28/08/2006

Palavra de Nanael
20 de agosto
Garotas que Dizem Ni
Há uma página que freqüento desde Maio e recomendo.
Não tem efeitos visuais, animações, não baixa arquivos (ao menos não directamente) tampouco está na lista de preferidos das "celebridades". Basicamente, só há textos. Imagens, quando tem, são oriundas de arquivos da rede ou particulares, hospedadas noutros sítios.
Há conflitos, bastante conflitos. Alguém diz bobagem, outro não gosta e bobageia mais ainda, então o primeiro chora e jura que vai embora (Credo, parece moda caipira!), quase sempre se arrepende e volta ao seio de seus amigos foristas.
Mas não é uma terra sem lei, o Don não deixa. O Capo dei Capi põe ordem na bagunça assim que ameaça sair dos trilhos, então todo mundo diz "Bênça, Don. Discupa, tá" e a vida volta ao normal... Err, a vida volta ao que era antes.
Salvo esses pontuais conflitos generalizados, o Fórum do "Garotas" é uma casa virtual, cedida pelas anfitriãs Clarissa, Flávia (que jura ter sido um playmobil na encarnação passada) e Viviana. Salvo no domingo, elas enriquecem os seis dias restantes da semana com seus textos supimpas, os quais são a base das actividades forísticas. Elas também participam do Fórum, mas este é independente. Ao contrário do que muito se vê por aí, Clá, Flá e Vivi não se colocam no centro gravitacional, enfatizam sua alegria pelos foristas caminharem com suas próprias pernas, inclusive criando tópicos novos por conta própria.
Os foristas, por fim, são figuras endêmicas. Sinceros, cruéis por vezes, unidos e cultivadores de uma boa amizade... não raro de uma boa encrenca. Fala-se de tudo e de todos. Quer falar de homem-objecto? Mulher-objecto? Educação dos filhos? Filhos sem educação? Culinária? Filme? Música? Eventos? Fofocar um pouco sobre tua própria vida? GAROTAS QUE DIZEM NI.
Não é uma página para intelectuais-de-escritório, que falam, e falam, e falam pelo simples prazer de discursar. Tampouco se presta aos baixos instintos dos sem-noção de plantão. De vez em quando trazem uma notícia quente, actualmente estamos sacan... Digo, estamos discutindo sobre a campanha política em um tópico feito para isso, sem negligenciar os demais. trata-se de uma página cuja utilidade é fomentar a convivência de pessoas díspares, que com o tempo vêem que não são tão díspares quanto imaginavam. Para tanto não há sectarismo, somos pagãos, ateus, protestantes, evangélicos, católicos, umbandistas, com certeza há algum judeu escondido lá no fundo da sala, ainda meio tímido e o que mais se pensar. Há quem goste de rock, de valsa, de punk, de bolero, de twist, charleston, samba, pagode, chorinho, quem não goste de nada e quem goste de tudo.
Queres ver (ou ler, tanto faz, chato) pessoas que mal se conhecem convivendo harmônicamente? Garotas que Dizem Ni.
Queres ver gente que mesmo após ter se conhecido continua convivendo harmônicamente? Garotas que Dizem Ni.
Queres ver gente espalhada pelo país inteiro (e o resto do globo terrestre) conversando como se fosse uma vizinhança? Garotas que Dizem Ni.
Queres saber porque o Dalai Lama ainda tem tamanha esperança na paz mundial? Garotas que Dizem Ni.
Poderia ficar horas digitando, maltratando meus dedos e ainda assim não falaria o bastante. Então te convido a conhecer nossa casa: http://www.garotasquedizemni.ig.com.br/ .



11 de agosto
Só até a porta
Alguém já viu o Bush de Mercedes-Benz? Merkel de Rolls Royce? Blair de Cadillac? Mas em seus respectivos países. Não? Pois dificilmente veremos isso.
Se houvesse uma licitação, livre concorrência para a compra dos carros oficiais desses líderes, provavelmente algum país asiático ganharia a maioria. Eles sabem disso. Mas também sabem que isso seria um golpe na auto estima de seus povos. Ai de Merkel se ousar um Hyundai em uma recepção a um Chefe de Estado em visita oficial. Isso porque o mercado é uma entidade irracional, precisa dos freios do Estado para não destruir a tudo e, conseqüentemente, a si mesmo. Livre mercado, na assepção da palavra, seria dar livre arbítrio a uma mula, ela não saberia o que fazer com isso, não tem discernimento, só instinto de sobrevivência... e algum afeto por um dono bondoso, é claro.
Agora ao Brasil. Qual o carro do Presidente da República? Não é um Democrata, nem um Joagar, nem um Miura, nem um Santa Matilde, tampouco um Gurgel. É um Holden, por aqui rebatizado como Ômega. É importado. Até a era Sarney usavam-se o bom e velho Landau, mas entrou Collor e, sem qualquer salvaguarda, incentivo ao aprimoramento ou mesmo condicionamento à parceria com os fabricantes nacionais, abriu as importações sem critérios (a ponto de carros populares terem conseguido chegar aqui). Alguns dirão "Mas isso foi óptimo! Modernizou o parque industrial brasileiro, trouxe novidades...". É verdade, até certo ponto. O facto é que enquanto a Casa Branca fez de tudo para salvar a Ford, o governo francês ídem para a Citroën, o Estado nacional virou as costas para uma indústria automobilística que, no início dos anos 1990, já se encontrava em um estágio bastante avançado de sofisticação. Não pela empresa, mas pela identidade nacional um Estado responsável privilegia (por vezes com exclusividade) sua indústria local, dando-lhe metas e estímulos para que se desenvolva a contento.
A IBAP (Indústria Brasileira de Automóveis Presidente) tinha um carro de luxo pronto e acabado, até estava negociando direitos para fabricação de um moderníssimo motor Alfa Romeo, prática comum de troca de tecnologias no mundo inteiro. Fizeram acusações de fraude e embargaram a fábrica, e o Democrata ficou só na promessa. Hoje só há um no mundo inteiro, felizmente ainda no Brasil. Era época da ditadura que, como se sabe, teve o queijo e a faca nas mãos para alavancar o país.
A Gurgel foi a que alçou vôos mais altos. Mas o presidente de então, xenólatra e com patente brasifobia, ignorou por completo a possibilidade de gerar desenvolvimento por meio da inteligência de um brasileiro; na certa acreditava que os importados o fariam. A Gurgel fechou no início dos anos 1990, quem é do ramo ou acompanha de perto o mundo dos automóveis lamenta. Seria bom para o patriotismo equilibrado do cidadão ver o Gurgel Super Mini no serviço público, como carro de entrega de super mercados e ramos diversos.
A Miura também resistiu o quanto pôde. Seus carros, extremamente sofisticados e com muita electrônica embarcada, chegaram a rivalizar em modernidade com qualquer importado de luxo. Mas era sobretaxado, como todos os outros brasileiros ainda o são, e não pôde competir com os estrangeiros.
A Puma dispensa comentários.
A Joagar foi um gol contra de JK, nos anos 1950. Hoje só resta uma picape vermelha da marca.
Não sou contra os importados, seria leviandade questionar a qualidade estrutural de um BMW, mas os nossos não deixavam (e os que restaram ainda não deixam) por menos. O desdém do governo para com as coisas nossas ainda faz nosso povo acreditar que por aqui nada se faz de bom. Os lucros que nossas fabriquetas geram ficam aqui dentro, os lucros generosos que as marcas que perdemos geravam ficavam aqui dentro, os lucros das multinacionais vão para a matriz. O que é justo. Injusto é nossa gente não ter aqui a mesma proteção que eles têm lá, porque o livre comércio chega até a porta de entrada desses países, dela para dentro há regras a se seguir e taxas a se pagar.
Hoje temos novas tentativas: Lobini, Chamonix, Americar, Óbvio!, BRM (esta uma das poucas veteranas a ainda resistir) e outras menores, que honram a tradição de robustez e confiabilidade que sempre caracterizou nossas indústrias sérias. Mas um carrinho popular com mecânica e tudo mais desenvolvidos aqui no Brasil, já não temos.
Sabe de uma coisa? Vou parar por aqui, meu teclado não é à prova d'água.

07 de agosto
Jesus bate à Porta
Há um quadro que mostra Jesus com uma lanterna de azeite, batendo à uma porta. Essa cena me inspirou um drama mais ou menos assim:
A criança está dentro da casa escura, nada podia ver, nada podia ouvir, a não ser insistentes batidas à porta...
- Há alguém lá fora. Está batendo há muito tempo, nem sei quanto.
As batidas seguiam calmamente, insistentemente, em intervalos muito precisos...
- Quem será? O que acontece se eu perguntar?
A criança mesclava medo e curiosidade, até que esta venceu e arriscou...
- Quem está aí? Perguntou esitante.
- Sou eu. Deixe-me entrar.
Uma voz grave e terna invadiu todo o recinto, como que quebrando a estabilidade vigente no ambiente. A criança calou-se por alguns segundos, mas vendo que o contacto se estabelecera, as batidas cessaram...
- "Eu" Quem?
- Sou teu irmão - respondeu a voz de cristal.
- E eu lá tenho irmão? O que você quer?
- Vim te buscar para levá-la à casa de nosso Pai.
- Ué! Pai??? Mas disseram que sou órfã!
- Não, não é. O Pai não abandona seus filhos e eu não negligencio meus irmãos.
- "Irmãos"? Então tem mais?
- Muitos mais, todos ansiosos pelo teu retorno; e eu sou o mais velho.
Um breve instante de silêncio inundou a casa escura. A criança se sentia impelida a abrir a porta, mas também temerosa pelas represálias, caso o fizesse...
- Não posso. Se eu abrir, eles me castigam. Além do mais, já me acostumei. É escuro, às vezes me machuco, mas acontece mesmo; é frio, às vezes adoeço um pouquinho, mas a vida é assim mesmo, não tem jeito.
- Não confunda medo com resignação, e nenhuma prova lhe deve ser imposta além das que o Pai lhe confiar, e tu já venceste todas.
- Mas se eu abrir, eles vão me castigar - Diz já em prantos.
- Nenhum mal te acometerá se vier a mim.
- Promete? Você me protege?
- Prometo.
- Então... Nem sei pra que lado fica a porta!
- Eu te guiarei.
- Você sabe como é aqui dentro??
- Sei de tudo o que se põe no caminho de tua felicidade. Venha, eu te guio.
Jesus guiou a criança com cuidado, pois ela já estava debilitada, de modo a não tropeçar ou ferir-se nos objetos do ambiente. Até que ela encontrou a porta e, seguindo as orientações, girou com cuidado a maçaneta da porta que só se abre por dentro. A porta se abriu. Jesus entrou, com ele entrou mais luz do que o Sol lega à Terra...
- Oi - Disse a criança sem encontrar mais palavras.
- Oi. Vamos para casa.
Assim que Ele a pegou nos braços, as chagas desapareceram, com ela a velha e já inservível casinha que a mantinha cativa. Sua casa agora é o reino infinito de seu Pai.

04 de agosto
Mirtezinha!!!
É notório o esforço dos povos para se livrarem se estigmas, como também é notória a existência de patetas que teimam em alimentá-los.
Na Vigilância Sanitária Municipal de Goiânia (Visa Gyn, para os íntimos) costuma aparecer gente de outras regiões para estabelecer negócios na cidade, a grande maioria se dá bem e não dá problemas, mas vez ou outra aparece um detrator de sua gente.
Certa feita, um paulista chegou à Divisão de Productos Químicos e Pharmacêuticos, o DPQF, para dar entrada nos papéis. A princípio não prestei atenção na proeminência abdominal, no olhar de nojo, nem nas bochechas inchadas do indivíduo, o sotaque denunciava sua origem: São Paulo. A certa altura, a atendente pediu a documentação e ele se recusou:
- Pra quê que você quer meus documentos - perguntou, de nariz empinado?
- Senhor, nós precisamos desses documentos para fazer seu cadastro...
- Quê? Em São Paulo não precisa de nada disso - esbravejou interrompendo minha colega. Quem é você pra exigir meus documentos?
O triste espetáculo, porém, durou pouco. Ele exigiu falar com o chefe da Divisão, e a chefe foi. Mirtes é um anjo de pessoa, mas quando fica brava é pior do que cólica pré menstrual. Lá foi a Mirtes, cenho franzido, boca torcida pela contrariedade, passos falsamente calmos, pediu o lugar à minha colega e encarou o sujeito. E ele falou, e falou, e falou... Até que foi murchando, murchando, murchando... A Mirtes lá, irredutível. Vendo a fera com a qual havia se metido, começou a se explicar e, com a cara mais lambida do mundo soltou:
- Mirtezinha...
- Grrrr!!!
Até onde sei, ele se comportou. Acredito que conseguiu se estabelecer, não acompanhei seu caso, de onde pode-se deduzir que não haviam dificuldades coisa nenhuma. A exemplo de outros, ele fez o jogo do "se colar, colou"... Não colou.
O triste disso é que os paulistas que chegam à Flor do Cerrado costumam dar exemplos de civilidade e disposição ao trabalho árduo. Esse povo não merece ser representado por gente como o da história aqui contada.
Gente do país e doutras regiões do mundo, Goiânia é uma mãe aguardando mais filhos adoptivos.
03 de agosto
Bico de Pena
Bem, caí em desgraça. Criei um blog. Tarde para voltar atrás.
Uma ironia me chama a atenção há décadas: Em épocas eleitorais como esta, todos estão deveras preocupados com as mazelas que assolam a sociedade, mas só param para pensar nelas quando os candidatos começam a matraquear como se fossem gravadores, limitando-se aos discursos decorados, raramente saindo da linha prevista. Assim que eles se calam, cessa-se a indignação, pois a culpa é "do povo", como diz o popular, que se esquece de sua condição de povo. Não vou agir feito uma maritaca a repetir o que muito já se disse: mas tenho que agir diferente. Se quero mudanças, devo mudar primeiro a mim mesmo, para além da revolta (ainda que justa) causada pela indignação.
Por agora é só... e já falei muito

Um comentário:

Anônimo disse...

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