo um pouco de minha viagem à São Paulo de outro modo, focando mais o tocante à festa.
Não sei bem como as pessoas se sentem quando chegam pela primeira vez a São Paulo. Eu me senti rapidamente dentro de uma tirinha do Laerte. As sucessões de viadutos, prédios antigos e novos, os edifícios invadidos, construções caindo aos pedaços e outras (por vezes bem antigas) tinindo de tão conservadas.
No percurso de Congonhas para o metrô Tirtadentes, parecia que eu estava em um episódio do programa Rá-Tim-Bum. Exceto por a Dona Fabiana Delírio não ter atendido ao telephone, tendo sido salvo pelas orientações precisas da Nana, foi muito fácil andar pela cidade. Conveniente notar que o percurso do aeroporto à casa da Mariana (sogra da Nana) já dá quase uma Goiânia inteira.
Monique, Flávio (que fizeram caras de “Ele existe!”), Nana, Smurfete e Lady Sith foram os primeiros foristas que conheci pessoalmente.
Passei menos tempo do que gostaria naquele primeiro andar do sobrado, no térreo havia uma oficina de segurança electrônica. Da janela norte via um mar de telhados e edifícios residenciais, de um deles certamente alguém se perguntava como alguém poderia morar naqueles sobradinhos, sem piscina nem elevador. Pois a moradora daquele vive muito bem. O espaço é pouco, mas o coração é grande e quem chegar encontra acolhida.
Fomos de sopetão para o ponto de ônibus, por uma vielinha charmosa onde mal passa um Fusca, imagino a frustração de quem queria um Landau (quando era barato) e era traído pelos dois metros de largura do Ford. Não estou acostumado a fazer o que dá na telha, minha vida é muito amarrada a outras, então estranhei o “vamos”.
Que cidade enooorme! E como é cheia de aclives e declives, só lá entendi porque acham Goiânia plana.
Nos dividimos em uma das estações de metrô e o meu grupo foi de encontro à Audrey, a estrela estrelosa e estrelante da festa. Alguns minutos à espera, em frente a um Café, e o Flávio aventando a possibilidade de sermos abordados pela polícia. Mas eis que chega aquela figura majestosa de braços abertos. Ah, que abraço gostoso!
Nos enfiamos no Ecosport do irmão dela e fomos, quase dando piruetas por ruas que mais pareciam saídas de um seriado dos anos 1970. Na Raposo Tavares nós nos perdemos. Básico. Uma bifurcação quase arrebenta o cárter do carro, pois estava muito escuro e faltava iluminação pública no lugar. Seguimos serelepes, tentando avistar um letreiro, até que alguém (creio que Monique) avistou o motel, lá atrás, tivemos que encontrar um retorno.
Mas chegamos. Entramos sem dificuldades, demorou um pouco até encontrarmos o local da festa. Eu, um caipira desengonçado que nunca tinha entrado num lugar desses, estreei em uma baita suíte com vários andares e chiliques diversos. Encontramos o Shanti e a Serena, que mais parecia uma bonequinha de porcelana em trajes de rebelde-pro. Não sei se dei bandeira, provavelmente sim, o certo é que continuo gostando dos meus momentos de reclusão, mas na hora de ultrapassar cinco mil giros as válvulas já se abrem totalmente. Conheci a Clarissa Passos ao descer uma escada, juro que pisei no pé de alguém, estávamos só nós naquele momento e ela negou a pisada, deve ter sido no do espírito de uma bruxa que me acompanhou.
Chegada a hora da festa, quem estava dentro teve que sair, para verificação de praxe dos motéis, pois entrar em um ainda dá status aos moleques de carinhas espinhentas. Assim que reentramos a festa começou de facto. Não acreditei, mas dancei no meio de gente à qual eu só conhecia, se muito, por photographias. Deve ter sido estranho me verem dançando, ainda mais dançando hits gays já consagrados, no palco e com episódios de “The Muppets Show” passando no telão ao fundo.
Me chamaram a certa altura, Audrey tinha entrado na piscina. Deveria estar desacostumada ao calor (Vem para Goiânia para ver o que é calor) paulistano. Logo João e Cristiane se enfiam na água também. Logo Clarissa e Lacerad se jogam e a farra começa, com este subindo e descendo no tobogã pelo escorregador. Quando decidiu descer de verdade, quase arranca a cabeça da Cristiane. Eu até estranharia se fosse gente comum, mas eram foristas do
Garotas Que Dizem Ni.
Desacostumado a varar a noite sem ser à trabalho, senti o cansaço em alguns momentos. Fosse em serviço, amanheceria para pegar outro turno, mas uma festa é algo totalmente diferente. Me recolhi para um cochilo rápido, que a Moniqueta fez questão de registrar.
Um dos momentos marcantes foi a chegada de Carolina e Quinho, quando entreguei à dama trimétrica a compota de pequi que lhe prometera há dois anos, e ela me retribuiu com uma caneca ilustrada com imagens de
Marilyn Monroe. Fizemos pose, claro, e eu fiquei horrível na photographia.
Como sou abstêmio e não como carne vermelha, e ninguém é obrigado a se privar do que gosta por minha causa, passei à base de água mineral, pondo em prática um aprendizado de muitos anos. Passei bem, no tocante a isto, saracoteando em meio a amigos recém encontrados e apertando laços que ainda estavam frouxos. Com a bruxa me cutucando em modo perispírito, continuei percorrendo os aposentos do lugar, me encantando com como os paulistanos se vestem muito melhor do que nós, mesmo levando em conta que era uma festa. Porque goiano pensa que se vestir bem é gastar muito, então paga trezentos reais por uma marmota e pensa que está abafando.
Iluminação por laser, gelo seco, parecia uma discoteca. O ponto é que ninguém queria me ver parado naquela pista. Tive que me virar para dançar thriller e imitar um zumbi, foi o momento mais bizarro, eu não me lembro da coreografia, depois me chamaram de
robocop zumbi.
O problema maior de ter tantos amigos é que o tempo acaba conspirando contra. Na madrugada do dia seguinte tivemos que terminar tudo. Mas não sem antes uma mancada minha, saí sem levar a bolsa de viagem. Nana, que detesta incomodar, ficou brava, frenética, até mais bonitinha, ligou para a sogra e fomos no carro do Dark. Ela e Smurfete foram deixadas em um ponto de ônibus, fui com Lady Sith de volta ao sobrado, e o bom camarada fez questão de nos deixar no aeroporto. De manhã, com os carros desenvolvendo boa velocidade, a cidade fica maior ainda. Não tive tempo para sacar minha câmera, o Viaduto do chá passou rapidamente.
A última forista que vi foi a Lady, de quem me despedi já dentro das instalações do aeroporto. Deixei alguns reais para o fisco paulistano, lanchando e comprando um jornal que humilha facilmente todos os jornais goianos juntos, e uma revista.
Enfim, uma hora depois eu senti o coice da arrancada e logo o avião rumou para Brasília, de onde peguei conexão para Goiânia. O choque térmico foi grande, desci na pista do Santa Genoveva para entrar naquele prédio que já está caindo aos pedaços, um deles quase matou um usuário, que por pouco não foi atingido pelo forro do teto.
Mymi não foi, se tivesse ido teria ficado lá, tenho certeza. Largaria tudo e se encontraria na cidade-estado de São Paulo.
Quanto à bruxa, é uma amiga que esteve extra corporeamente na festa e me provou, descrevendo tudo, inclusive o bonitão (João) e o Gato (Sol) que mais lhe chamaram atenção, além de como ajudou o Flávio a me manter no centro nervoso do folguedo.

2 comentários:

New disse...

Viagem com gosto de odisséia. Mas é assim que tem que ser. Senão de que vale a pena desbravar outros povos? rsrsrs... sensacional como sempre.
Deverias voltar mais vezes.
Beijos doces.

Nanael Soubaim disse...

Mas foi por pouquíssimo tempo, foi a minha primeira saída de Goiás e meu primeiro vôo; com circunflexo.