13/06/2013

O amigo Yoda

Fonte: Death Star PR

Armando é um sujeito normal. Quarentão e solteiro, mora em um apartamento próximo ao trabalho. Paga mais de aluguel, embora o condomínio seja até mais em conta, mas economiza o dobro podendo ir a pé. Com isso poupa não só dinheiro, mas também sua saúde. Afinal, enquanto os colegas ficam presos no trânsito, seja no conforto pouco reconfortante dos carros, seja nas masmorras motorizadas que formam transporte público, ele caminha alegremente pelas calçadas, vendo as lojas, parando religiosamente às 18h30 em uma chocolateria para reabastecer seu único vício, falando com os amigos pelo caminho...

Todos vivem elogiando Armando, por ter conseguido esse apartamento. Ele, humilde e sinceramente, diz que não agiu sozinho, que na realidade só fez seguir o conselho de um amigo. Quando ele diz isso, alguns ainda ficam sem graça, pensando ser chacota, embora a maioria já tenha se acostumado. Mas realmente soava estranho ele não reivindicar a exclusividade de suas sacadas.

Na verdade, Armando só era tolerado por muitos dos colegas, porque tem idéias geniais. Consegue unir o melhor dos mundos, fazer parte de seu grupo de trabalho é certeza de boa remuneração, além de reconhecimento e o status de ter participado de uma campanha vitoriosa. Em uma época de demissões em massa, nos meios de comunicação, Armando é um xodó do grupo de mídia.

Mas a todos ele diz que não fez mais do que seguir conselhos de um sábio amigo. Ninguém precisa mais perguntar quem é esse amigo, porque ele cansou de dizer nos dois primeiros anos no emprego, para o escândalo geral. O nome desse amigo é Yoda.

Não, não se trata de um ser humano chamado Yoda, nem de um livro sobre o Mestre Yoda. Armando afirma e credita todas as suas vitórias, ao respeito integral aos conselhos do Mestre Yoda da saga Guerra das Estrelas. Yoda é seu amigo, gostem ou outros ou não. Um dos motivos para a solteirice, apesar de já ter seu pé de meia bem tecido.

Yoda se aproximou dele quando Armando tinha sete anos. foi quando pediu à mãe que lhe levasse para ver Star Wars, no cinema que Yoda indicara. Não, Armando jamais tinha ouvido falar de George Lucas, até então. Ele adorou, virou geek e passou a estudar com afinco, sempre sob a austera e bondosa batuta do jedi... Era o que ele dizia.

No começo isso lhe rendeu dissabores, reprimendas e seguidas idas ao psiquiatra. A cada psicotrópico receitado, Yoda lhe recomendava um antídoto, para que não lhe fizessem uma lavagem cerebral química. Foi muito dinheiro gasto em drogas que só deram dor de barriga, ainda assim de leve. Logo a alegria de nunca mais ter tirado menos de dez, suplantou o desconforto, e ele até perdeu o apelido de "Armandinho Doido".

Certa feita, um executivo que se intitulava linha dura, começou a implicar com ele. Não aceitava que um provável futuro subalterno se comportasse daquela forma, que acreditasse em algo que não estava cientificamente comprovado e patenteado por algum laboratório famoso. Por diversas vezes conseguiu colocar em suas mãos, verdadeiras armadilhas em forma de trabalho. Armando sempre se safou, sempre creditando Yoda.

Culminou em uma reunião com a directoria do grupo, quando um pequeno contingente tentou colocá-lo contra a parede, revelando sua excentricidade "danosa à imagem da companhia" aos chefes. Armando assumiu que vê e conversa com o Mestre Yoda, falou do tempo em que fez terapia, do que passou durante a infância e juventude, e tudo mais. Não, ele não podia provar que Yoda existia, nem fazia questão. Não, Yoda não poderia aparecer para mais ninguém, não que ele soubesse. Não, não poderia mesmo assumir a exclusividade dos resultados, não só por Yoda, mas também pelos colegas que conseguia fazer render bons resultados. Não, não dava a mínima para o que os outros pensam, desde que não tentassem prejudicá-lo.

Os executivos olharam para os resultados, para o histórico do homem, deram de ombros para o resto e as boas vindas ao Mestre Yoda...

- Mestre Yoda retribuiu a gentileza. Que a força esteja com vocês.

Noutra vez, um sujeito lhe perguntou por que não deixava de babaquice e passava a falar de coisas de homem, em vez de perder tempo com o que não existe...

- Cara, vira homem! Para de inventar que um bicho de outro mundo te ajuda! Fala de futebol, como todo homem tem que falar, por exemplo!

- Ah, é mesmo? Futebol é coisa de homem... Futebol existe... Te dá alegria? Te dá bons conselhos? Te livra dos perigos da cidade grande? Te ajuda a tirar nota dez em todas as provas? Te ajuda a vencer na vida? Te ajudou a formar um patrimônio maior do que você aparenta ter? Oras, vejam só, algo não existe consegue me fazer mais bem do algo que existe faz a você.

- Ah, vai comparar um esporte que é paixão nacional, com um bicho de desenho animado, otário?

- Não, eu não vou comparar um entretenimento supérfulo com um personagem cheio de conteúdo. Pode ficar com seu esporte, é seu direito.

A discussão não durou muito, com o outro sempre batendo na mesma tecla, até que se cansou, o chamou de veado e foi embora. Armando gosta de esporte, mas prefere o super bowl americano, bem mais pelas cheerleaders do que pelo jogo em si. Hoje, ninguém mias se mete com ele.

Houve uma única vez em que Armando interpelou Yoda, perguntando o motivo de tudo aquilo, e principalmente de não dar as caras para os demais, quando ele o percebia até pelos sentido extras de sua sinestesia...

- Pequeno padawan, bom você perguntar isso foi. Na hora estava de sério falar. Não se preocupe de onde venho, como aqui estou, do que vivo eu e como te acompanhar por toda parte consigo. Se importar com isso, você não deve, ao menos por enquanto não. Eu aqui estou para a você ajudar, porque uma missão você tem neste mundo. Todos uma missão têm, mas você a abraçou alegre e dedicado. Que eu existo você sabe, pois resultados você consegue minha ajuda aceitando. Gratidão eu não lhe peço, mesmo assim você agradece. Não precisa santo se tornar, mas muito bom homem você se tornou, muito humilde você é, alegria de viver você espalha. Era o que pela sua vida te ensinar eu queria, mas muito rápido você aprendeu, agora ensinamentos avançados você terá. Minha aparição importante não é, a não ser para você, que meu aluno se alegra em ser. Os adultos em mim não vão acreditar, ainda que aos seus olhos eu apareça, irão algo beber e para casa dormir vão. Eles razão preferem ter a felizes serem, é só o que eles têm, pois inseguros são, perder o que conseguiram muito temem. A descrença um mecanismo de defesa é, quase tão forte quando o fanatismo pode se tornar. Nem prontos para o coração seguir eles estão, pois aliar com a mente não sabem. Você desde criança isso percebeu, por isso minha ajuda aceitou. Desculpas peço por transtornos que amargou, mas necessário tudo isso foi. Apesar de minha ajuda, o mérito seu é, por você desprendido foi o esforço. Você acreditou, você se esforçou, você venceu. Nestas férias, sugerir um destino eu gostaria, vá para Blumenau. Pode ser que sozinho não mais volte, mas voltar vai.

Depois disso, armando planejou suas férias. Continuou dando créditos a Yoda, continuou recusando ser o centro das atenções, continuou mantendo o Armandinho vivo, curioso, contestador, solícito que escolheu como aluno. Como sempre, vai aceitou a sugestão do mestre. Não estão tão preocupado com onde isso vai dar, quer é fazer uma boa viagem.

05/06/2013

Por causa de um gatinho?

Fonte da imagem: AmuMag
 
Por causa de um gatinho ela chorou. Nem era seu, mas mesmo assim ela chorou.

Não, não se trata de linguagem figurada, era um felino de uma amiga. O animal sofreu muito, por falta de socorro veterinário, por falta de compaixão de quem poderia ajudar, por falta de ajuda de quem não honra seus quarenta e seis cromossomos.

Oras, dirão alguns, deveria se condoer pelas crianças carentes, pelas pessoas famintas, em vez de chorar por bicho. Oras, digo eu, por que não se calam? Ela chorou por uma criatura de Deus, como choraria por uma criança, e chora quando a dor é grande.

Além do mais, há uma pessoa de luto por causa do gato. Uma pessoa próxima, que os insensíveis não levam em conta. Não fosse pelo gato, ela choraria pela dor da amiga, mas chora também pelo sofrimento do gato.

Ela chorou porque é sensível à dor do outro, não importa quem o o quê o outro seja. Ela não teria se tornado freira anglicana, se não tivesse compreendido esta lição: Amai o próximo como eu vos amei. Francisco de Assis levou como ninguém esta regra, o que ela faz é tentar seguir na medida do seu possível.

Não, ela não força, ela a segue de coração aberto. Ela sabe que quem agride um animal doméstico, não terá piedade de uma criança ou um idoso. A vulnerabilidade é a mesma, até maior em certos aspectos, pois o bicho não sabe registrar denúncia.

Uma pessoa de coração nobre, não escolhe por quem sofrer, sofre junto por qualquer um. Pessoas de coração nobre são raras. Pessoas que optaram por ele, mais ainda.

Viver em um ambiente de promiscuidade, conseqüência mais freqüente do egoísmo, e ainda assim manter a sensibilidade para com a dor do próximo, sem escolher quem será esse próximo, é dom de quem não tem sangue correndo nas veias, mas ouro líquido, de que também é feito seu coração.

Sim, ela chorou por causa de um gatinho, que não tinha absolutamente nada para dar em troca, e cuja falta não concederá herança alguma, a não ser mais uma dor no peito a forjar sua candura. Mas não espero e não peço aos insensíveis que compreendam isso, só peço que se não tiverem uma palavra doce para oferecer, que se calem.

04/06/2013

Busólogos, esses incompreendidos

Fonte da imagem: Mercado Livre
  Já é relativamente comum ver turmas com câmeras, à beira das estradas, quase sempre jovens de visual meio largado e torrando o cocuruto ao sol. Mas também fazem ponto em rodoviárias e terminais do transporte urbano. Eles parecem gostar de modo masoquista do sofrimento prolongado, e zombam de quem leva guarda-sol, cadeira e mantimentos... mas não dispensam a boquinha, se for ofertada.

A maioria nem sabe o que significa a palavra, muitos dos que sabem se esquecem que o Neymar não ajuda a pagar as contas da casa, e os chama de desocupados, afirmando que deveriam estar jogando bola, que é "coisa de macho". De facto, é quase um clube do Bolinha, mas também há as Luluzinhas malucas que integram algumas equipes, e versam com maestria sobre o tema... e elas costumam ser lindas, ao contrário do que vocês possam pensar, seus maldosos! Falo dos busólogos, esses incompreendidos.

Buso-o-quê? Busólogos. São os cidadãos que dedicam seu tempo livre à observação e ao estudo dos ônibus. Não são muito recentes no mundo, no Brasil mesmo já se ouve falar deles desde os anos noventa, mas infelizmente eles não são levados à sério como merecem. principalmente porque nunca houve uma briga da torcida organizada do Caio Vitória, com a legião do inferno Monobloco Mercedes-Benz. Logo, ninguém perdeu filhos por causa deles.

O que eles fazem de importante? Eles preservam a memória do transporte público, muito melhor do que o poder público faria se tivesse interesse; mas preservar memória vai contra os princípios do Estado, vocês sabem o por quê. Coloquem um secretário de transporte urbano para discutir com um busólogo avançado, e ele sairá humilhado do embate. O busólogo dá direitinho todos os motivos técnicos para preferir outro modelo e versão, ao que as empresas de ônibus empurram para o usuário.

Fonte: Mercado Livre
Embora a "graduação" seja muito ampla, um busólogo mediano consegue te dizer marca, nome, versão e características dos principais ônibus feitos do Brasil, e ainda diz onde eles foram mais ou menos utilizados, podendo até fazer análises de motivos reais para serem mais ou menos utilizados por determinadas cidades, o que desmascara facilmente um prefeito picareta. Eles sabem o quanto realmente custa para comprar e manter os veículos. Muitos deles costumam freqüentar os sites dos fabricantes e fornecedores, em vez de se aterem às planilhas torpes das prefeituras.

A análise cuidadosa do transporte de massas, é capaz de apresentar uma radiographia completa e muito incômoda de um país. Por exemplo, vocês sabiam que é comum as empresas de ônibus depenarem sua frota, com o tempo, para acelerar a manutenção, quando é dada, e fazer o carro voltar mais rápido às ruas? É por isso que muitas vezes, eles ficam inexplicavelmente mais ruidosos, após um ou dois anos de uso, o material phonoabsorvente é retirado e jogado fora, para facilitar o serviço do eletricista. Fora as gambiarras feitas para remendar as botoeiras do sinal de parada... Quem dera fosse só isso... Deus nos proteja!

Enquanto um antigomobilista costuma sonhar com um Ford Gran Torino quadrijet, um busólogo se pega sonhando com um Marcopolo Torino da primeira geração, com placa preta. E enquanto os opaleiros sonham com um Opala Diplomata última série com pouca quilometragem, muitos busólogos acalentam o sonho de um Nielson Diplomata de piso alto e terceiro eixo com motor Scania, com placa preta para esfregar na cara dos antigomobilistas normais. Eu ainda não sei de nenhum, mas gostaria de ver.

"Antigomoblistas normais"? Ficou estranho...

Ser busólogo AINDA não custa muito caro, porque quase não existe atenção dos meios de produção para a demanda, o que se vê facilmente na pequena quantidade de artigos relativos ao tema, nas lojas... Os ônibus de brinquedo costumam ser desdenhados pela maioria dos garotos, então não podem ser muito caros sob o risco de encalhar. Mas esse baixo custo aparente esconde a dificuldade, também pelo desinteresse das empresas potenciais fornecedoras, de se encontrar material de boa qualidade e com razoável padrão informativo.

Eu disse "aparente" porque quase tudo o que se publica de séria a respeito, é importado. Ainda não existem miniaturas bem feitas de ônibus nacionais, nem mesmo dos clássicos e icônicos Mercedes Monobloco, que deixaram saudades. Um busólogo que queira ter um acervo consistente, muitas vezes precisa enfrentar o escorpião do bolso e mandar fazer por encomenda. Não sei vocês, mas eu nunca  vi no shopping uma réplica em escala do OM-622.

Alguns mais avançados, e com recursos materiais e temporais livres, vão mais longe e adquirem uma profundidade e vastidão de conhecimento digna de um doutor, não raro se enveredando pelos demais meios de transporte público. Sempre tendo sua especialidade, como os CMA Dinossauro/Flecha de Prata da Viação Cometa, mas sabendo como poucos sobre locomotivas, metrôs, bondes e até táxis. E eles também conhecem a fundos os bônus e os podres das principais empresas de ônibus do país, não raro do mundo. Viram como são perigosos? Não se metam com eles!

Uma utilidade prática, além das ciências humanas envolvidas, é o conhecimento de engenharia que muitos absorvem, durante seus estudos, o que inclui conhecer bem a matemática e o português, não raro vários outros idiomas, além de legislação de trânsito. Um busólogo experiente consegue ver de cara o que está errado em um ônibus, porque SEMPRE há algo errado nos paus-de-arara que o poder público chama de transporte público. Insistir em usar suspensão de caminhão em um veículo de transporte humano, é um dos itens mais graves.

Como não poderia deixar de ser, a Cidade-Estado de São Paulo tem a patota mais organizada de busologia do país. Sim, eles se reúnem, fazem uma micro economia girar e não desistem com os comentários jocosos. Só que eles são felizes, no meio daqueles gigantes, os críticos tanto não são, que precisam vê-los tristes, para se sentirem menos mal consigo mesmos.

Há até uma piadinha maldosa, como sempre: O cidadão pergunta ao outro, normal, que ônibus era aquele que saiu, e ele responde "168 - Campinas/Fama/Centro". A cena se repete, ele pergunta a um busólogo, que responde "Um Caio Apache Vip ano 2012, com chassi Volkswagen e motor Cummins, com elevador Atlas para cadeirantes...". 

Então, caros leitores, ao se depararem com um bando de garotos de todas as idades, reunidos em uma rodoviária, discutindo sobre o Paradiso G7 recém comprado por tal empresa, não tenha medo, não chame a polícia nem a ambulância do sanatório. Esse grupo tem muito mais a oferecer ao cidadão comum do que vocês imaginam.

Ah, não sei se perceberam, mas tenho uma grande simpatia pelo O 364 rodoviário.

Ainda não há nada de oficial e muito estruturado, além do Clube do ônibus antigo (perfil no facebook aqui) que faz encontros anuais no memorial da América Latina, em São Paulo.



Para quem se interessou, eis um monte de links do Google, clicando aqui.

Um texto que fala d'outra cousa, mas tem a ver com a farofa: Motorhomes.

31/05/2013

Experimenta criar!


Texto baseado em factos reais. O romanceamento se dá para permitir melhor digestão de um tema indigesto, cujo desenrolar não é divulgado para não prejudicar a carreira política de parte dos envolvidos. Já são pelo menos três casos abafados de famílias que são deixadas em paz por conselheiros politiqueiros, após reiterarem a ameaça e darem sinais claros de que vão cumprir com ela.

Pai e mãe indignados são chamados a um conselho tutelar qualquer, para responderem por agressões traumáticas e humilhantes, feitas a uma brasileirinha em situação de menor idade... Tomam duas horas de chá de cadeira, sem açúcar, quando um vereador sai sorridente, seguido do conselheiro...

- Pode deixar, doutor conselheiro, você está praticamente certo para a secretaria, assim que nós formos eleitos.

- Eu agradeço muito, ilustre doutor vereador! É o reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à sociedade por este doutor. Ah, se me dá licença, tenho outra violação dos direitos das crianças e dos adolescentes para coibir.

Chama-os para a sala. Faz caras e poses, então começa a falar...

- Os senhores estão sendo chamados aqui, junto a este conselho tutelar, para prestarem esclarecimentos ao nível de poder familiar, enquanto denunciados pela agressão a uma brasileirinha em situação de menor idade...

Eles o olham com caras de paisagem, enquanto ele enrola a prolixia. Já conheceram muitos conselheiros com os pés no chão, mas estes estão perdendo espaço para os que usam o conselho como trampolim político. Ele retoriza, transforma broncas reservadas em assédio moral, tapas para conter histeria em tortura física, até terem negado permissão para um baile em um posto de gasolina de um deputado, que terminou em tiroteio e processo por tráfico, é relatado como tortura psicológica...

- E como é que você quer que a gente faça?

- Oras, é óbvio! Uma discussão aberta e democrática com a brasileirinha em situação de menor idade resolve tudo!

- Não resolveu, retruca a mãe.

- É porque vocês não foram carinhosos e permissivos o suficiente. Está escrito aqui no meu manual, conversinha mansa sempre funciona!

- Ô moço, interrompe o pai, sem querer faltar com o respeito que o senhor não fez por merecer, as conversas até que funcionam bem, quando não aparece um bocó envenenando a cabeça da nossa filha, falando que criança tem direito de usar o corpo como quiser! Leia-se, dar pra desconhecido em boca de fumo.

- Não é assim, berra o conselheiro, vocês estão distorcendo a verdade! A verdade é que o eca veio para coibir abusos e proteger a criança e o adolescente das crueldades...

- Então onde vocês estavam, quando nossa vizinha foi abusada pelo deputado Pastor Tinho? Ele tá livre até hoje!

O homem engole seco. Mas fica pálido mesmo quando a mãe da menina dispara a falar...

- Todos os dias os jornais dão notícia de traficante torturando de verdade e matando crianças! Onde é que vocês estão? E aqueles valentões que só a polícia enfrenta, e abusam dos próprios filhos? Heim?

- Isso é um absurdo! Berra indignado. Vocês estão tentando me pôr contra a parede! Estão tentando inverter uma situação imperdoável! Estão querendo colocar em mim a culpa de suas agressões covardes e perversas! Eu vou mandar prender vocês! Vou colocar os dois na cadeia! Eu vou tirar a brasileirinha em situação de menor idade definitivamente da guarda de vocês!

- Então tira, desafia a mãe.

- Vou poupar o tempo do bocó de mula, e trazer a Pepita eu mesmo.

O pai sai e chama a menina. Ela chega limpa e bem arrumada, como não estava quando foi tirada a tapas de uma competição de som automotivo, no meio da rua, e ele anuncia...

- Esse aí é o seu pai agora. Vai com ele.

O conselheiro e a menina ficam sem saber o que fazer, sem reação e olhando um para o outro, com um asco mútuo. Ele se vira para os pais e blefa...

- Não me provoquem! Eu vou tirar o poder familiar de vocês! Olha que eu...

- Então tira! Se eu não puder corrigir a filha que eu trouxe no útero por nove meses, com duas situações em que quase tive aborto espontâneo!

- Fora as vezes em que eu passei dias sem dormir direito, levando ela de hospital em hospital, pra tratar da asma! O governo nem porcaria de conselhozinho vagabundo nenhum, ressarciu os gastos de tratamentos que o governo não quis cobrir!

- Se eu não puder corrigir, então lavo minhas mãos. Pode colocar ela pra adoção!

A menina, que mal completou treze anos, fica trêmula. Ela sabe, por relatos, do que acontece naqueles depósitos de carne humana que o governo finge serem centros de reabilitação de menores infratores, para onde provavelmente iria após se desentender com os funcionários de um orfanato. Já o conselheiro, quase se borrando com a iminência de um escândalo que inviabilize sua carreira política, em parte a ser patrocinada por valentões que agridem impunemente seus filhos, tenta argumentar, remediar ter comparado os dois a bandidos torturadores...

- Sem conversa! Vocês falam demais e não saem de suas salinhas com ar condicionado pra ver se o que falam funciona. Eu dei à luz uma menina, não uma bandidinha que ameaça a mãe com uma faca de mesa!

Eles se viram para irem embora, e deixarem para chorar em casa, quando ouvem o grito desesperado da menina. Ela se agarra à mãe e chora copiosamente, soluçando mais do que falando, mas jurando que vai tentar virar gente. Olham para o sujeito que tentou intimidá-los, mas sabe que não segura o rojão de criar uma menina com actividade intelectual muito acima da média, não bastasse a estética idem, e avisam para se manter longe de sua menina. Que enquanto não for homem para encarar pais perversos de verdade, inclusive caciques políticos, que pie baixinho às suas presenças.

Os cinco anos seguintes, já em outro endereço, longe daqueles delinquentes, em outra escola e recebendo reforço paralelo em casa, porque os livros do governo são pura lavagem cerebral, a menina ingressa para a faculdade. Forma-se pediatra. Conclui o doutorado em psiquiatria infantil, linda, genial, e com os pais no salão, certos do dever cumprido.

Se deu dor de cabeça? Decerto que sim! Quem cria filhos não pode esperar ser diferente. Quem não cria, espera que tudo seja um mar de rosas.

Aos que se revoltaram com o texto, voltem ao primeiro parágrafo e leiam com cuidado.

22/05/2013

Três reais? Mais barato andar de Opala.


Está ficando caro andar de ônibus. Não só porque passou de 2,70 para 3,00, de ontem para hoje. Está caro porque aumentou sem uma melhora sequer. Pior, aumentou com as condições piorando.

Quem conhece um pouco de macânica, pelos ruídos percebe que a manutenção desses ônibus é bem mais precária do que alardeiam as concessionárias. Freios funcionando com metal contra metal, são rotina.  Botoeiras que não funcionam e te fazem perder o ponto, mais ainda. Imundice já nem é mais notada, já é sinônimo de transporte público goianiense.

Hoje tive a terceira camisa danificada em um desses paus de arara, que o prefeitinho jura que é transporte de primeiro mundo, mas ele escomungava antes de se sentar naquela cadeira.

A alegação é a de sempre, o aumento estava previsto no contracto, decorrende da licitação que correu na surdina e contemplou os malandros que já espoliavam a população há décadas, cujo partido do prefeito jurava de pés juntos que expulsaria da cidade, algum dia.

Há alguns anos, empresas de fora se candidataram a tomar o lugar delas, quando reclamaram que estavam tendo prejuízos, e que só se mantinham santamente no árduo labor de bem servir à população, porque estavam contractualmente obrigados a fazê-lo até 2006.

Foi as de fora se manifestarem, e até garantirem que os itinerários curtos garantiriam uma boa redução no preço da passagem, que eles se calaram. Ninguém respondeu mais às perguntas da imprensa.

Quando anunciaram o fim da figura do cobrador, ou trocador em algumas regiões, fizeram uma campanha tosca, que sugeria que eles passariam a ser orientadores nos pontos de ônibus. Mal deu um mês eles sumiram. A partir daí os acidents graves se multiplicaram, com o motorista sozinho no ônibus, sem o colega que avisasse sobre o passageiro que não terminara de descer, geralmente um idoso debilitado.

Com freqüência, colocarm motoristas em rotas que ele desconhecem, mandando que se virem, forçando-os a contar com a ajuda dos passageiros mais antigos, que nem sempre estão à disposição. Há um GPS ridículo no veículo, mas que só diz qual é o próximo ponto, nunca como chegar lá. Só serve para facilitar punições.

E por falar em punições, é o motorista que paga o pato, quando há um acidente. E por falar em motorista, eu não caí na encenação do sindicatozinho pelego, que fecilitou a deflagração da greve para convencer a população que pagar caro, é melhor do que andar à pé.

Como de praxe, a rmtc fez vistas grossas à especulação dos vendedores de bilhetes, que se negaram a vender mesmo quando eram vistos com os ditos nas mãos. Como de praxe, os portadores dos cartões viram o dinheiro depositado nele, valer menos, porque nele consta o valor comprado, não o número de viagens compradas.

Fazendo as contas, sem incluir factores imensuráveis como respeito, dignidade, segurança, mas só dinheiro, um Opala guiado com boas técnicas de pilotagem pode sair mais em conta, especialmente se houver caroneiros para ratear os custos. Ainda mais que eu saio de manhã muito cedo, quase sem trânsito. Mas o mesmo prefeito que xingava os concessionários e hoje os adula, é o mesmo que adulava os funcionários públicos e hoje os sufoca com vencimentos irrisórios e péssimas condições de trabalho. Por enquanto, o carro fica no mundo dos planos por executar.

01/05/2013

Os Dragões de Titânia - A queda do César - Resenha


Renato Rodrigues é meu amigo pessoal, sujeito que prezo muito e a quem dou liberdade para certas brincadeiras, que ele faz se cerimônia... Inclusive com minha idade. Com tudo isso, eu me vejo no direito de fazer críticas constructivas, de apontar falhas e dizer que não gostei de algo. Bem, caríssimi, não é o caso. Novamente Don Renatonski acertou em cheio, mesmo nas partes em que eu gostaria de puxar sua orelha até virar cachecol. Por que ele fez aquilo com aquela menina???

Vamos ao livro e ao que vocês aprenderão com ele, se forem bons leitores. Mas antes, um aviso a muitos que parecem não ter compreendido a linguagem dele. Renato é nerd, casado com uma nerd e vive cercado de nerds, um nerdster por excelência. É fã de video game, RPG, quadrinhos, séries de televisão, cinéfilo, entre outras drogas pesadas do gênero. Quem não estiver familiarizado com a linguagem dessa cultura pop, realmente vai encontrar dificuldades em acompanhar sua narrativa. Ela é muito ágil e conta com a inteligência activa do leitor, quando pensas que a espada está voando, a cabeça já rolou e a turma já está amargando o luto, no dia seguinte.

O livro começa onde o anterior terminou, o que mostra que meu amigo não é essa bagunça que vocês pensam dele. Apesar disso, quem (EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ) não leu A batalha de Argos vai conseguir compreender a trama, se estiver com o raciocínio em dia. Entretanto, o aprendizado que o livro oferece, fica mais bem sucedido que o anterior já estiver devidamente digerido. Vejamos...

O anterior mostrou como nascem as conspirações, pois A Queda do César mostra sem disfarces como ela se desenrola. O leitor vai aprender que não deve ser surfista político, indo na onda de uma multidão que adora, teme ou adora e teme um figurão. O dito cujo, que está sob holofotes, é apenas uma marionete, que será descartada assim que não servir mais, ou que sua preservação for menos interessante do que sua ruína. Aliás, o autor mostra em detalhes, com a sutileza de um beija-flor e a frieza de um psicopata. Ele não te poupa da verdade, ainda que sob andrajos de uma ficção. É como se ele dissesse "Eddie, eu vou esquartejar esse cara legal aqui e já vou almoçar".

Às vezes ele dá a impressão de que seus livros são escritos a vários pares de mãos, às vezes me dá a certeza de que sim.

Acontece que as pessoas realmente sujas, são discretas. Elas se preservam da ira popular, porque sabem que é implacável. Quem viu o jogo de manipulações no livro anterior, ainda assim vai se impressionar com as dimensões que toma neste.

Aprenderá que a causa mais nobre e bem intencionada pode ser facilmente corrompida, se o grupo radicalizar sua posição. Por que? Porque os manipuladores estão atentos, prontos para suprir as necessidades imediatas em troca de submissão. As pessoas não precisam saber que estão sendo submissas, há muitas formas de o serem sem que percebam. e quando percebem, já é tarde, estão viciadas na vontade do manipulador. E serão descartada assim que não servirem mais, ou ele encontrar marionetes melhores.

Quando falo em descartar, não digo que vai deixar ir embora livremente, me refiro a assassinato cruél e exemplar. Isso acontece todos os dias e o amigo Renato esmiuça os requintes de crueldade, na ficção. Não pensem que quem elegemos é menos demoníaco do que o Castellian, só não tem as mesmas ferramentas.

Aprenderá ainda que as motivações de um evento gigantesco, podem muito bem ter origem em um facto cotidiano, uma frustração ou mesmo uma dor de cotovelo. Mesmo uma figura sagrada perde completamente seu valor, quando o ego está em jogo. Aliás, não é esta a causa primaria de todos os conflitos? Todas as guerras, no fundo, foram e são guerras de egos. A vida ensina de forma dura, mas o renato nos mostra isso no conforto de uma leitura, antes que a pancada nos atinja, por falta de prevenção.

Aprenderá que não existe danação eterna, simplesmente porque as pessoas não são infinitas, então não têm condições de fazer algo de tão ruim que jamais tenha conserto. O eterno e o infinito não pertencem às criaturas. Mas um manipulador de modo algum admite que se compreenda isso, porque lhe tira poderes. Ele fará de tudo para te convencer de que és impotente à sua presença, sem escrúpulos e sem medir conseqüências.

Esses que se vangloriam de terem se livrado dos manipuladores, mas continuam em sua senda de maldades,  se pegarão cedo ou tarde mais comprometidos com eles do que quando cooperavam. O mal é uma marca, ele te encontra onde que que estejas e sabe exactamente onde e como te fragilizar. Não hesitará em usar teu corpo como luva, que descartará sem puderes para não deixar pistas de sua ação.

Aprenderá também, se ler direito, que a convicção não deve ser confundida com certeza. Uma convicção arraigada, então, de modo algum deve ser vestida de certeza absoluta, pois esta só tem quem não erra, e quem não erra não aprende, quem não aprende não tem respostas e tampouco certezas. Se uma placa de trânsito avisa que há um barranco logo à frente, não significa que devas manter a direção e se estabacar lá em baixo.

Os próximos livros, A Dama da Montanha e Crônicas de Leemyar - O Necromante, este da Eddie, trarão surpresas adicionais e luzes novas, com mais do que os sete habituais matizes a que nossos olhos preguiçosos se habituaram... Só que trarão ainda mais perguntas do que respostas, então treinem a arte da paciência.

Aprenderá ainda, por fim, que não importa o quanto o seu grupo esteja ferrado, é muito melhor estar ferrado em grupo do que sozinho. O grupo te dá algo em que se apoiar ou, no mínimo, alguém em quem colocar a culpa.


15/04/2013

Compre um gerador

Fonte: Malcriados
Aconteceu de novo, desta vez um caso mais escandaloso. Segundo nossa diarista, que mora em Aragoiânia, o caso é recorrente e a Celg, vulga Hellg, trata quem a sustenta com o descaso de quem é comandada por um incompetente indicado pela pasta-base aliada do governo, que faz de conta que a população mente e está tudo maravilhoso, como nas propagandas pagas a preço de ouro pelo erário.

Infelizmente é generalizado, virtualmente todas as companhias eléctricas do país estão cobrando aumentos absurdos pelos péssimos serviços nem sempre prestados, já que é rotineiro uma cidade do interior passar um ou mais dias totalmente às escuras; com productos perecíveis perecendo, se o cidadão não tiver geração própria de energia.

No caso citado, a dona de casa pagava cerca de R$ 150,00 por mês, mas repentinamente a conta saltou para 300,00, depois para 450,00 e chegou a mais de R$ 1.500,00. Absolutamente nada foi encontrado de errado. Os fantoches com diploma de técnicos, jogando a ética profissional no lixo, em vez de acionar seu sindicato para ter respaldo e fazer a devida denúncia, acusou a cidadã de ter adulterado o medidor, que provavelmente veio adulterado da própria Hellg, que tem o monopólio de tudo, e disseram para ela ir à justiça, se não concordasse.

É claro que se ela o fizer, ficará sem energia por meses, até anos, até quando o oficial de justiça encontrar alguém. Com a secretaria de Estado de saúde foi assim, com gente morrendo à míngua e o titular da pasta pulando os muros do fundo, para não ser encontrado! Porque a prisão já fora decretada.

Encerro aqui meu manifesto de indignação, para propor ao leitor uma solução prática. Providencie um gerador diesel. Não temam pelo meio ambiente, não temam pela conta de combustível e manutenção no fim do mês, não temam nem com o hipotético risco de o motor parar de repente. Bons motores diesel são brutos na lida, os eléctricos ainda mais. Não são brutos com o dono, mas o são com o trabalho, não rejeitando condições adversas de funcionamento.

Esqueçam aquela conversa mole de que gerar energia com queima de combustível é transferir a poluição de lugar. Motores diesel são muito mais eficientes do que os ciclo otto, como o de velas que equipa o teu carro. Se acertados para funcionar em escalas fixas de potência, a eficiência aumenta. Um motor ou gerador mediano, sem absolutamente nada de extraordinário, sem nenhum refinamento tecnológico, tem mais de 85% de eficiência. Um motor diesel bem refinado tem cerca de 33% de eficiência térmica, um motor à gasolina raramente passa de 25%. Fora que a transmissão come de 20% a 30% do que é produzido, enfim...

Um bom gerador diesel de, vamos imaginar 50 cavalos de força, consegue entregar facilmente 25kWh. Sim, mas o que essa potência faz? Ela é simplesmente o consumo de uma casa de classe média muito bem equipada, com tudo funcionando ao mesmo tempo, na potência máxima; chuveiro fervendo, microondas assando carne, ferro passando lona, aspirador sugando os pecados do dono da casa, et cétera. Claro que esta potência não é consumida integralmente em nenhuma residência do porte citado, até porque a fiação entraria em combustão com a maior facilidade, se não for super dimensionada.

Breves picos de 20kWh, como os dias de preparativos e andamento de uma baita festa, por exemplo, são o máximo que acontece. Na prática, a casa vai consumir menos de 50kWh ao longo do dia inteiro. Nem preciso dizer que uma casa modesta se satisfaz com menos da metade da potência instalada.

É, eu sei, um gerador é caro, a famigerada relação custo/benefício ainda é desfavorável. Mas vou dizer uma cousa triste e bela para vocês, essa mentalidade de "custo/benefício" é justo o que nos impede de dar com o pé nos fundilhos de 90% dos corruptos do país. Mesmo quem pode pagar com algum conforto o salgado preço de um gerador de grande porte, está a esperar que barateie, porque os prejuízos pessoais por falhas no fornecimento, não lhe parecem justificar o investimento.

Caríssimos, não se trata de um (maldito) mercado especulativo. Estou me referindo à tranqüilidade de suas famílias, da saúde pela conservação de alimentos e medicamentos termolábeis, da segurança pela continuação do funcionamento da iluminação e sistemas de alarme. Eu não falo aqui da famigerada mentalidade que gerou a bolha, que ainda hoje mantém o mundo imerso em uma crise financeira sem precedentes, estou falando do risco que suas vidas e as de suas famílias correm, pelo risco iminente de um corte injustificado no fornecimento, cujo restabelecimento só se daria ao bel-prazer de quem o interrompeu, ou com o risco de um decreto de prisão.

Repito: Nossas vidas estão em risco. Esses fulanos não tem caráter, nem ética, muito menos apreço para com nosso bem-estar. Eles contam com as costas-quentes de serem indicados por quem suga o dinheiro dos hospitais, das polícias, das escolas e da evacuação de áreas de risco. Se algo acontecer, acontecerá a laranjas, pois quem manda não suja as próprias mãos com o crime. Esqueçam o fator investimento monetário, o investimento aqui é na sua dignidade, na tranqüilidade de saber que quando a Hellg falhar DE NOVO, tudo continuará correndo a contento.

É mais ou menos como pagar por um bom, se é que existe no Brasil, plano de saúde. Não existe mensuração para os benefícios esperados, o cidadão de juízo capaz de arcar com os custos, paga o melhor que seu orçamento permitir.

Motores otto nem tanto, mas os diesel têm uma flexibilidade sem par, só equiparada pelos caríssimos motores a jacto. Tanto, que o óleo de cozinha usado, com algum processamento, serve de combustível para ele; rende menos, mas a um preço ridiculamente menor. E em todos os casos, pode-se utilizar metano, o popular GNV, que pode ser obtido até do esgoto doméstico. Claro que aqui demanda maquinário mais sofisticado, mas seria só uma rede de postos se interessar e dar andamento nos planos. Todas as restrições de combustível e modificações existentes para automóveis, não valem para grupos geradores. Eles podem queimar o combustível que estiver disponível, qualquer um mesmo.

Havendo combustível, ele não pára. Um gerador de boa qualidade pode funcionar por dias. Ainda há a opção de comprar baterias modernas, de phosphato de ferro ou plímero de lítio, caso se queira mandar a companhia ao RQP de uma vez por todas. Será uma responsabilidade a mais para arcar, mas a liberdade proporcionada não tem preço. Quando elas estiverem perto de esgotar, recomento manter 1/4 de carga como sinal de partida, o gerador entra em ação e as recarrega, só funcionando em tempo integral quando a solicitação for muito alta.

Há ainda outro bônus, como se liberdade não bastasse. A presença de um gerador daria aos moradores, especialmente às crianças, a noção de que a energia utilizada vem de algum lugar. Não é como o efeito psicológico da rede pública, que faz parecer que tudo está disponível sem restrições a qualquer momento, o que é uma grande e redonda mentira, convenhamos. Vendo in loco que algo precisa ser acionado e recursos movidos, para se obter o conforto desejado, a criança cresce com uma relação de consumo muito mais madura e saudável.

Há algum tempo reconsiderei a compra de um gerador pequeno, para evitar aborrecimentos e prejuízos. Eles baratearam muito, um bom de 1kWh custa menos de setecentos reais. é mais do que suficiente para manter geladeira e iluminação funcionando.

A diversidade de preços e configurações é imensa. Há geradores com partida por cordonil, que podem ser levados por uma alça, na mão, e outros que só saem do lugar desmontados, de tão grandes. Tenham a certeza de que existe um apropriado para a sua necessidade. Há a possibilidade de o cidadão com conhecimento de causa e vocação para Professor Pardal, construir seu próprio grupo gerador. Há vantagens e desvantagens, uma destas é a ausência de assistência técnica. Mas como mais vale um gosto do que um caminhão de abóboras...

A seguir, links de fabricantes, com seus respectivos catálogos. Se eu tiver esquecido algum fabricante com sede nacional, podem me avisar e mandar o link:

Agrale.
Bambozzi.
Branco.
Buffalo.
Caterpillar.
Cummins.
Deutz.
Honda.
MWM/International.
Perkins. Perkins 1. Perkins 2.
Scania.
Toyama.
Volvo.
Yamaha.
Yanmar.