19/09/2009

Aos marxistas de boutique

Eu sou a favor de uma reforma agrária, mas sob hipótese alguma compactuo com a desordem e com a venda de terras compradas com o dinheiro que eu entreguei, sob a forma de impostos onerosos.
Eu sou contrário ao hedonismo capitalista, mas qualquer inteligência mediana que se ponha a pensar perceberá que quebrando a empresa, os funcionários ficam desempregados; vide a Gurgel.
Eu sou a favor de um sistema público de assistência, educação e saúde. Mas sob hipótese alguma aceito que pessoas fisicamente hígias ganhem tudo de mãos beijadas, sem dar uma hora diária que seja em favor da coletividade; como acontece muito em Goiás, onde beneficiários fogem da qualificação profissional para não perderem a mamata.
Vocês pensam que em países comunistas é assim? Acham mesmo que lá se pode fazer baderna quando uma decisão do governo não agrada? Quem lhes disse que o cerceamento da iniciativa e da opinião levou prosperidade a alguma civilização?
A grande maioria de vocês ainda esperava na fila para reencarnar, e os que já estavam aqui ainda cheiravam a cocô e urina, por isso mesmo nunca viram reportagens e depoimentos de fugitivos de países comunistas. Se ditadura fosse algo bom, ninguém fugiria de uma. Eu que conheci os anos de chumbo posso dizer a vocês, que não abrem mão de suas mesadas e de seus MP4: Cresçam. Em vez de lerem só o que os partidários escreveram sobre Guevara, leiam também o que os opositores falaram dele. Busquem nos sites as matérias e os textos de época sobre os países da Cortina de Ferro.
O que estão fazendo com vocês, que aceitam placidamente essa lobotomia virtual, é doutrinação. Exactamente o mesmo que o Partido Nacional Socialista fazia na Alemanha entorpecida.
Eu sou socialista, mas não sou um idiota que cospe no prato em que come e anos mais tarde se corrompe, fazendo tudo o que condenada e dizendo "Esqueçam tudo o que eu escrevi". Tenho os pés no chão.
Querem mudar o mundo? De verdade? Muito bem, vamos lá...

  1. Antes de arrumar a sociedade, aprendam a arrumar seus próprios quartos. Suas mães não são suas empregadas;
  2. Antes de participarem de passeatas, que muitas vezes terminam em baderna, vejam o histórico dos participantes. Vocês podem estar exaltando e seguindo criminosos;
  3. Estão com pena dos pobres? Sair quebrando tudo nunca resolveu o problema da pobreza. Junte seu bando de amiguinhos, fiquem alguns dias sem comer porcarias plastificadas de lanchonetes multinacionais e dêem de comer aos famintos. Como eu faço, como qualquer um com os pés no chão faz. Quem tem fome precisa de comida e trabalho, não de discursos retóricos ululantes;
  4. Por falar em multinacionais, qual a marca de seus celulares? E de seus tênis? Camisetas? Vocês podem muito bem viver sem tudo isso;
  5. Se querem uma sociedade justa, sejam justos primeiro com suas famílias. Salvo raras exceções, a casa com computador e todo conforto de que vocês desfrutam hoje, foi conseguida com trabalho honesto. Seus pais não são bandidos, respeitem-nos;
  6. Se conseguem ver com tanta facilidade as mazelas de um lado, vejam também as do outro. Falar mal de Guantánamo e fechar os olhos para os fuzilamentos de inimigos de um partido único, é mais que hipocrisia, é falta de vergonha na cara;
  7. Não tentem impor sua ideologia, da mesma forma como vocês não gostam que imponham outras a vocês. Vocês não sabem nem o que é melhor para si mesmos, quanto mais para os outros. Vocês sequer conhecem os outros;
  8. Seus heróis são ou foram homens, não deuses, portanto podem sim ter falhado e com certeza falharam, como qualquer humano. Então baixem suas cristas que qualquer um com mais de quarenta anos conhece esse calcanhar de Aquiles;
  9. Ditaduras não respeitam o meio ambiente. Se vocês forem à China e esboçarem um protesto não autorizado contra a gigantesca usina hidreléctrica que estão construindo no Rio Amarelo, correm o risco de nunca mais voltarem;
  10. Gostam de protestar contra o governo democrático em que nasceram? Podem continuar protestando. Graças à luta e ao trabalho da minha geração, a sua pode se dar esse direito. Mas, por favor, depois de se divertirem nas ruas, vão estudar para aprender e não só para passar. Porque foi assim que transformamos o pouco que conseguimos transformar;
  11. Aliás, as pessoas contras as quais hoje vocês protestam fizeram exactamente o mesmo que vocês fazem hoje, a diferença é que na época havia uma ditadura. Pois é, todos os envolvidos em escândalos na última década eram exactamente iguais a vocês, sem tirar nem pôr. Como eles, vocês também podem ser corrompidos, então tenham humildade;
  12. Por falar nisso, já que leram Guevara e Marx, leiam também e com a mesma voracidade, a vida de Henry Ford. Vão perceber que ele era muito mais libertário e socialmente avançado que qualquer um deles. Ele empregava negros e mulheres em uma época em que isto era perigoso para a imagem de uma empresa;
  13. Recapitulando: Mudem a si mesmos, seus maus hábitos e a indolência crônica e aguda que tomou conta de sua geração. Depois poderemos falar de mudar o mundo, o que não se dará pixando, depredando e cabulando aulas.
De seu amigo Nanael Soubaim.

6 comentários:

Anônimo disse...

menos

New disse...

Vou imprimir esse texto e distribuir para um dezena de pessoinhas cabeças ocas.
Beijos

Nanael Soubaim disse...

Menos? O peso da idade me dá bagagem para muito mais, mas não caberia no blog. Conheço por dentro e por fora essa cousa.

À vontade, New.

New disse...

Fiz o que lhe disse e espalhei seu texto. Não teve um amigo que não tenha gostado. Acho que de alguma valia teve, não é?
Beijos

cRiPpLe_rOoStEr a.k.a. Kamikaze disse...

Eu não sou tão favorável à idéia de "reforma agrária" que esses comunistóides tanto exaltam, o que tem de peão que não tem terra própria mas tem dignidade e realmebte é TRABALHADOR RURAL sem terra só mostra o quanto essa idéia de "reforma agrária" está errada. E esse modelo de "transferência de renda" baseado no assistencialismo cristão tem tudo para dar errado, ao estimular a visão do miserável como "coitadinho" que faz por onde merecer a esmola, que na verdade não só acaba sendo um convite ao ócio como um prêmio pelo mesmo, e haja peão e patrão pagando imposto para sustentar a moleza dos outros - chega uma hora que o peão vê que ficar na boa sem mover uma palha vai render algum troco, mas se a peãozada toda deixar de trabalhar não vai ter como o patrão dar conta de manter a produção e, principalmente, a geração de impostos para sustentar os antigos e novos vagabundos...

Eu sempre vejo protesto contra oportunidades de trabalho que se abrem, mas nunca vi um protesto ecológico com alguma coerência como uma "marcha do biodiesel", ou um protesto a favor de ampliação na rede coletora e de tratamento de esgotos, ou coisas do tipo que realmente fazem a diferença para melhor...

Nanael Soubaim disse...

Realmente venderam a idéia de que ser coitado é uma boa profissão, mas um dia a casa cai, e quem se acomodou nisso vai sofrer muito; conheço pessoalmente gente que entrou nesse barco.
Bem, o meu conceito de reforma agrária nada tem a ver com a doação da terra que o governo apregoa, isso não se encaixa na minha mente, seria mais como os leilões que a receita federal faz de vez em quando. Se leiloar terras compradas com dinheiro desviado, uma propriedade por interessado, vai sobrar lotes.