29/10/2014

Um crime perfeito


  Aparentemente era uma esposa recatada e submissa, mas todos sabem que dentro de casa as coisas costumam ser um bocado diferentes do que se ostenta nas ruas. Ela se fazia de "levemente" submissa para o marido se encher de confiança e enfrentar o mundo, afinal foi mimado para ser o macho alpha da humanidade e não estava muito preparado para as frustrações. Ela o poupava de todas as que podia, às vezes tomando a frente dos negócios e dando recados indelicados aos malandros que tentavam depenar seu marido. Nada de extraordinário, só coisas de máfia mesmo.

  Praticamente todos os seus caprichos eram satisfeitos pela linda e dedicada esposa. Contra as ordens médicas, fumava à vontade em uma área específica na chácara onde moravam, feita para as crianças não se acostumarem a ver o pai fumando tanto e sentindo prazer nisso. Algumas concessões ele fazia, confiava muito no bom senso de sua adorável esposa. Afinal, ela era sua cúmplice, seu porto seguro, o acalanto onde tinha seu repouso garantido, protegido do mundo agressivo lá fora. Ah, era um casamento muito, mas muito feliz.

  Ela também era uma confeiteira talentosa. Tomava para si, dispensando empregadas, a tarefa de encher a casa com bolos, doces, pães, roscas, bombas, cremes e tudo mais. O casal de filhos podia comer, sim, mas só um pouco. Quase tudo era para seu amo e esposo ter uma alegria a mais na volta ao lar, onde era o rei e assim o tratava.

  E os drinques? Ah, ela poderia abrir um restaurante-bar e ensinar tudo aos empregados, teria casa cheia todas as noites. Sua criatividade, sua vastidão e profundidade de conhecimento, era tudo de cair o queixo! Identificava de cara a qualidade de um vinho, raramente precisando abrir a garrafa. Um uísque que tivesse onze anos e onze meses não passava pelo seu crivo, sabia identificar até a madeira do tonel. Os amigos o invejavam muito, em seu lar eles tinham bebidas que não encontravam em outro lugar nenhum do mundo.

  Não eram só aparências para visitas ou transeuntes, os empregados sempre comentavam o quanto ela conseguia manter a paz e a harmonia daquela mansão, enquanto outros ricos gastavam os tubos para manter as aparências e manter amantes. Ela não, ela conseguia manter seu esposo no cabresto do matrimônio contraído. M\as era um cabresto muito confortável, muito prazeroso, era tudo o que importava àquele homem. Ter muito mais prazeres do que aborrecimentos estava de bom tamanho.

  Mas os excessos de seus prazeres cobraram o preço. Cedo ou tarde eles sempre cobram. Os abusos alimentares lhe causaram disfunções graves no tubo digestivo, rapidamente evoluindo para uma úlcera muito importante. Também os níveis de açúcar e gordura no sangue começavam a ficar mais altos do que se poderia controlar. Não demorou muito para precisar de intervenções medicamentosas para conseguir fechar qualquer ferida cotidiana, pois o corpo já não o conseguia.

  Paralelamente o fígado começou a falhar. Os prazeres etílicos, aquelas misturas que só sua amada esposa sabia fazer, também cobravam a gorjeta pelos momentos alegres que ofereceram, pela alienação conveniente do mundo real que ele tanto buscava em casa. Ela por sua vez, compensava seu sofrimento físico com sexo, muito sexo, que o ajudava a tolerar com facilidade o sofrimento físico que seus vícios lhe renderam.

  Ele começou a falhar e temer por isso, mas ela sempre lhe dizia "Até que a morte nos separe, meu esposo" e ele ficava tranqüilo. Ela sempre revigorava seu orgulho masculino e ele sempre se sentia à vontade para dar escapadelas dos tratamentos complexos que fazia. Era seu amo e esposo, como prometera que seria, e suas vontades eram sempre satisfeitas, a qualquer preço.

  Certa manhã, porém, ela berrou por cada morador da mansão. Todos os empregados se apressaram em ir acudir sua generosa senhora, que tantas vezes os socorrera em situações que nada tinham a ver com os assuntos do trabalho. Diante dos filhos, empregados, irmãos do esposo e advogados, ela teve a trágica notícia do inevitável. Falência múltipla de órgãos. Estava praticamente cego e impotente, quando morreu.

  Todos eram testemunhas de sua dedicação, de quantas noites perdeu cuidando dele, após tomar conta dos negócios. Todos eram testemunha de sua lealdade, de ter transformado o matrimônio em um sacerdócio. Todos sabiam o quanto ela era forte, que depois do luto conseguiria levar a vida e criar os filhos. Tinham certeza que aquela mulher que tanto admiravam sairia deste luto de cabeça erguida e passos firmes, pronta para mais tarde, quem sabe, fazer algum sortudo se sentir um deus.

  Mas as coisas não eram assim tão bonitas. Em seu coração, só ela sabia o que realmente havia por detrás de tudo. Não o deixou viciado nos excessos de prazeres por amá-lo, pelo contrário, o odiava tanto que se tornou insensível à sua presença e aos seus toques. Ao lado do caixão, momentos antes da cremação, sozinha, fingindo rezar...

  _ Queime no inferno, filho da puta! Tudo o que você sofreu foi pouco, eu queria ter prolongado sua agonia por mais cinco anos, mas desgraçados como você são sempre fracos mesmo! Você não sofreu nem metade do que minha mãe sofreu após ter matado meu pai, só porque ele parou o ônibus e não te deixou furar o sinal, seu vagabundo! Vou com prazer pro umbral, sabendo que sairei de lá muito antes de você, porque não me apeguei aos valores baixos que sua gentalha amaldiçoada apregoa debaixo do pano. Agora eu sou a dona de tudo, vou levar meus filhos e minha mãe para morar em San Francisco, como o meu pai sempre sonhou. Já você, vou jogar suas cinzas no aterro sanitário, cachorro infeliz. Agora eu vou ter um marido, você foi só um alvo do meu ódio.

  Se levanta, autoriza a cremação e cumpre com tudo o que disse que faria, e tudo o que disse se realiza.

18/10/2014

O destino de Catharina Roque


  Ele chega com a filha ao prédio, um casarão dos anos quarenta que estava para ser demolido, quando uma mulher maluca fez uma oferta por aquele mocó gigante. Com ajuda de voluntários, ela reformou e deixou como novo o imóvel, encheu os jardins com flores e árvores frutíferas e, não bastasse isso, transformou em praça o lote baldio ao qual a prefeitura se recusava terminantemente a dar destinação. Quase trinta anos passados desde então, a praça foi oficializada e batizada com o nome de um vereador qualquer. O facto é que as casas ao redor e próximas não demoraram muito a ter os mesmos cuidados.

  É tudo muito bonito, muito bem organizado, muito calmo e o clima muito aprazível. Não parece que estão na São Paulo que já sofre com as conseqüências das décadas de impermeabilização. O portão está aberto, a escola de pedagogia estranha está em pleno funcionamento, mesmo nesta tarde de sábado. Os dois entram, ele emocionado, toca à filha a função de pedir informações e tratar do assunto. Ainda hoje lhe dói ter lido "Dona de escola é agredida por radicais de igreja" em um jornal. Quase chorou quando viu o nome da vítima, porque hoje ela é uma anciã, deve ter mais de oitenta anos. Se bem que ele em seus setenta não é mais aquele garotinho que desafiava colegas para brigas atrás da igreja.

  A escassez de formalidades está em todos os cantos, embora isso não signifique carência de disciplina. Lembra-se bem, o bom comportamento e o excesso de felicidade que ela conseguia em sua turma, era demais para as encruadas que exerciam indevidamente a profissão de professora. Quando ela se foi, por não poder mais ensinar como fazia e para assumir seu amor, sua turma começou a evadir e os poucos que ficaram pareciam ser gênios perto dos outros alunos, porque tinham aprendido a raciocinar e tinham fome de conhecimento. As aulas passaram a ser não só enfadonhas, como irritantes, ele chegou a ser expulso de sala por ter gritado com a professora e a chamado de imbecil.

  O tempo provou que sua linda professora estava certa, com o frescor pedagógico que havia levado à cidade. era uma lufada de ar fresco em uma cidade que não dava perspectiva nenhuma aos seus jovens. Mas era tarde e ninguém mais teve coragem para fazer as coisas do jeito certo, só seguia o roteiro medíocre de uma grade pífia. Hoje ele volta a ver crianças aprendendo aritmética estudando geografia, certamente caprichando na caligraphia e na boa gramática. Pela janela do corredor vê crianças aprendendo biologia no meio do jardim, enquanto desenham e fazem anotações, aprendendo mais e melhor vários tópicos ao mesmo tempo, como era com a sua turma.

  Ele tem uma ligeira queda de pressão quando vê uma moça com vinte e poucos anos saindo do pequeno teatro com seus alunos. Decerto que não é ela, mas é ela esculpida em carrara. Balbucia "Professora Catharina" um pouco alto demais para um simples balbuciado e ela ouve...

- Oi, boa tarde. Estão procurando a minha avó?

  A filha do ancião explica a situação, conta um resumo do que sabe da história e a jovem professora não se agüenta...

- PACHEQUINHO!! Meu Deus, você existe! Minha avó não pára de falar de você! Vó!

  Ela pede que a turma vá para a sala e entra em outra, onde se demora pouco e de onde sai com uma anciã. É ela, aqueles trejeitos não têm similar. Os olhos serelepes e gulosos o analisam do ápice à base, detrás de óculos de cuja armação não sabe contar as cores. Apesar das marcas do tempo, todos os traços que conheceu na infância estão lá. Ela pisca um olho, faz um sorriso torto e debochado e corre para o abraço. Está mais ágil e lúcida do que seu ex-aluno. Ela os leva para sua sala, que mais parece uma sala de estar, e começa a falar, contar dos bastidores de sua fuga da cidade, a vida que enfrentou depois, a viuvez ainda jovem e as dificuldades para criar os três filhos. Só o que não perdeu com as escolhas que fez, foi a coragem. Apesar de tudo, de nada se arrepende. Mas fala puco de si, pergunta por ele, pela moça bonita que o acompanha, quer saber tudo.

  Ele conta uma história mais triste, com menos coragem e mais tragédias. Arranca algumas lágrimas da ex-professora com relatos de mortes trágicas, de ex-professoras que enlouqueceram e viraram prostitutas, da turma que há uns sessenta anos não vê. Mas também fala da família, esposa, os três filhos encarreirados mais a temporona que o acompanha. Todos encaminhados e tocando suas vidas com dignidade. Fala ainda do início difícil da carreira de psiquiatra em um mercado saturado, dos anos amargos de divã vazio até se lembrar das aulas de sua professora, e as adaptar ao seu trabalho. Foi assim que fez sua clientela e sua fama profissional.

  Ela faz questão de apresentar o psiquiatra à família, toda ela trabalhando na escola, e aos alunos. Quer mostrar a todos o que podem se tornar, se não desistirem se seus sonhos e tiverem coragem de correr atrás deles. Consegue mais dois para o elenco de sua escola. Como queria esfregar isso nas caras daquelas quengas que saíram do armário, mas acha que não vale à pena descer ao inferno só para isso.

11/10/2014

Os Dragões de Titânia, A Dama da Montanha

  Certo, fui lerdo e quem casou já está amamentando o rebento. Lamento, as coisas nunca saem como esperamos, pelo menos para mim.

  A Dama da Montanha é mais uma demonstração do enorme talento do amigo Renato Rodrigues para administrar muitos, mas muitos personagens ao mesmo tempo. Outro enorme talento dele é mostrar que ser louco não significa ser idiota, e vice versa.

  Este terceiro livro da saga mostra uma maturidade já consolidada da trama, prevista para ter quinze livros, por isso cada um pode ter tão poucas páginas, por conseqüência ter custos mais baixos de produção para seu autor. Sim, o número de páginas não é determinante, nada é determinante, mas são mais horas de funcionamento da impressora, mais horas de salário para os montadores, mais caminhões para carregar toda a edição, enfim. Por isso vai uma dica, se a história for muito longa, é melhor dividir em fascículos. Páginas encarecem.

  Já que toquei no assunto, este livro nos mostra justamente isso, que absolutamente nenhum fator isolado determina o desenrolar e o final de uma trama, o que vale também e principalmente para a vida real. O leitor atento e ávido por conteúdo pode se irritar com o jogo de "Wataru é bom! Wataru é mau! Wataru é bom! Wataru é mau!" que toma boa parte do livro, mas a persistência na leitura mostrará que o lorde manequim de funerária tem seus motivos para agir daquela forma. Aliás, todos têm seus motivos para suas esquisitices, como é na vida real e o nosso bom amigo mostra isso com maestria.

  Em dado momento parece que o Renato enlouqueceu, se deixou influenciar demais por séries estúpidas de televisão e colocou tudo a perder. Depois parece que ele ficou preso em um elevador
jamaicano e saiu doidão directo para seu computador, depois ainda dá a entender que se arrependeu e tentou consertar tudo, mas gostou tanto do estrago que resolveu deixá-lo lá mesmo. Mas não é essa zorra que parece. como o Citröen 2CV, que parece ter sido feito de qualquer jeito, mas foi cuidadosamente desenhado para o que se propunha. A trama também é assim, mas só nos últimos capítulos é que o leitor vai se dar conta de quase tudo o que aconteceu. Eu disse "QUASE" porque só nas últimas páginas é que muita coisa começa a fazer um débil sentido, porque os esqueletos só começarão a sair do armário no livro quatro, ainda em gestação.

  Uma característica deste volume é ter sido escrito a quatro mãos. Renato teve a colaboração de sua adorável esposa para escrever um dos capítulos, onde o leitor habitual vai pensar que o rivotril fez efeito contrário. É um manicômio! Dois personagens preciosos dos Dragões de Titânia pensam que estão entrando em um país, mas entram em um sanatório e caem justo na ala dos casos perdidos. Morre de dó das vaquinhas marrons, mas devora sem dó o porquinho selvagem... Sei... Bem, o facto é que nossos adoráveis e cômicos personagens não voltam sozinhos à Titânia, embora ninguém seja visto com eles. Só sei que o amor é lindo!

  Há ainda cenas que seriam proibidas para menores de dezesseis anos, em um ambiente psicodélico de fazer inveja aos anos setenta. Parece, mas ninguém aproveitou a viagem para se servir de cogumelos ardentes, A partir deste ponto, decepções e revelações acontecem, coisas que sozinhas renderiam um livro exclusivo. Esta fase ainda nos brinda com o fio da meada, o que realmente causou toda essa confusão, e mostra que eles estão apenas ganhando tempo, força e aliados para o confronto final.

  O que o livro nos ensina?

  Primeiro que jamais devemos confiar no óbvio. O que nos parece claro e inequívoco a ponto de xingarmos quem não enxergar o mesmo, pode ser uma ilusão, uma armadilha do ego que se apropriou da conclusão que lhe era mais confortável, como a recusa em acreditar que a figura tida como herói não passa de um canalha, ou vice versa.

  Mostra também que o mal mente sempre, que o mal é sempre covarde, que sempre se encolhe quando está em desvantagem. Que aquela frase usada por cidadãos revoltados para os bandidos, serve direitinho para ditadores. Nenhum deve ser admirado, ditadores mentem sempre.

  Mostra ainda o quanto são absurdamente cotidianas e até infantis, as motivações de eventos de grande envergadura, que uma dor de cotovelo pode ser o estopim de uma guerra, um casamento mal sucedido o motivo da busca pelo poder, enfim... Não existem motivações extraordinárias, transcendentes ou sobrenaturais para os vultos históricos, não são nem mesmo razoáveis em sua maioria. O leitor atento vai reconhecer esta e outras lições no decorrer do livro.

  Mostra finalmente, que não existe poder bom ou mau, bom ou mau é quem faz uso dele. E mesmo um poderoso mau pode se arrepender e se tornar bom, mas sem se tornar idiota, que ser bom E idiota é coisa da DC Comics.

  O que me causa estranheza é a semelhança da narrativa do Dom Renatonski com a minha, dá a impressão de que bebemos na mesma fonte, no Norte dos estados Unidos. Conversarei com ele mais tarde. O facto é que eu recomendo, rebebendo e redançando o livro. Exemplares desta edição ainda podem ser encontrados nas lojas de departamento e no site da Linhas Tortas (clicar aqui). Por agora eu aguardo o próximo hospício, digo, volume da saga de OS DRAGÕES DE TITÂNIA.

06/10/2014

E o quociente levou


 A depressão tomou conta do ambiente. Era para ser um dia festivo, até mesmo de alívio pelo êxito de meses de trabalho árduo, enfrentando adversários baixos, com piadinhas e provocações altamente misóginas, alguns até tentaram agredí-la por ter se candidatado.

  Tinham lhe dito que aquilo era jogo sujo, que dificilmente alguém com boa índole conseguiria furar o bloqueio. e mesmo que conseguisse, seria completamente engessada pelos picaretas que só se candidatam tendo em vista dois objectivos: roubar o quanto puder ou se perpetuar nos prazeres do poder a que nenhum ciadão comum tem acesso; quando não ambos.

  Olha para as lixeiras com sua bela esfinge, nome e número estampados, simbolizando sua campanha limpa e ética. Riram de sua cara quando leram seu slogan. Não, não foram os adversários, foram justamente seus correligionários. Foi a única coisa engraçada que ouviram naquela reunião longa, enfadonha e prolixa. Sete horas de discursos para concluírem que todos precisavam se empenhar pelos ideais do partido. Bem, logo de cara ela percebeu que os ideais em questão poderiam ser parcelados no cartão de crédito, mas também aceitavam carro, casa e até uma noite com uma adolescente... E ela viu negociações assim.

  Qual foi a surpresa de todo o partido, quando sua campanha decolou na base da criatividade e competência administrativa! Começaram a vê-la com outros olhos, na verdade passaram a adular descaradamente, para receber respingos do prestígio que conseguiu com o eleitorado. Chegaram a imprimir santinhos conjuntos, o que acabou beneficiando alguns que estavam em baixa. Ajudou a eleger o governador, que estava em uma saia justa por conta de estripulias de parentes.

  Mas aconteceu o que todos temiam. Ela recebeu votação suficiente para se eleger prefeita, mas ficou de fora da câmara federal. Por causa do tal coeficiente eleitoral um zé mané, que se livrou de um processo porque uma das testemunhas morreu "misteriosamente", levou a vaga com um décimo dos votos, tudo porque alugou candidatura em um partido nanico, que vive justo de alugar candidaturas.

  Está desolada. Tão desolada que nem se importou quando o governador, constrangido, a chamou para um canto e disse que todas as secretarias já estavam negociadas. É, "negociadas" desde o início da campanha, quando ainda era motivo de piadas. Ele tentou alegrá-la, prometeu que um dos secretários pretende concorrer ao pleito municipal e então a vaga será dela, até lá teria regalias, vantagens e tudo o que sua preciosa ajuda a fez merecer.

  Parece que até seus centenas de milhares de eleitores a esqueceram, depois da apuração. Que derrota amarga! O fel da perversidade eleitoral amarga até sua genital. Esta, aliás, motivo das dificuldades acima da média. Foi discriminada até por ser "bonita demais para cargos sérios"! Calou todas as bocas, disso pode se orgulhar, mas perder para um analphabeto funcional que quer acabar com os doces de Cosme e Damião, alegando que são coisas do capeta, dói demais em seu coração católico. Ele não vai conseguir mais do que uma bala na testa, se insistir, mas dói assim mesmo.

  Fazer o quê? Pelo menos sua formação em administração evitou grandes dívidas, poderá dar conta das que tem. Palestras, quem sabe, pelo sucesso nas urnas? Vai pensar em algo, mas por hoje quer tirar sua Lambretta da longa hibernação e espairecer. É o que vai fazer, amanhã esquenta a cabeça de novo.

22/09/2014

Desabafo palmeirense

Motivo a mais para o Kanangô surtar e trocar de esporte

Este time é o Palmeiras
Que vergonha faz passar
Os times que a outros goleiam
Não goleiam como lá

É cheio de estrelas
Todas sentindo dores
Ou a pipoca é vendida
Ou só dão dissabores

Vão baladar sozinhos à noite
Para ao  treino se atrasar
Jogadores do Palmeiras
Que vergonha faz passar

Seu passado tem primores
Que já não encontra por cá
Me revoltar, sozinho, à noite
Pelos frangos a entrar
Este time é o Palmeiras
Que vergonha faz passar

Hoje digo adeus, que morra
Não vou mais me envergonhar
Superbowl tem mais primores
Que já não há por cá
Já desisti desse Palmeiras
Que vergonha faz passar

03/09/2014

Psicologia da tristeza por três belas

Choquei vocês? Oh, que coisa... Maravilhosa!

  Fui involuntariamente inserido na conversa entre duas amigas e a filha de uma delas, as três são
psicólogas experimentadas, bem preparadas e as três já viram cair por terra todas a teorias que transformam em coitadinho, qualquer um com um problema sério. Assevero que eu seria um coitadinho de elite, se tivesse me deixado seduzir por isso.

  A conversa girava no tema "desagregação familiar e suas conseqüências". Para quem espera um discurso de fariseus fiscais de bunda, pode esquecer, a coisa foi séria. De lá eu conclui que teremos uma década tenebrosa pela frente, antes de 2025 a humanidade não começa a dar sinais de civilização. O ponto de entroncamento foi a completa falta de criação das crianças de hoje. E não é papo de gente alienada ou saudosista, eu já disse que se trata de um trio de psicólogas muito competentes.

  A mais menina, filha de uma das moças, tocou no assunto de crianças que se tornaram o depósito de desesperos da família. Gente que se apega a um problema ou característica "diferente" de um filho e nesta característica, colocando na criança todo o peso do mundo, ancora todos os problemas que todos os outros enfrentam. O problema é sempre culpa dele, nunca nosso. O caso de um pai que queria que a mais menina das três corrigisse a fala demasiadamente caipira do filho. O problema apareceu quando ela foi falar com esse pai: Chapelão de coronel do interior, olhar soberbo, jeitão de caipira, um gosto arrebatado pelo erre gutural, gestos e tiques de quem se acha o macho alpha da humanidade, enfim... O menino só fazia reproduzir em escala minúscula o que via em casa.

  Noutro "parágrafo verbal" foi o caso de uma adolescente de quinze anos que falava à psicóloga, com jeito de quem exibe um troféu, que fumava maconha, dava para todo mundo e até já tinha abortado, como se dissesse que isso a tornava uma mulher antenada e independente. Essa amiga deu a entender que quase disse "Pena que sua mãe não fez o mesmo". Quando foi falar com os genitores da criatura, foi fácil perceber que a revista Caras sabia mais da fedelha do que a própria mãe, muito mais preocupada em tirar selfies na academia e fiscalizar bunda alheia.

  Os pais estão cada dia mais despreparados, geando filhos ainda mais despreparados do que eles. Ninguém mais repassa aos rebentos suas experiências de vida e seus aprendizados, geralmente porque a maioria passa pela juventude focando apenas o próprio prazer a despeito do que possa custar a terceiros, e assim não aprende absolutamente nada. Quando criam, esperam que o bebê seja um bonequinho com botão de liga e desliga, especialmente para o choro. Quando o petiz aprende a andar, enfiam logo e o mais cedo possível em uma escola para esta cuidar de toda a sua formação. Quando há uma reunião de família ou algo parecido, tratam de se livrar da prole ao menor sinal de problemas, quase sempre com dinheiro ou bens.

  Apesar das poucas e pontuais discordâncias, as três concordavam que falta limites aos adolescentes. Mesmo sem saudosismos nem idealizações, eu as conheço e posso afirmar que elas não têm, afirmaram que essa geração não tem uma figura decente de referência para se espelhar. Para quem nunca lidou de verdade com adolescentes violentos, vou contar uma coisa rapidinho, eles gostam de agredir. Não tem absolutamente nada a ver com  classe social ou revolta seja pelo que for, eles gostam de intimidar e bancar os reis do pedaço. Especialmente quando estão em grupo, eles não dão a mínima para argumentos, só entendem a linguagem da demonstração consistente de poder, como é comum nos povos do oriente médio. Depois de intimidados, então sim eles aceitam raciocinar, antes disso vão te testar até saírem rindo do teu desespero. Falo por experiência própria, precisei ser o cara malvado para impor respeito.
  Adolescentes são naturalmente territorialistas, e se não tiverem limites podem acreditar que qualquer lugar em que estejam é seu território, inclusive a sua casa, caro leitor.

  Voltando à noite de ontem... Não são só os adolescentes que agem assim. Eles ficaram assim porque assim lhes foi permitido ser durante toda a infância, e na fase adulta eles tendem a permanecer assim. Eles vão brincar de ser homens sérios, brincar de trabalhar duro, brincar de ser cidadãos repeitáveis, mas na primeira oportunidade a brincadeira vai descambar para a agressão a algo ou alguém, seja uma coisa, um grupo, uma entidade ou uma pessoa; tanto melhor quanto mais indefesa parecer. Se houver um canalha se aproveitando da fé alheia para tacar lenha da fogueira, então eles se sentem no dever de fazer isso, mas como é uma brincadeira eles não sentirão o menor remorso pela dor e pela perda causadas.

  O ponto vicinal desse jorro de energias travosas, pela conclusão informal, é a vontade de se poupar de todo e qualquer desconforto a qualquer preço. Sentiu uma dorzinha mínima de cabeça? Larga tudo, atravessa a cidade se for necessário para tomar um analgésico, e compra logo uma caixa para beliscar ao longo do dia, porque vai que a dor só está escondida, é preciso prevenir e se isolar da mais remota possibilidade de contacto.

  Acontece, cari leitori, que a dor e a frustração, em doses moderadas, são pedras do alicerce da personalidade de um adulto MINIMAMENTE saudável. As pessoas estão aprendendo desde a mais tenra infância a boicotar desconfortos que lhes seriam úteis na vida adulta, apelando para todo tipo de fuga; drogas lícitas e ilícitas incluindo medicamentos tarjados, sexo sem critério, fanatismo religioso, violência gratuita, humilhação de terceiros e muitas outras. As pessoas estão fugindo de si mesmas para não terem que ver seus reflexos de mortais no espelho, quando esperam ver um integrante de elite do Olimpo. Basicamente é isso.

  Não foi só um, foram vários casos relatados de homens barbados que foram mimados por suas mães e esperavam que as esposas fizessem o mesmo. Eles sonhavam com famílias perfeitas e pediram divórcio porque a criança nasceu com autismo. Alguns só faltavam pedir que as esposas os amamentassem. É daí que nasce a figura da sogra megera, que estraga o rebento e acha que a nora o está deixando passar fome, frio e se esquecendo de trocar suas fraldas.

  Houve casos de adolescentes que pensavam ser homossexuais, simplesmente porque nasceram com algum problema na genital, seus pais JAMAIS aceitaram tocar no assunto e quando entraram na adolescência, acreditavam que aquele problema as tornava homossexuais. Umas sessões de psicologia, uma cirurgia e o equívoco era resolvido. Não, não se trata do adestramento que realmente é a tal "cura gay", se trata de gente que realmente sentiu falta da orientação familiar e precisou pagar por uma terapia para recebê-la. Só que os pais nunca assumem sua cota de responsabilidade.

  As pessoas estão se envergonhando de ver seus filhos, mesmo que ainda estejam na primeira infância, se comportarem como crianças. Se esquecem de que um corpo precoce não significa uma mentalidade precoce. Dar roupinhas de crianças, brinquedos fofos de crianças, lanches de crianças e um ambiente próprio para crianças, ajuda a evitar a erotização precoce, que é tão inútil quanto nociva à formação do indivíduo. A menina está com cinturinha, peitinho e bumbum bem marcados? Que lindo! Aproveite enquanto ela é uma criança e ensine a controlar essa máquina linda que ela veste, porque em breve ela vai precisar controlar os efeitos dos hormônios mais cedo do que vocês imaginam.

  Isso pode ser chocante, mas também falaram dos índices altíssimos de suicídio infanto juvenil que a imprensa simplesmente se recusa a divulgar. Seria um escândalo, jogaria nas caras das famílias o completo fracasso de suas formações. Jogaria na cara do poder público uma despesa que ele prefere que o público não conheça para não cobrar. Jogaria na cara de ideologistas a fraude que são suas teorias de deixar todo mundo fazer o que quiser do jeito que quiser. Jogaria na cara dos fiscais de moral alheia a inutilidade de querer limpar manchas que não sejam de sua própria personalidade. A realidade, meus caros, é mais baranga do que a photo no perfil sugere, ao vivo não tem photoshop.

  A desagregação familiar, explicaram, tem uma das bases a reprodução utilitária. A criança será gerada para um fim e poderá até ser descartada se esse fim não for atingido. Pode ser prender o homem, prender a mulher em casa, chantagear alguém, fazer o filho realizar os sonhos que os pais não conseguiram, enfim... Gente que ama o que gostaria que o filho fosse, a pessoa desse filho é apenas uma ferramenta para conseguir o objectivo. Parece até um curso intensivo de política brasileira!

  Da mesma forma, a criança cresce acreditando que as pessoas ao seu redor também são apenas meios para seus fins, e fazer-se de vítima é a forma mais eficaz se manipular alguém sem que esse alguém perceba a manipulação. é um círculo vicioso que poucas famílias conseguem evitar, menos ainda as que conseguem quebrar, mas elas existem, embora sejam estatisticamente insignificantes. A regra é as pessoas usarem de qualquer expediente para maquiar ou resolver pela metade o que lhes incomoda, o que inclui usar discursos politizados inflamados como aquela menina que abortou para não arcar com a conseqüência de ter se descuidado; incomodou, elimine-se! Sem essa de enfrentar as regras da realidade, que ela não convém.

  Eu poderia ficar aqui durante a noite inteira, discorrendo sobre o que foi conversado, mas preciso dormir e acordar cedo para trabalhar, então vou concluir este catatau...

  Um ponto interessante foi a narrativa de uma mãe e um pai indignados. Ela quase foi vítima de uma sucessão de mentiras da filha, na escola. Em um acto de desespero, na sala da psicologia, tirou seu chinelo do pé e encheu a menina com as marcas da estampa do solado. A fedelha não chorou, para fingir que não doeu, mas nunca mais fez aquilo. Foi uma cena desagradável para as três, mas quem tiver idéia melhor que a ponha em prática e depois me conte.

  O pai em questão foi denunciado pelo filho por ter lhe dado UMA cintada. O conselho tutelar foi tirar satisfações e o moleque já exibia um sorriso de triunfo, quando o homem o mandou pegar suas coisas e ir embora com eles. Os conselheiros tentaram passar a conversa mas foram calados, pois naquela casa era ele quem mandava, sustentava e dava as regras. Ele sabia o que o garoto tinha feito, se envolvido com marginais, então se não pudesse corrigí-lo que ficassem com a responsabilidade. Preciso dizer que o fedelho nunca mais repetiu a façanha e os bocós nunca mais entraram naquela casa?

  Disciplina, limites e hierarquia, meus queridos, existem até entre os animais. Onde há mais de um, as três precisam coexistir. Quem não quiser saber delas que se isole em uma caverna inacessível, porque vai sofrer muitas frustrações.

28/08/2014

Maria neurônio

  Não é de hoje, mas me surpreende e entristece que a figura da Maria chuteira seja tão
glamorizada pela imprensa desportiva, especialmente porque de desportivas elas não tem absolutamente nada. Já existem até manuais de como se tornar uma, porque algumas delas passaram a viver de serem Marias chuteiras, dando entrevistas e fazendo poses. Vou parecer politicamente incorrecto, sim, mas até segunda ordem, tenho o direito de opinião, e já arquei com ele uma pá de vezes. Após a segunda ordem, me mudo para os Estados Unidos e continuo escrevendo do mesmo jeito.

  Convido agora o leitor a imaginar um cenário diferente. Há uma face que a imprensa tem mostrado muito, mas o brasileiro se recusa a dar valor. Nossos acadêmicos estão ganhando prêmios aos borbotões lá fora, é claro, incluindo áreas desconfortáveis para a maioria, como astronomia e matemática; não dessa que o ensino médio mostra e depois avalia com provas de múltipla escolha, mas do tipo que tua calculadora sem sabe que existe.

  Imagine se a população, mesmo que paulatinamente, começar a tomar gosto por qualquer coisa que funcione acima do umbigo. Imagine campeões de competições científicas sendo recebidos como heróis, dando entrevistas em horários nobres, sendo disputados por programas de televisão e ganhando os tubos em comerciais feitos para seduzir seus fãs. Em pouco tempo, após a consolidação da tendência, apareceriam também as caçadoras de fama do nicho. Não, roupas curtas e justas não ficariam de fora, o corte, os tecidos, estampas e estilo das moças é que mudariam muito.

  Em primeiro lugar, por mais vaidoso que seja um cientista e por mais que ele queira para si as atenções, ele não suportaria a companhia de uma caricatura de loura burra, a moça precisaria ter um grau mínimo de conteúdo. Para esse pessoal, meus amigos, esse "mínimo" deixaria qualquer bacharéu decente encabulado. Para as cavalgaduras que se formam com notas máximas sem terem aprendido porcaria nenhuma, seria algo completamente fora da realidade.

  Algum domínio do bom português e de um segundo idioma ela precisaria ter, porque "mim dá cento e duas gramas disso" seria um pé no traseiro por justa causa. Conhecer ao menos um livro de Jostein Gaarder seria quase obrigatório, além de assaz salutar ao intelecto. Não que um erro ou outro fosse encerrar o flerte, mas as atrocidades a que estamos perigosamente acostumados são repelentes para um cientista. Não confundir gente que tem recursos e desleixa, com gente que fala o melhor que seus parcos recursos lhe permitiram aprender.

  Um bom cientista quase sempre é fã de Star Wars e Star Trek, então conhece as artimanhas de gente que se faz de bem intencionada para alçar vôos ao poder. Subornar e dar para os seguranças para poder entrar no camarim é maquiavelismo primário, assim como os seguranças de celebridades intelectuais seriam de outro naipe e advertiriam seus chefes a respeito. Elas teriam que usar mais o cérebro do que os decotes, afinal quem não mede conseqüências para viver de fama não vai hesitar em abandonar o sujeito assim que aparecer outro mais prestigiado.

  Vestidinhos que precisam ser ajeitados a cada três passos não ajudariam tanto. Por mais curta que fosse a peça, ela não poderia passar a impressão de desconforto para alguém que queima phosphato e nervos ópticos para ganhar seu pão. Marias chuteiras não se importam com isso e querem todas as câmeras para si o tempo todo. Uma Maria neurônio saberia cultivar a relação priorizando a estrela de quem recebe o brilho, inclusive ajudando o cientista a ter a tranqüilidade necessária e cuidando da divulgação de suas pesquisas; claro, colocando seu lindo nome como fonte da informação.

  Não que funk carioca fosse proibido, mas falar e se portar como se estivesse SEMPRE em um baile funk não funciona com essas pessoas. O verdadeiro funk cai no gosto da maioria dos cientistas, mas música clássica e os dinossauros do rock, especialmente para os cientistas nerds assumidos, seriam quase que decisivos para o bote dar certo. Novamente a indumentária seria outra, mesmo que curta e justa, mas nunca centrando atenções nas partes marombadas e siliconadas. Mesmo os cientistas mais jovens gostam de elegância, respeitando a anatomia e valorizando o conjunto, inclusive o cérebro.
  Certo, vamos explicar esta passagem... Para vender apenas sex appeal, basta fazer os homens babarem, o que é muito fácil e a moda predominante dá quase tudo de bandeja, fora as "bem sucedidas" que dão dicas de como dar para dar e posar pelada depois. Não, o problema não é o fim, mas os meios utilizados para obtê-lo. A Maria neurônio se esmeraria em combinar peças, cores, estampas e tecido para cada ocasião, selecionando inclusive os assuntos e o tom de voz para cada uma. Ela saberia que uma mini saia até combina com uma noite outonal, mas precisa de uma meia-calça mais espessa e opaca, que acabaria convidando às estampas e estas não são para julgamentos destreinados.

  A Maria neurônio saberia que o frescor juvenil tem prazo de validade. Ela não apostaria suas fichas o tempo todo na estética, por isso mesmo trataria de aproveitar o prestígio do astro para cavar uma carreira duradoura e sólida, para isso cativaria o público dele, que tem aversão à futilidade. Ao contrário de sua contraparte, ela não teria problemas em falar à imprensa e não causaria dores de cabeça ao abrir a boca. Neste cenário ela também seria imitada pelas meninas e veríamos menos mini adultas pelas ruas, as confecções veriam um público mais intelectualizado disposto a pagar por peças bem feitas e bem modeladas, em vez de modelos únicos para adultos em tamanho infantil.

  A Maria neurônio seria algo como Holly Golightly, mesmo não se prostituindo. Ela não daria as costas para a academia de ginástica, mas daria muito mais atenção às academias universitárias e às bibliotecas. Nas entrevistas elas diriam o quando o mundo virtual está se parecendo com o livro 1984, não falando tanto da lipo de que ninguém ficou sabendo, provavelmente nem tocando no assunto se ninguém perguntasse. Aliás, programas que fazem esse tipo de pergunta dificilmente as teriam em sua grade, elas não estimulam o onanismo.

  Outra coisa, provavelmente a Maria neurônio seria um pouco retrô. É mais simples combinar os minis microscópicos dos anos sessenta do que os não tão curtos de hoje. Aqueles, mesmo mínimos, não a obrigariam a roçar coxas e puxar a barra para baixo. Corte, tecido e modelagem evitariam esses constrangimentos.

  Mas tudo isso é virtualmente uma utopia mesmo no horizonte de longo prazo, especialmente em um país no qual as raras Marias neurônio que existem são hostilizadas por adolescentes desocupados, em redes sociais.