23/11/2017

A Maldição dos Templos - resenha

   



    Demorei, mas li o quarto livro da saga OS DRAGÕES DE TITÂNIA, do meu amigo Renato "Matthew" Rodrigues. Não é por ser meu amigo, mas o sem-vergonha sabe escrever!


    Aos desavisados, este livro pode parecer mais do mesmo, mas devo lembrar que não se trata de uma série de histórias sobre a ordem paramilitar, cada livro é uma parte da longa história; se ele fosse colocar tudo em um livro só, seria um catatau imenso e pesadíssimo, que ninguém conseguiria ler. E sim, "A Maldição dos Templos" é o arroz com feijão que ele sempre serve, mas cada livro tem seus temperos e seus acompanhamentos. Não só isso! Este livro faz jus e dá seqüência com trema prefeita aos anteriores. Um leitor novato poderia devorá-lo sem medo de não entender a trama, mas conhecendo os outros, o sabor é mais refinado.

    E por falar nisso, o refinamento da história merece um comentário à parte! A necessidade de administrar a quantidade crescente de personagens, sem que um se pareça com os outros, sem trocar nomes e sem atropelar o modo de vida de cada um, demonstra o profissionalismo e a organização que se escondem no jeito debochado de ser do autor. E nenhum personagem é supérfluo! Todos eles, mesmo os figurantes, têm suas funções, por mais efêmera que seja a participação. Entre os principais, o leitor pode ser pego de surpresa, ao se defrontar com um sujeito que não dá as caras há livros!

    Diga-se de passagem, este livro tem surpresas agradáveis para os que sentiram os lutos dos amigos. Certamente não da maneira como gostaria, mas o sabor desse acepipe de acompanhamento é igualmente aprazível, e dá sinais de que será servido novamente em outra oportunidade; só não me perguntem quando; mesmo que eu soubesse, não diria ainda que um cinísio halterofilista me ameaçasse.

    O que temos de particular neste quarto livro, é o modo lépido e consistente com que o autor aborda a corrupção, e se embrenha nas suas causas expondo a sordidez como algo arraigado no cotidiano de um corrupto, pois mais do que a ganância, é necessário haver o completo desdém para com a vida alheia para alguém se corromper. Boas intenções não resistem à primeira vantagem ganha de modo torpe. Isso inclui a forma didática e eficaz como ele mostra a formação de um monopólio, baseado em um problema que o próprio corrupto ajudou a formar. Qualquer semelhança com a política brasileira NÃO É mera coincidência! Renato tem se indignado de modo contundente, nos últimos dois anos, em uma seriedade em que ele quase não se faz reconhecer.

    O mais interessante, é que esses quatro livros compreendem o tempo de pouco mais de um ano. Daí não é de o leitor se espantar com o tamanho e a quantidade de arestas ainda por aparar, que todos os personagens têm uns com os outros. A coisa é muito recente, compreendem? Eles não conhecem todos os defeitos dos parceiros de ordem, ainda há muitas esquisitices para cada um revelar aos outros e, diga-se de passagem, vocês não devem cair na armadilha de acreditar que já conhecem o senhor Augustos Máximus Khosta. Saber que ele é um baita nó cego e um grandicíssimo safo, é tudo a que vocês podem se apegar.

    Outro tempero próprio deste livro, é que o amor está no ar. Não só a paixão complicada entre uma freira nórdica e um príncipe misterioso, mas a coisa pega fogo... ou quase... bem, em dados momentos, pega fogo mesmo, mas podem tirar seus pégasos da chuva, não é nada impróprio para menores. Seus mentes poluídas!

    Em alguns momentos, parece que um caso vai se resolver, que um ou dois vão se entender com os pares, mas a coisa fica na promessa. Não de graça, é claro, afinal os figurantes querem seus cachês! O costumeiro gancho que Renato sempre dá para o próximo livro, neste foi replicado várias vezes. Há personagens antigos que não davam as caras há tempos, há personagens novos que deixaram marcas cordiais em suas curtas aparições, em ambos os casos eles ainda têm o que fazer nesta saga, e podem reservar seus exemplares do quinto livro, porque eles serão importantes.

    Como sempre, claramente auxiliado pela primeira dama da magia brasileira, Renato nos dá algumas lições que, façam o favor, não me digam que vocês não notarão! Eis algumas:
  • Às vezes as aparências não enganam! O que (ou quem) parece ser ruim é realmente ruim, mas quase sempre esconde o seu pior para quando for dar o golpe, então não meça prudência se precisar lidar com gente assim;
  • A diferença básica entre um parlamento e uma arena de luta, é que o lutador se apresenta quando vai dar o golpe, o parlamentar se apresenta quando o golpe já foi dado;
  • Não superestime sua capacidade, não importa o quão grande seja, de reconhecer o perigo. Sempre haverá alguém mais perigoso e experiente do que você, e vai te enganar direitinho! Tenha sempre um pé atrás e um punhal oculto para se defender;
  • Nunca tente completar, por falar nisso, o que o outro está tentando dizer. Em vez de ajudar, pode deixar o outro mais nervoso e atrapalhar ainda mais o seu julgamento. Ajude, se for necessário, mas não tente fazer por ele o que só ele deve fazer;
  • Os motivos do outro, especialmente se for um pai de família desesperado para não perder sua casa! Por mais baixo que ele PAREÇA estar descendo, o facto consumado pode ser o exacto oposto do que você está pensando;
  • O fanatismo não desaparece se seus fundamentos forem proibidos, pelo contrário! Uma população desprevenida e crente de seu desaparecimento, é incapaz de evitar que ele se ramifique; então não reclame dos idiotas se mostrarem como são, nas redes sociais, incógnitos eles são mais perigosos;
  • SEMPRE, mas SEMPRE MESMO, desligue o corrector automático do Office! Ele não sabe que não precisa colocar todas as palavras de uma oração na mesma concordância em que uma das trezentas foi colocada! Ele é burro!
    Sem mais, meus queridos, é mais uma obra literária de entretenimento com boas lições morais enxertadas, digna do nosso bom amigo! Eu recomendo!

    Agora só mais uma coisa... De onde surgiu em minha cabeça, a musiquinha irritante e TOTALMENTE SEM NOÇÃO "Shokozug! Shokozug! Shokozug! A fada do amor!"?

14/11/2017

O que o operário faz?

Disneyland 1950-60s
    Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Ford, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1. Bolo de mandioca;
  2. Garrafa térmica;
  3. Automóveis;
  4. Não faz idéia do que sai na ponta da linha de montagem;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Embraer, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1. Televisores;
  2. Roupa de inverno;
  3. Aeronaves;
  4. Operário não sabe o que está fabricando;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Estrela, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1.  Tijolos furados;
  2. Cerveja;
  3. Brinquedos;
  4. Quando me aposentar vou até o fim da linha e vejo o que é;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Erlan, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1. Microprocessadores;
  2. Chapa de aço cromo-níquel de alta liga;
  3. Doces;
  4. Empregado não precisa saber o que está fabricando;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Toshiba, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1. Dentadura;
  2. Revistas pornô;
  3. Aparelhos electrônicos;
  4. Só quem sabe é o patrão;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Malwee, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1. Vidraria;
  2. Discos de vinil;
  3. Roupas;
  4. Se eu soubesse eu seria burguês;

     Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma cozinha do Habib's, o que diria às pessoas que ajuda a preparar?
  1. Barcos;
  2. Baterias de íons de lítio; 
  3. Comida;
  4. Operário simplesmente vende sua força de trabalho;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego nos estúdios Disney, o que diria às pessoas que ajuda a fazer?
  1. Seringas de injeção;
  2. Alho poro;
  3. Filmes e programas de televisão;
  4. Desde quando operário sabe até mesmo onde trabalha?

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue ingressar no exército, o que diria às pessoas que ajuda a fazer?
  1. Cerimonial de debute;
  2. Música ruim para cantores "cool";
  3. A defesa do território nacional;
  4. Empregado só bate ponto e nada mais;

    Tens certeza? Ok, então vamos à próxima questão. Se alguém consegue um emprego em uma linha de montagem na Rolex, o que diria às pessoas que ajuda a fabricar?
  1.  Preservativos;
  2.  Biquínis;
  3.  Relógios
  4. Vou pedir ajuda aos universitários, que sabem menos do que eu;
     Tens certeza? Ok, então vamos à última questão. Se alguém consegue um emprego na NASA, o que diria às pessoas que ajuda a fazer?
  1. Gravações infames para carros de mensagens ao vivo;
  2. Mapa astral;
  3. Exploração espacial;
  4. Ah, cansei, você não é intelectual como eu. Adeus!
    Salvo em ditaduras extremamente fechadas, que escravizam seu povo, um operário sabe sim o que está fabricando e o que sairá  na ponta da linha de montagem. Em alguns casos, sabe até mais do que o CEO da companhia. Em última instância, é só ler o contracto de trabalho, ele diz exactamente o que a empresa faz. Essa discussão foi inventada por quem não sabia do que estava falando, ou queria confundir quem jamais pôs seus pés em uma fábrica.

06/11/2017

Uma coisa sobre o amor

1940s

    Vamos deixar logo de cara a verdade, tu não levas absolutamente nada de quem amas. Mas nada mesmo! Essa coisa aí, entre as suas pernas, meus amigos, não é amor, na melhor das hipóteses é expectativa. Não, eu não quero saber de definições dadas por intelectuais, philosophos famosos e artistas cultuados; a maioria deles também não sabe o que é o amor. Não sabe e, em não sabendo, sofreram e os vivos ainda sofrem pelo que pensam que sentem.

    Digo sem medo de ferir, porque melhor para a alma é um ferimento pontual do que uma chaga cultivada em campos florais: amor é aquilo que tu dá pelo outro, não necessariamente ao outro. Explico, dois pontos:

    Essa coisa egoísta e possessiva que faz o corpo tremer, tender a correr e agarrar, agredir quem se puser no caminho e tudo mais, é conseqüência de reações ho

rmonais que trazemos desde a origem de nossa espécie, e serve tão somente para garantir a perpetuação de sua linhagem genética. Os cuidados que a maioria e nós sente que tem obrigação de dispensar aos rebentos, é subseqüência disso. Na natureza, assim que o filhote consegue caçar sozinho, o risco de ele se tornar persona non grata no bando é muito grande, até porque ele provavelmente não vai mais enxergar seus genitores como "pai e mãe", um será o potencial parceiro de cópula e o outro o concorrente; ou talvez ambos sejam concorrentes, acontece.

    É assim, onde o impulso hormonal impera. Os adultos não se importam com o que vai acontecer ao descendente, assim que ele tomar seu rumo, e é bom para ele que nunca mais se cruzem, alimento na natureza é escasso. Fora do universo dos mamíferos, quase todas as espécies são assim, inclusive as plantas.

    O comportamento altruísta para com a prole, às vezes até com conhecidos não consangüíneos, pode ser aprendido, para que a pessoa tenha aceitação social e aumente suas chances de sobreviver até a morte natural. Neste caso, é uma construção social. Mas no caso das pessoas que realmente se importam com os outros, mais numerosas do que a imprensa faz parecer, às vezes se contraria a posição da família ou do grupo, para ajudar a outra pessoa. Claro, também há os que fazem questão de contrariar e provar que não cederam à "construção social", mas esse é outro caso para outro texto, caso de bobos que foram placidamente montados por quem berra a todo pulmão que a sociedade é uma montagem. Vamos ao que interessa aqui...

    O que basicamente diferencia a atitude de amar do mero impulso passional, é querer o bem do outro, ou do grupo, mesmo que lhe doa muito; e às vezes mesmo que doa ao outro. Pelo bem do outro, infelizmente muito mais freqüente do que gostaríamos, é necessário deixar que ele padeça até certo ponto, para ele compreender o erro que cometeu.

    O que faz o apaixonado? Tenta encher o outro de prazeres e facilidades a qualquer custo, mas qualquer custo mesmo! Se faz de servo, mas exige magistralmente reciprocidade dessa paixão, muitas vezes de forma asfixiante, mesmo que o pagamento seja noutra moeda; como um masoquista que se apaixona por um sádico, por exemplo... caso de muitos, mas muitos casais, quase todos inconscientemente. A paixão te cega para absolutamente tudo o que o outro fizer de errado, desde que não frustre as tuas expectativas, porque se o fizer, meus amigos, a paixão se volta contra o objecto de desejo e se torna o ódio mais estúpido. É assim que acontecem os "crimes passionais", que absolutamente nada têm de amor, mas tão somente desejo e sentimento de posse.

    Caso não consiga destruir o antigo "amor", aquele que por contracto hormonal deveria satisfazer a todas as suas expectativas, uma rixa que pode durar décadas, até séculos, pode colocar duas famílias em pé de guerra, como foi o caso até recente das famílias Alencar e Saraiva. E AI de quem estiver no meio do fogo, a paixão é cega e insaciável, para o mal e para o pior! Porque a simples recusa de um caso rápido, pode desencadear um ódio tão intenso, que matar se torna a única razão de viver do que foi frustrado.

    Isso não é amor! É preciso muita maturidade e, quase sempre, muita serenidade para deixar o amor crescer. Às vezes é preciso até mesmo se ferir, porque assim a ira hormonal se volta contra o ferimento e deixa o outro se revelar como é, para o indivíduo discernir se existem afinidades suficientes e sincronia para que esse amor tenha uma potencial relação a dois para cultivar. Isso vale tanto para uma pessoa, quanto para um grupo ou mesmo uma causa; só muda o foco, é amor do mesmo jeito. Bonito? Talvez não, quem ama o feio sabe que é feio, não o ofende e não romanceia a aparência, mas trata com amor do mesmo jeito.

    Acontece, maus amigos, que uma relação precisa ser renovada de tempos em tempos, algumas até continuamente. Não, nada a ver com aquelas demências televisivas de "loucuras por amor"! Eu já disse, o amor demanda muita serenidade e muita maturidade, características que não dão espaços parra arroubos exibicionistas. Eu tenho experiência no caso, mais do que quase todos os que me cercam imaginam, bem como base científica de décadas de convívio com psicoloucos, digo, psicólogos.

    Infelizmente, nem todas as relações são renováveis. Infelizmente em termos, porque nem todas foram feitas para a eternidade, a maioria se presta para nos dar lições, e é aqui que o amor se diferencia realmente da paixão. O sofrimento dos que amam não tem com o que se retroalimentar, duram enquanto a dor da separação durar e depois passa, sem com isso privar a pessoa de tocar sua vida. Talvez, se a separação for uma perda traumática, dure muito tempo, mas a pessoa não alimenta a dor, ela tenta atenuar até eliminá-la, para continuar vivendo e, principalmente, não tenta fazer os outros ao seu redor sofrerem também.

     Às vezes, bons amigos, a única coisa que se pode fazer por quem se ama, seja uma pessoa ou um grupo, é ir ou deixar ir embora. A tristeza se origina mais naquilo que ainda queríamos fazer pelo foco do amor do que pela separação em si, sejamos francos; todos fazem expectativas, por mínimas que sejam, inclusive eu. Esperar poder participar de algo com alguém, por banal que pareça, é uma expectativa. O que diferencia o apaixonado do que ama, é que este se recusa a vampirizar a vida do outro e o deixa partir. Às vezes o outro nem sabe, às vezes só desconfia, mas para o que ama a chance de esse outro (ou esse grupo) estar bem a longo prazo, é suficiente. Molham-se alguns lenços, talvez até um início de depressão, todos somos humanos, então se retoma a vida, ainda que aos poucos.

    Aqui, meus queridos, vem a diferença estrutural mais gritante: O amor liberta! tanto quem deixou ir quanto quem foi. E num dia qualquer, em um reencontro, ainda que um rubor denuncie, haverá sorrisos. Dependendo do que aconteceu, ou o que ficou por ser conversado, haverá risos. Porque sem os grilhões da obsessão, a tolherem seu desenvolvimento, ambos terão crescido. Apenas não faça expectativas, não caia nessa armadilha, mas esse hipotético reencontro pode ter sucedido o hiato de que uma renovação perene necessitava para acontecer.

Só o amor vale à pena

11/10/2017

O Saci vai sim!

 
    - Saci!
    - Aí, Drácula!
    - Tudo em riba, meu irmão?
    - Só beleza! Me preparando pra viagem...

    Alguns longos segundos de espera pela próxima mensagem, incomodam o brasileiro. Drácula não é de fazer rodeios, algo está errado. O conde começa a digitar, desiste, retoma a digitação...

    - Então, Saci, é sobre isso que quero te falar... Estamos sendo processados...
    - Uai! Por quê?
    - Estão nos acusando de nos apropriarmos de você, da Mula sem Cabeça, da Iara, do Boitatá, enfim, de todo mundo dessas matas aí.
    - Que trolha é essa, conde? Explica isso direito.

    O romeno radicado em Los Angeles, manda a imagem bem nítida do documento, que o acusa e aos demais monstros setentrionais, de corromperem e se apropriarem da cultura das florestas. Saci lê, começa a anotar nomes, então começa...

    - Meu, vou falar o que penso a respeito, mas vai ser meio longo, então espera eu terminar tá.
    - Tá, pode começar.

    - Pra começar, eu não pertenço a ninguém @#*!!! alguma! Saci não é bibelô de faculdade, não tem dono! Você se lembra bem do que o Lambão fez com o último que tentou aprisionar ele! Sou um elemental, eu não tenho fronteiras, não tenho país, não tenho vínculo algum com nenhum lugar específico. Eu vou pra onde eu quiser, quando eu quiser e volto SE eu quiser. O facto de terem me incluído na cultura brasileira, não me prende ao Brasil. Minha aparência pros humanos é resultado do que eles mesmos plasmaram, saca?

    Então! Você ainda pode se considerar com um gentílico, nasceu e morreu na Transilvânia, mas eu sou um elemental, nasci numa outra dimensão. Eu não tenho gentílico. Será que esses palermas aí sabem o que é um elemental? Mas saber mesmo, bem além das classificações preconceituosas de quem vê tudo abaixo da cintura, como se a gente fosse só uma lenda para ser pregada na parede e jamais ser tocada por estrangeiros! A gente não é isso, a gente vive, e ser vivo não pode ser preso por causa de preconceitos de quem se diz combatente deles!

    Nenhum de nós conversa com eles! Sabe por quê? Porque eles são arrogantes. Debaixo daqueles discursos bonzinhos, eles não aceitam quem pensa diferente. Não aceitam nem que exista quem pense diferente! Por isso a gente evita esses caras e por isso eles não sabem que existimos... e a gente nem sente falta. Eles nem sabem das próprias existências! Eles se acham os salvadores da humanidade, da natureza, da cultura do diabo vestido de saia! Na prática não fazem @#**!!! nenhuma na vida, além de tagarelar e encher o saco! Nem tem graça sumir com as coisas deles, porque logo pedem outro de presente e ganham na hora, então nem pra isso servem! Pra lugar chato, saci não vai... quer dizer, vai pra trolar, rá, rá, rá, rá, rá, rá, rá, rá!

    Falam de invasão estadunidense (como se eles fossem chamados de republifederenses) como se vocês todos fossem americanos! Quem lê uma coluna de jornal, sabe que não! Eles não sabem de onde vem o halloween! Nem sabem pra que serve! Falam de união de culturas milenares, mas quando quem eles odeiam junta todas as tradições milenares numa única festa, vêm com ataque de frescura!

    Fica de boa aí, Drácula, é com a gente que estão contando pra unir os povos, porque os "politizados" querem mais é despedaçar os territórios dos países e isolar cada micro cultura em seu acre territorial. Confirma todo mundo da minha turma aí, a gente vai e ainda vai levar muita comida!

    - É muito bom ler isso de você, Pererê! Mas, e essa histeria, como estão lidando com isso?
    - Não sento em formigueiro, então o que vem de baixo não me atinge.
    - Rá, rá, rá, rá, rá, rá...
    - Eu não esquento com isso!
    - Eu não acredito que chamaram você de "Pequena lenda afrodescendente com limitação de mobilidade"!
    - Me chamaram de quê?
    - Ah, desculpe, isso está na outra página, esqueci de te mandar... Aqui...
    - "Parem de repetir a imagem de 'negrinho divertido' de nossa pequena lenda afrodescendente com limitação de mobilidade".... Isso me ofendeu... tô bravo! Não é porque eu apareço como um garoto perneta, que sou deficiente... Vou mostrar pra eles o que eu realmente sou, depois a gente conversa... Vai ter Halloween sim! E o deles vai ser antecipado!

    Coisas estranhas aconteceram no auditório da faculdade, naquela mesma tarde; depois no ambulatório, onde alguns foram parar.

16/09/2017

Aurora tempo de ouro

   
1918
Aurora chega à escola imaginando o que poderia ter ocorrido. Os filhos não reclamaram de nada, não apareceram com nada estranho, não tiveram qualquer mudança de comportamento, nem mesmo reclamaram dos colegas. Chega e espera, como se tivesse a vida inteira para amassar seu derrière naquela cadeira sem ergonomia. Finalmente é chamada. Os cumprimentos de praxe, as perguntas de praxe, o "praxeamento" de praxe e a pedagoga vai ao assunto, após enrolar muito...

    - Mãe...
    - Aurora! Aurora Finotti!
    - Nosso corpo docente tem estado percebendo que seus filhos têm estado demonstrando assuntos estranhos à grade curricular. É como se como se eles estivessem estando aprendendo por outros métodos, enquanto didática e conteúdo, que não o que lhes é repassado ao nível de aprendizado, por nossos professores e nossas professoras.
    - Eu reforço o aprendizado deles em casa. Algum problema?
    - Mãe...
    - Aurora!
    - Eu estou estando compreendendo enquanto pedagoga, seus temores enquanto mãe, mulher e agente social empoderada em nosso sistema patriarcal, pelo que seus dois pequenos cidadãos em situação de menor idade possam estar estando aprendendo. Mas devo estar assegurando que não não fundamentados, visto que nosso corpo pedagógico é altamente capacitado dentro da visão neorrelativo-construtivista-arcano-freiriana. Pode então, Mãe...
    - Aurora - interrompe já sem muita paciência.
    - Pode estar estando se atendo ao seu papel assumido perante a sociedade, aos normalismos, à construção arquetípica e expectativas de seu meio. Deixe conosco a educação e o engajamento para a orientação enquanto educadores, nós somos capacitados e titularizados enquanto acadêmicos. Suas boas intenções, ainda que nos toquem, podem vir a estar causando desvios de aprendizado aos pequenos estudantes, dissonando seu nível e padrão de aprendizado junto aos demais do corpo discente de nossa instituição. É dever do professor, enquanto educador subordinado ao corpo pedagógico, transmitir e discutir o conteúdo formal e legalmente reconhecido, para um aprendizado pleno e libertador de nossa grade curricular. Para tanto, é necessário e imperioso que eles estejam nivelados e não constranjam os coleguinhas, que certamente não recebem em seus lares essa complementação.
    - Eu ainda não entendi o porquê de ter me chamado. Qual o problema?
    - Mãe!
    - Aurora - levanta o tom!
    - Você, em sua ingênua tentativa de ajudar, desconhecendo toda a ciência teórica e retórica que permeia o cabedal de nossa titularidade acadêmica, enquanto cidadã e mãe, tem estado estando prejudicando o desenvolvimento escolar e a integração social, causando desconfortos ao nível de desigualdade perante à comunidade estabelecida.
    - Onde, como e quando meus filhos constrangeram alguém?
    - Não se trata de constrangimento, no literal jargão a que se refere, mas demonstrações de, por assim dizer, desconformidade que dificultam o controle do andamento do aprendizado.
    - O que eles fizeram, por exemplo?
    - Por exemplo... Bem... Falaram algumas coisas que não podem ser provadas, como coisas que, veja que imaginação, teriam ocorrido na segunda guerra, fazendo os aliados parecerem bons...
    - Se estiver se referindo ao relacionamento entre os soldados, tudo o que eles disseram eu lhes repassei. Meu avô era pracinha e lutou na Itália, ele me contou tudo o que testemunhou.
    - Com que respaldo acadêmico alguém pode dizer algo que professores da área não dizem?
    - Você não ouviu o que eu disse, ou saberia que ele foi pracinha, um expedicionário, ele fez parte da FEB. Ninguém contou, ele simplesmente participou do processo e do resultado da segunda guerra mundial.
    - Mas mãe...
    - Au-ro-ra! Eu não sou uma pessoa genérica, tenho nome próprio!
    - Agora estou estando entendendo! Sua demonstração de individualismo e apego aos títulos sociais, enquanto integrante de uma elite, explica a não integração plena a nível de subordinação dos dois pequenos cidadãos em situação de menor idade. Tudo o que ensinamos aqui, ao nível de instituição escolar, é proveniente das universidades mais conceituadas, a nível de preparo acadêmico progressista e libertador das amarras da sociedade castradora...
    - A senhora quer dizer de uma vez por que me chamou aqui? Se acha que o facto de eu ensinar em casa aos meus filhos, aquilo que eu decidi que eles devem aprender, é prejudicial ao trololó pedagógico de vocês, então a solução já está posta na mesa; vou daqui mesmo procurar outra escola. E não é só história que eu ensino, gostem vocês ou não! Eu ensino tudo o que considero importante, até o que não está na grade. É meu dever, eu sou mãe deles.
    - A criança não pode estar sendo propriedade da família, ela deve estar estando pertencendo à sociedade que estamos construindo! A função da família é exclusivamente estar estando custeando o desenvolvimento físico, não interferindo no desenvolvimento intelectual e moral...
    - Meus filhos não pertencem a ninguém! Muito menos a intelectuais de ar condicionado como você! Agora vi que preciso mesmo de outra escola!

    Retira-se sem dar mais importância à pedagoga, que a chama de conservadora, preconceituosa, ignorante, a acusa de abandono intelectual, mas a voz fica mais fraca com o aumento da distância. Por fim tenta chamá-la de volta, gritando "Mãe" e ouve "AURORA, CACETA"!

05/08/2017

Surrupiadores astrais; paródia

Art by Solda

Woooooo...

Um hotel seis estrelas pois estou mais rico
E um bando espreita querendo um bico
Todas as verbas e outras mais
Propiciam desvios demais

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

Um solene desdém ao que o povo opinar
Sempre foi obrigado a me sustentar
Eu fiz a lei e faço outras mais
Para ter privilégios mais

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

Um cargo que é titulo nobiliárquico
Salvou meu pescoço bem rápido
Hoje temo não me safar mais
Vou pois jogar sujo bem mais

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

O poder é uma forte droga mas aqui eu fico
Mando matar quem tentar tirar isso
Todas as tramas e outras mais
Propiciam desviar mais

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

O verme pleiteia a urna cheia
O verme pleiteia a urna cheia

Toma lá da cá, toma lá da cá, toma lá dá cá
Toma lá dá cá, toma lá dá cá...

A seguir, a versão original da música... para não revirar mais seus estômagos com a realidade...
 

01/08/2017

Querida Cadillac

    É com carinho e uma leve dose de preocupação, que redijo esta crítica. Não questiono suas qualidades ainda vigentes, tampouco sua renomada e versátil capacidade técnica, longe de mim! Meu descontentamento é com sua reincidente ociosidade de potencial; inclua-se aqui a perda aparente da lendária ousadia, de que hoje se servem os "luxorollas" petulantes, que almejam ser seus concorrentes. Eles aprenderam rápido, mas cento e quinze anos de experiência não se conseguem na faculdade. Ser ousada e manter o bom gosto é para quase ninguém. É para você!

    Peço com apreço que não corra o risco de ficar embaçada como sua irmã, que Leland fundou com o mesmo carinho dedicado a você, para que fosse sua real concorrente e até sua parceira de aprendizado, mas perdeu completamente o viço de outrora. Sua triste irmã foi convencida a termo de que seus carros eram exagerados, até impróprios para os tempos vigentes; algo que os ingleses provaram ser inverdade. Ela apequenou-se neles e, logo em seguida, a si mesma, desaparecendo no mar de concorrentes apelativos que surgiram nas últimas décadas, a ponto de hoje não ter mais a mais remota ligação com o que justificava sua existência, que era ser sua contrapartida. Ela nem mais sabe ao certo quem é, está acanhada, tentando se reencontrar.

    Não quero isso para você. Não quero que suas tentativas de retomar a glória dos anos dourados, se dêem em vão, mas para isso você precisa, minha querida, voltar a se comportar como você mesma. Você não é uma moça na multidão, com roupas de grife cara cortadas segundo os ditames da moda, maquiagem seguindo as tendências, trotando pelas ruas como essas modelos modernas. Não, Cadillac, você não deve se reduzir a essa escassez existencial. Você é grande demais, é maior do que sua estrutura de revendas, do que suas fábricas, maior até do que a companhia de que faz parte. Você é a estrela da companhia, é o norte dos engenheiros, é de você que dependem os progressos de todas as outras marcas que te acompanham, quiçá mesmo de algumas concorrentes.

    Desde 1902 a multidão é que some à sua presença, não deveria ter deixado de ser assim! Seu porte altivo, quase arrogante, mas de modos afetuosos com os que leva consigo, ignorando mesmo as pistas mais mal acabadas, destemida e confiante é que se destaca e ofusca tudo ao redor. Não perca isso!

    Você não segue modas, minha querida. Você é muito mais significativa do que elas! Você lança modas, e as modas que você lança nunca saem de moda, não se importe com as maledicências dos despeitados que pregam o azedume e a vulgaridade, eles mentem para si mesmos a fim de justificarem suas existências supérfluas! Sua existência, Caddy, ela sim é necessária! Foi por sua causa, após um luto amargo pelo desfecho trágico de um acto de cavalheirismo, que as pessoas aos poucos não corriam mais o risco de quebrar um braço ou até morrer, tentando dar partida no carro com uma manivela. Você salvou tantas vidas, que nem se pode calcular quantas! Só por você existir!

    Suas maquiagens sempre foram harmônicas, mesmo quando por contraste, com sua compleição avantajada e opulenta. Você não combina absolutamente em nada com a moda vigente de exaltação às doenças da anorexia e da obesidade mórbida. A sua imagem sempre passou ostensiva e subliminarmente a mensagem de vigor e longevidade, de vida longa e próspera. E longevidade, minha amiga, é algo de que você entende muito bem! Seus modelos rodam macio e silentes mesmo aparentemente caindo aos pedaços, mesmo com falhas na manutenção, mesmo apesar do mundo corrosivo no qual esta qualidade os fez adentrar. E como chamam atenção, mesmo cercados de contemporâneos! O mundo suspira, quando você passa! Então é você que deveria continuar a ditar tendências, sem escondê-las debaixo da ficha técnica.

    Mesmo em seus piores momentos, quando parecia que as imitações baratinhas tomariam seu lugar, você nunca descuidou-se de sua elegância! Enquanto as outras se rendiam à maré, você ainda se valia de sua lendária força de vontade para manter-se firme em seu caminho, apesar de cambaleante. Lembra-se? Foi você lançar um modo todo novo no olhar e rapidamente ser copiada, de forma descarada, pelos "luxos" de custo/benefício. O termo "luxo" se manteve em seu comportamento apesar de tudo, enquanto as outras subvertiam e até pervertiam a palavra para se referirem a brinquedos e novidades tecnológicas, estas que sempre e rapidamente migram para classes mais baixas, desvirtuando assim a proposta original. O seu cabedal, pelo contrário, sempre foi o do refinamento, da elegância leve e descomprometida, do toque agradável e da experiência de ter em movimento a maciez de uma poltrona feita sob medida para a sala de leitura.

    Mesmo vindo da nobreza francesa, fidalga de longa linhagem, você jamais foi esnobe com plebeus, pelo contrário! Eles sempre encontraram na Caddy, como passaram a chamá-la carinhosamente, o mais alto padrão sem que isso significasse chamar mão de obra do outro lado do mundo, só para trocar uma tampa de válvulas. Você sempre foi uma abastada humilde! Isto nenhuma de suas rivais jamais se prestou a ser. Já tentou enfiar a mão para trocar uma vela de uma delas? Um horror! Mesmo conduzindo gente humilde, você faz as pessoas se sentirem flutuando, dando a uma classe média a sensação de conforto que as outras só dão aos muito ricos. Não deixe esse legado tão valioso se perder!

    O motivo maior de minha preocupação é que você ainda demonstra sentir as conseqüências dos tempos amargos. Você está mirando baixo, Caddy! Você pode muito mais do que isso! Foi por sonhar cada vez menor, que sua irmã se perdeu. Ela não vai conseguir se reerguer enquanto você não o fizer, porque sempre foi em você que ela se espelhou, como o mundo inteiro se espelhou um dia. Eu sei, há uma rusga continental entre vocês, mas ela foi adoptada por outra família, ela não escolheu isso, assim como você não escolheu a sua.

    Sonhar pequeno ou grande, minha querida, não torna o esforço menor ou maior, só torna maior a frustração de não ter conseguido o sonho acanhado, pois ele parecia ser mais exequível; até a culpa pelo fracasso é maior por ele. Quem se frustra pelo sonho grande, pelo menos tem o alento de suas dimensões e dificuldades, e o aprendizado que grandes sonhos sempre dão; mas nem por isso se deve desistir deles.

    Da mesma forma, a própria fauna automotiva de suas terras provou que seus carros não eram exagerados cousa alguma! Aproveitamento de espaço interno? Ok, é sempre bom se aperfeiçoar, algo que você sempre fez com muita rapidez. Mas não há mal algum em optimizar o espaço de dois por cinco metros, a não ser para os despeitados que não têm competência para fazer cabines realmente espaçosas. Isso você sabe fazer até melhor do que suas correspondentes britânicas, porque exclusividade de classes nunca fez parte de sua philosophia. Exclusividade, na sua cartilha, sempre foi para suas inovações e personalizações.

    Não, minha querida, o mote de que mais é menos não se aplica a tudo. Principalmente se ele significar a infelicidade e a perda de personalidade, ainda mais a sua personalidade tão forte e marcante! Ela faz falta! Muita falta! Sim, eu sei, você voltou a ser distinguida de longe, pelas pessoas, das outras ao seu redor, mas ainda não é aquilo que você sempre foi sem esforço. Você deve, pelo menos nisso, dar ouvidos às suas amigas inglesas e deixar os patetas de lado. Você não é exagerada, eles é que são medíocres! Você é o que você mesma se fez, e nunca deveria ter aberto mão de ser grandiosa e inspiradora.

    O seu público não quer tanto que você supere as outras, quer que supere a si mesma, que deixe de ter e passe a ser a referência. Você não deve se acanhar e oferecer mais do que os outros, deve oferecer tudo o que pode, como sempre foi! Alguns de seus fracassos se deram justamente por isso, por se nivelar por baixo. Deixe a média para a Chevy, é ela que briga bem nessa categoria, ela pode rodar apenas 30 milhas só com as baterias, por agora lhe basta! Deixe o segmento superior para a Buick, porque sua briga no território dela a está sufocando. Ofereça o máximo e o melhor! O seu básico deve deixar o topo dos outros lá em baixo! É isso que você sabe e deve fazer.

   Ainda me lembro quando estive a poucos metros de uma de suas meninas mais simples, a XT5. Esperei em vão para ouvir o suave ruído do motor, porque ela partiu sem sequer murmurarem os pneus! Mesmo ela compartilhando a plataforma com a menina da Chevy! Parecia ser eléctrica! É isto que seu público espera de você! É você que deve ditar onde está o topo, não almejar chegar a ele! É a isso que me refiro quando falo em sonhar grande, porque você sempre foi o sonho maior, mas de uma hora para outra resignou-se a um papel de "premium" que está muito aquém de sua majestade imperial! A Boo é premium! Você é luxo! A única coisa que te impede de voltar a andar lado a lado com a inglesa, é o medo pelos traumas persistentes!

    Quer se inspirar? Inspire-se nela. Você sabe fazer o que ela faz, e sabe fazer em maior volume sem perder o padrão! Lembre-se de que seu norte nunca foi a exclusividade, foi sempre a personalização do cliente, mas sempre dando a gente comum o direito a sonhar com ela. Sonhar com os pés no chão não significa sonhar menor, significa assumir ser a gigante que você é, sair da posição de joelhos e pôr-se de pé, erecta, altiva, encantadora e até intimidadora como nunca deveria ter deixado de ser. A sua cabeça sempre deixou as nuvens para baixo, ponha-se novamente de pé!

    Você não pode continuar a simplesmente brigar com custos, quando há um público que só recorre à inglesa porque você a deixou sozinha no pedestal. É esse público, não os detratores, que paga por você! Quem desdenha seu passado glamoroso não te aceitaria nem que você oferecesse micros de 3 metros! Compreende? Não é uma Cadillac menor que eles querem, eles querem o fim da Cadillac e de toda a era de esperança e abundância que ela representa. Quem te quer, quer em todo o seu esplendor e dignidade. Se a inglesa trabalha bem com um V12, você trabalha bem com um V8. Por que a vergonha? Sua competência sobra para alimentar oito bocas sem deselegâncias!

    Vamos, minha amiga, levante este rosto lindo, dê aquele sorriso triunfante que sempre precedeu de longe a sua chegada e seja você mesma! Ninguém é feliz na medida do possível, da mesma forma como não se é feliz no sonho alheio. Os seus adeptos não querem o sonho medíocre dos que têm medo de se assumirem ocidentais! Eles querem ter e espalhar pelo mundo o que o ocidente tem de melhor! Para eles, ansiosos pelo seu retorno ao trono que lhe é de direito, você é o modelo, o padrão, a meta e o sonho. Pelo menos por eles, Caddy! Faça isso!