03/10/2022

O Foicebook

Sim, foi este comentário, feito ontem, que causou a última represália, com limitações severas até mesmo dentro da minha própria conta.


             Caríssimos, já se vai o tempo em que o Facebook era um lugar apenas esquisito e cheio de tranqueiras, agora o algoritmo que não diferencia um joelho de um seio está usando seu imenso talento para censurar na cara dura. Não é a primeira vez e ando desconfiado de que algoritmos de carne e osso escolhem aqueles a quem vão perseguir, bastando discordar frontalmente de seus dogmas pseudointelectuais; como aqueles activistas bonzinhos amigos do povo coitadinho que me fizeram perder um emprego há cerca de 25 anos, simplesmente porque eu não quis passar um deles na frente dos outros, na fila da copiadora.


Todas as moedas fiduciárias em queda em relação ao Real. O Dólar já está longe do Euro e a Libra não se sustentou nos R$6,00. O peso argenchinês não faz mais diferença.



            Tenho sofrido progressivas limitações e dificuldades de acesso, tanto de reagir, quanto de comentar e até mesmo de publicar em meu próprio perfil. Por essas e outras, pararei de publicar lá os links de noticiários que de segunda a sexta eu seleciono, o farei aqui e só o link desses textos completos serão compartilhados. Faço-o já sabendo do menor alcance, mas também já tendo alertado meus contactos a respeito. Divido as notícias em tópicos, que eram publicados em blocos isolados, mas os deixarei assim para facilitar sua busca.


Só um detalhe: o Iene não tem centavos, então Cento e vinte Ienes seriam como um Iene e vinte centavos, mais ou menos ...



            Não obstante esse cerceamento de livre expressão não ofensiva, os mesmos idiotas que a mim censuram também mandam um monte de sugestões todos os dias, com as quais não poderei interagir porque um único joinha em cada uma, aparentemente exaure meu direito de interação no dia. Zukerberg está cavando sua própria ruína, ele vai matar a galinha dos ovos de ouro de seu empreendimento! Acharei pouco! Querem um mpinimo de tranqüilidade e de expressão? Voltem para seus blogs!


            Sem mais delongas, vamos às tosqueiras de hoje.


Internacional


            A parceria certa: Continente africano e continente americano. O europeu já mal dá conta de si, e o asiático, francamente... O Japão começou a oferecer ajuda, de resto só a Jinpinglândia oferecendo empréstimos com cláusulas que os tornam facilmente impagáveis, com a cobrança sendo feita exigindo concessão de soberania.

https://areferencia.com/africa/somalia-anuncia-a-morte-de-terrorista-que-figurava-em-lista-de-procurados-dos-eua/


            Eles são armados e têm treinamento militar, e são i-do-la-tra-dos em universidades. Aqui são incentivados pelos mesmos que lá os fuzilariam, se apontassem o dedo para seus erros.

https://areferencia.com/asia-e-pacifico/navios-chineses-invadem-pacifico-sul-ameacando-a-industria-e-o-meio-ambiente-na-america-do-sul/


            Aparentemente dois idiotas úteis que praticam em território americano o modo de vida que dá cadeia na Rússia, assim como seus pares brasileiros. Mais uma vez houve toda a transparência possível, mais do que isso comprometeria as investigações e sabe-se mais o quê.

https://areferencia.com/sem-categoria/oficial-do-exercito-dos-eua-e-acusada-de-espionagem-para-moscou/


            E todo mundo apontava o dedo para os americanos, mas como é o camarada KGB, tentando reviver a URSS à sua moda, não se ouve nenhum protesto de pacifistas profissionais.

https://areferencia.com/americas/eua-levam-a-serio-ameaca-nuclear-de-putin-mas-talvez-nao-sejam-capazes-de-antever-um-ataque/


            Negue o que você faz e o que você é, acuse o outro de sê-lo e fazê-lo. Cinismo e mentira na frente da verdade não os constrangem.

https://areferencia.com/oriente-medio/radicalismo-do-taleban-afugenta-casais-e-esvazia-os-restaurantes-do-afeganistao/


            A maioria das vítimas serem meninas não foi mero acaso, por eles o mundo seria habitado só por homens.

https://areferencia.com/oriente-medio/explosao-em-centro-educacional-mata-ao-menos-23-pessoas-em-cabul-a-maioria-meninas/


            Protestam e...? Vão boicotar? Abrir mão do financiamento universitário e de todos os acessos que o PCC dá aos seus lacaios? Sem isso, não funicona.

https://areferencia.com/asia-e-pacifico/dia-nacional-da-china-tem-protestos-em-taiwan-contra-o-autoritarismo-e-criticas-partindo-do-brasil/


            Vai, JinPooh, ataque Taiwan e logo terá duas frentes duras de batalha. Da última vez, em uma escaramuça fronteiriça, morreram três chineses para cada indiano.

https://www.news18.com/news/india/with-light-combat-chopper-prachand-indias-firepower-at-china-pak-borders-gets-big-boost-6090217.html


            Por isso eles estão investindo a sério no seu próprio pró-álcool. Espero sinceramente que logrem êxito e que isso nos sirva de inspiração.

https://www.news18.com/news/india/monitoring-air-quality-24x7-stubble-burning-how-delhi-govts-new-move-will-combat-pollution-in-oct-nov-6090259.html


            Esse Kadyrov foi uma das crianças que sofreram lavagem cerebral na escola, após a Rússia invadir e colocar na Chechênia um fantoche. Isso as crias da KGB sabem fazer muito bem, só que agora está se virando contra eles.

https://br.noticias.yahoo.com/dois-aliados-putin-ridicularizam-m%C3%A1quina-133129324.html


            Quando tiverem as primeiras mortes por frio, dentro de residências de classe média, Itália e Polônia terão mais seguidores.

https://eco.sapo.pt/2022/10/03/eurogrupo-rejeita-apoio-orcamental-alargado-e-quer-menos-consumo-energetico/


            Foi só uma bagunça burocrática estatal, mas que custou caro à parte mais fraca; os professores que trabalharam sem receber.

https://www.sapo.pt/noticias/economia/governo-da-guine-bissau-reintegra-mais-de-2_633b04a0fa19331b4bf5ee4d


            Na pior das hipóteses, não haverá mais o dinheiro tão fácil para Argentina, Cuba e Venezuela, como acontecia nos três primeiros governos.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/o-grande-vencedor-da-noite-foi-o-bolsonarismo


            Até a Indonésia nos dá lição de moral, demitindo chefes incompetentes, aqui ficaria por debaixo dos panos ou, se fosse o caso, o responsável seria transferido para servir a algum aliado político.

https://www.maisgoias.com.br/chefe-da-policia-e-demitido-apos-tragedia-com-mortos-e-feridos-em-estadio-na-indonesia/


            Precisa falar mais? Está mais do que desenhado.

https://youtube.com/shorts/gIvqFz1fcM8?feature=share


Sua Sobrevivência


            Mas para muita gente ela deixou de ser trabalhadora para ser opressora que vive de pernas para o ar enquanto o proletário trabalha e dá tudo para seu lucro.

https://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2022/10/01/deia-lopes-restaurante-tapioca-bahia.htm


            Liberdade, confiança e ousadia; o Brasil não tem a primeira e peca nas outras duas justamente pela falta da primeira.

https://www.infomoney.com.br/economia/pmi-industrial-dos-eua-avanca-a-52-em-setembro-e-supera-leitura-previa/


            Não fosse a corrupção das forças armadas, Erdogan já teria caído. Incompetência para gerir um país ele já provou que tem, mas é hábil em disparar contra civis desarmados.

https://www.infomoney.com.br/economia/inflacao-ao-consumidor-na-turquia-acelera-para-835-em-setembro/


            Mais combustível de alta octanagem para os monarquistas. Uma das metades de verdades que se recusaram a nos contar na escola.

https://www.infomoney.com.br/economia/pib-brasileiro-no-seculo-20-pode-ter-sido-menor-que-o-divulgado/


            O Estado fazendo estadices consigo mesmo. O que vai acontecer aos responsáveis, adivinhem? Isso mesmo! Absolutamente nada!

https://www.infomoney.com.br/economia/ibge-estende-prazo-de-coleta-de-dados-do-censo-2022-por-falta-de-pessoal/


            O problema não é enfrentar, mas como enfrentar esse quadro; fabricando papel-moeda para ajudar ditaduras ou sabendo que a próxima geração pode não ter como saldar a dívida. Os mais de quatro trilhões que deixaram para o actual se virar estão em cinco, Deus sabe como não piorou ainda mais.

https://www.noticiasaominuto.com.br/politica/1950908/analistas-estrangeiros-nao-esperam-grande-avanco-no-lado-fical-pos-eleicoes


            Desde a rota da seda que não existem mais economias isoladas, todas dependem umas das outras. Se uma empresa mesmo estatal fizer a brincadeira de se isolar, perde o financiamento estrangeiro, certamente até mesmo o nacional.

https://www.noticiasaominuto.com.br/economia/1951073/petroleo-por-preco-melhor-opep-avalia-cortar-producao-em-mais-de-1-milhaobpd


            A França é altamente protecionista e já recessiva, não conta. A preocupação é com a Alemanha, que tem sustentado aquele pardieiro e já anda mal das pernas.

https://jovempan.com.br/noticias/mundo/inflacao-na-zona-do-euro-chega-a-10-pela-primeira-vez-na-historia.html


            A causa do problema falando de seus próprios efeitos. Vai morrer gente de frio e eles vão se perguntar como isso terá acontecido.

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/329154-reino-unido-corre-risco-significativo-de-escassez-de-gas-neste-inverno-diz-orgao-regulador.html#.Yzsb8djMLIU


            Não sei de onde essa gente tira esse optimismo...

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/329165-reuters-melhora-de-perspectiva-fiscal-apos-1-turno-e-impulso-para-o-real-mas-caminho-pode-ser-acidentado.html#.YzseZ9jMLIU


            Se os europeus e chineses comessem menos açúcar, o etanol seria vantajoso em todo o país, mas vá dizer isso aos baluartes do bom exemplo!

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/sucroenergetico/329157-mercado-do-acucar-recua-forte-nesta-tarde-de-2-apos-estimativa-de-superavit-global.html


            O oba-oba ébrio da energia de impacto zero acabou, e a conta chegou. Solução imediata: carvão, mas... 

https://executivedigest.sapo.pt/crise-energetica-faz-com-que-precos-da-luz-possam-disparar-mais-de-300-em-algumas-empresas/


            O dinheiro dos alemães está acabando até mesmo dentro da Alemanha. Ou eles páram de colocar cabresto na população, ou o terceiro mundo vai trocar de lugar.

https://eco.sapo.pt/2022/10/03/governo-corta-nos-descontos-do-isp/


            O ouro tem ficado muito caro, mas com essa demanda a prata não demora a subir demais, piora sendo ela uma matéria-prima vital da indústria de tecnologia.

https://executivedigest.sapo.pt/prata-dispara-7-e-regista-a-maior-subida-desde-fevereiro-de-2021/


            Pelo menos essa não vai dar vexames típicos de sub-celebridades, pelo menos não até algum hacker invadir o sistema e ... já entenderam.

https://www.jornaldeblumenau.com.br/n.php?ID=31622&T=marca-de-moda-infantil-lanca-avatar-influencer-nas-redes-sociais


Carros


            Honesto, preço exequível e pensado para a família. Esse Tata com nome de pestinha da terceira série faz falta aqui. Quem sabe o eventual sucesso da Bajaj resolve isso.

https://www.greencarreports.com/news/1137315_tata-launches-a-10-000-electric-car-for-india


            E aqui o Tata Tiago numa matéria em português.

https://insideevs.uol.com.br/news/613170/tata-india-carro-eletrico-barato/


            Quem não tem ônibus, caça com Kombi.

https://www.uol.com.br/carros/videos/?id=vivendo-sobre-rodas-encontro-reune-mais-de-600-motorhomes-raiz-0402CC1B3370E4817326


            Que comecem logo a fabricar e possam sobreviver ao desmoronamento do regime, quem ficar por lá vai afundar com o estouro das bolhas.

https://autopapo.uol.com.br/curta/byd-inaugura-concessionaria-bh/


            Pneu maior em carro não adaptado, e isso custaria muito caro, é como andar com perna de pau em piso encerado, daí usarem as cafonas rodas grande e largas com pneus de ombros baixos em carros que não precisam deles. Deixem isso para pesquisadores e ricaços com muito tempo ocioso.

https://autopapo.uol.com.br/blog-do-boris/pneu-maior-que-recomendado/


            É raro encontrar quem preserve maquinário agrícola, especialmente num país que tem nos carros um símbolo de status mais do que uma alegria útil.

https://motor1.uol.com.br/features/613761/historia-trator-massey-ferguson-67anos/


            Maldita Stelantis!!! Está tentando matar a marca que simplesmente sustenta todo o grupo!!!!

https://www.noticiasautomotivas.com.br/jeep-wrangler-ecodiesel-saira-de-cena-nos-eua/


            Eu ainda preferiria um sedan de alto nível, mas eu não sou todo o mercado e provavelmente ele vai fazer sucesso na hotelaria.

https://insideevs.uol.com.br/news/613960/byd-d1-carro-eletrico-entregas/


            "Cheio de personalidade" onde? Ele faz uma careta, isso não é ter personalidade! Se feiura fosse personalidade, o Dobló seria um clássico.

https://www.autoo.com.br/toyota-corolla-muda-no-japao-e-troca-motor-turbo-por-aspirado/


            Vai acabar com os barulhentos? Não! Vai aumentar a arrecadação? Sim! Eles arranjam as ruas paralelas para infernizar a vida alheia, o estado não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

https://autopapo.uol.com.br/curta/radar-multa-ruido/


            Confiabilidade já não vende sozinha, Toyota, ou o Fusca ainda seria fabricado em praticamente todos os países do mundo, inclusive no Japão.

https://carroscomcamanzi.com.br/teste-do-toyota-yaris-hatch-xs-2023/


            Não vi absolutamente nada nessa motoquinha que ameace a Vespa. Tem uma construção cara e é muito menos confortável, e já se esqueceu da Lambretta.

https://www.motoo.com.br/bandit9-nano-a-insana-scooter-eletrica-anti-vespa/


Aviação


            Um dos países que se deixaram seduzir pela armadilha de crédito fácil do PCC, será mais um empréstimo fácil para se enforcarem.

https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/nigeria-pode-encomendar-novo-aviao-comercial-chines.html


            Países Ladeira Abaixo. Ao contrário do que os próprios holandeses acreditavam sobre sei país.

https://aeroin.net/inaceitavel-e-o-que-diz-a-klm-sobre-a-nova-decisao-do-aeroporto-de-amsterda/


            Mimimi de gente desacostumada a ser contestada. Aliás, é um dos motivos de eles geralmente não gostarem do ocidente.

https://aeroin.net/estudo-pede-que-icao-crie-regras-que-impecam-o-publico-de-rastrear-voos-em-tempo-real/


            Isso não é fraqueza, é transparência. Só ditaduras ocultam seus erros. Aqui o cidadão sabe no que seu suado dinehirinho está sendo empregado.

https://www.aeroflap.com.br/usaf-aterra-mais-de-110-c-130-hercules-por-problemas-nas-helices/


            Porta de entrada de brasileiros para o restante do país, não a fronteira com o México.

https://www.airway.com.br/florida-vira-salvacao-das-companhias-aereas-durante-o-verao/


            A desbundamolização forçada da Europa. Agora temos uma segunda geração se formando e atritando com os noiados utopistas que infestam esse início de século.

https://www.cavok.com.br/aliados-da-otan-ajudam-paises-nordicos-a-patrulhar-instalacoes-de-petroleo-e-gas-apos-incidentes-no-nord-stream


            Trudeau se lasqueau, não tem amis a pandemia para dizer "se eu sair, vocês morrem", a repressão e a inflação vão acabar com a carreira adjeta do Fidelzinho.

https://www.panrotas.com.br/aviacao/aeroportos/2022/10/toronto-pearson-canada-aumentara-taxas-aeroportuarias-em-2023_192259.html


Ciência e Tecnologia


            Raios me partam! Vovó tinha razão! Alguém cubra os espelhos!

https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2022/10/03/e-seguro-tomar-banho-durante-uma-tempestade.htm


            Os anúncios já não são o bastante. Claro que qualidades maiores demandam mais espaço e mais custos, mas eles vão usar isso cedo ou tarde como instrumento de censura.

https://olhardigital.com.br/2022/10/03/internet-e-redes-sociais/youtube-proibe-recurso-famoso-para-sua-versao-gratuita/


            Se não precisasse, eu passaria uma semana sem acender uma lâmpada sequer, mas um adulto não pode se dar a esse luxo.

https://olhardigital.com.br/2022/10/03/internet-e-redes-sociais/pesquisa-maioria-das-pessoas-nao-conseguem-passar-o-dia-sem-internet/


            Os ladrões vão amar! Eles e as moças que oferecem os cartões da C&A, ambos vão pular sorrateiramente da invisibilidade antes que a vítima se aperceba.

https://gizmodo.uol.com.br/empresa-britanica-lanca-prototipo-de-jaqueta-invisivel/


            Com a devida camuflagem, isso pode servir bem na Antártida. O uso científico e militar na Terra pode perfeitamente baratear esses abrigos espaciais.

https://gizmodo.uol.com.br/casa-marciana-que-simula-moradia-de-futuros-astronautas-e-inaugurada-na-inglaterra/


            Algumas mortes não delituosas mostram o quando a natureza pode ser cruel, a ponto de dar inveja a psicopatas de último grau. A natureza não é, nunca foi e nunca será boazinha, ela não tem essa obrigação.

https://www.msn.com/pt-br/saude/saudebucal/as-maneiras-mais-dolorosas-de-morrer-de-acordo-com-a-ci%C3%AAncia/ss-AAWaSQH?ocid=ob-fb-ptbr-all-verticals&fbclid=IwAR3WV0IOPfS-k8PhpJRQAtxpsyp0ZOn21bS7fd-teF6triTiL8SjVhi4lUg


            Os fabricantes de sex dolls vão adorar isso. Mesmo que Musk se recuse a vender para eles, basta um comprar e a tecnologia será copiada a contento.

https://www.noticiasautomotivas.com.br/tesla-optimus-e-revelado-e-aparece-em-fabrica-de-carro/


            Como? Pergunto simplesmente "como"? Vão trancar o algoritmo em uma cadeia virtual? Essa gente ainda não saiu da era da tipographia, não sabe como funciona um algoritmo.

https://www.tecmundo.com.br/mercado/248902-europa-atualizar-lei-responsabilizar-ias-danos-causados.htm


            Se sua conexão cair nesta terça, pode não ser culpa da operadora. Não desta vez.

https://olhardigital.com.br/2022/10/03/ciencia-e-espaco/terra-pode-ser-atingida-por-tempestade-magnetica-nesta-semana/


            Horário de verão no Brasil é como horário de inverno na Islândia, só complica a vida de todo mundo sem trazer resultados plausíveis.

https://olhardigital.com.br/2022/10/03/ciencia-e-espaco/volta-do-horario-de-verao-novos-estudos-serao-apresentados-nesta-semana/


            O mercado de cabos ainda é uma selva, muito pela burrice da maioria e da arrogância elitista de certas marcas.

https://tecnoblog.net/noticias/2022/09/30/usb-if-vai-usar-novos-selos-para-tentar-resolver-bagunca-dos-padroes/


            Isso não é brincadeira! Vai chegar o momento em que tudo o que for electrônico vai pelo menos falhar na pior hora possível, como durante uma cirurgia. Façam back-up de tudo o que for importante.

https://canaltech.com.br/espaco/grande-explosao-solar-causa-blecaute-de-radio-em-todo-o-territorio-dos-eua-226621/


            Mimimi de quem não quer que o cidadão decida por si a sua vida. Ninguém está obrigando essas pessoas a aceitarem o trabalho, além delas mesmas com seus compromissos assumidos.

https://tek.sapo.pt/expert/artigos/portugal-esta-sob-ataque-de-paises-mais-ricos-que-descobriram-que-conseguem-facilmente-contratar-talento-portugues-para-continuar-a-viver-por-ca


Mundo Absurdo


            Qualquer que não saiba controlar os próprios filhos, responsabiliza os outros pelo que eles fizerem. Alguém já processou um traficante?

https://olhardigital.com.br/2022/10/03/internet-e-redes-sociais/mulher-processa-facebook-e-instagram-por-serem-viciantes/


            Erros que podem custar muito caro ao país, e em alguns lugares são relevados. O problema não é a urna, mas quem a opera.

https://omunicipioblumenau.com.br/video-mesario-erra-e-habilita-outra-pessoa-votar-no-lugar-de-jovem-em-blumenau/


            E do jeito que tratam as ruas, tratam as urnas...

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-10/eleicoes-2022-lixo-recolhido-nas-ruas-do-rio-de-janeiro-sobe-50


            Mas que Fanfarrão Desrespeitoso Pândego! Nem políticos estão a salvo da politicagem de seus próprios aliados.

https://www.itatiaia.com.br/colunas/lucas-ragazzi/2022/10/03/candidato-a-senador-em-mg-some-de-resultado-final-nas-urnas-apos-suplente-renunciar


Gordice


            Torta de sem gosto com goiabada, pelo menos emagrece.

https://www.msn.com/pt-br/receitasebebidas/noticias-e-receitas/torta-de-ricota-com-calda-de-goiabada-%C3%A9-op%C3%A7%C3%A3o-deliciosa-para-a-sobremesa-veja-o-passo-a-passo/ar-AA12pDuN?ocid=msedgntp&cvid=c10320491bdc4b748fa897869d24c86c


            Almôndegas!!!!!!!

https://www.msn.com/pt-br/saude/nutricao/diferentes-e-irresistiveis-alm%C3%B4ndegas-de-frango-com-molho-barbecue/ss-AA12tiPe?ocid=msedgntp&cvid=a689c72da6914872a45c6d15367d59ad


            Isso tem tantas calorias, que a pessoa fica até inflamável.

https://www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet/receitas-pratos/queijo-camembert-envolto-em-jamon-iberico-e-massa-folhada-geleia-de-figo-e-pistache/


            Não é por falta de escolha e tutorial que sua refeição vai acabar sem arremate.

https://www.msn.com/pt-br/saude/nutricao/10-sobremesas-f%C3%A1ceis-e-r%C3%A1pidas-com-apenas-2-ingredientes/ss-AAX2Cs0?rc=1&ocid=winp1taskbar&cvid=071082b5c014436ba733337902176a23


            Coisas que valorizam uma ceia natalina.

https://www.msn.com/pt-br/saude/nutricao/30-receitas-deliciosas-que-exaltam-um-rolo-de-massa-folhada/ss-AA12xlIH?ocid=msedgntp&cvid=6e47916813184f25878026ef21a2d8f7


            Torresmo está caro? Frite macarrão!

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/degusta/pururuca-de-macarrao-receita-de-salgadinho-caseiro,898903bd7ade41d87e83abaf05b79f64q6gdw1uh.html


Geral


            Instituto de pesquisa é uma das muitas coisas que simplesmente não funcionam neste país. Dados confiáveis indo a público não interessam a muita gente.

https://br.noticias.yahoo.com/diferenca-realidade-projecao-votos-institutos-de-pesquisa-110904547.html


            A fauna bizarra que vai para a câmara estadual. Acreditem, ao vivo nem aprecem deputados.

https://www.maisgoias.com.br/eleicoes-2022-veja-quem-sao-os-41-deputados-estaduais-eleitos-em-goias/


            Ele ainda não aprendeu que Goiás é o Estado mais nó cego na união para um candidato a deputado conseguir votos.

https://www.maisgoias.com.br/pesquisas-intencionalmente-erradas-me-prejudicaram-afirma-gustavo-mendanha-apos-derrota/


            Gratuita o caramba! Vá porque seus altos impostos já pagaram por isso. É um dos poucos eventos de boa música neste século e sua entrada já está paga. Acesso livre não é gratuidade, outra pessoa já pagou mesmo sem saber.

https://www.maisgoias.com.br/semana-da-musica-em-goiania-promove-recitais-e-atividades-gratuitas-para-o-publico-de-3-a-7-10/


            Aquele fulano em quem vocês jamais votariam, mas se camuflou na figura do suplente, ele vai assumir.

https://diariodegoias.com.br/eleicao-para-deputado-estadual-mexe-com-estrutura-da-camara-dos-vereadores-de-goiania/


            Pouco importa, é linda em qualquer tempo.

https://www.jornaldeblumenau.com.br/n.php?ID=31741&T=segunda-feira-de-predominio-de-sol-com-chance-de-chuvisco-nos-extremos-do-dia


            Quase neve em Minas Gerais! Parece lindo, mas esse gelo mata.

https://www.itatiaia.com.br/editorias/cidades/2022/10/03/neve-em-minas-video-impressionante-mostra-rodovia-fernao-dias-tomada-por-gelo-nesta-segunda-feira


            Mai comé que vô chegá no trabai?

            Andano, uai! É logo alí, ó!

https://www.itatiaia.com.br/editorias/cidades/2022/10/03/paralisacao-total-metro-de-belo-horizonte-nao-vai-circular-na-quarta-e-quinta


            O Fausto Silva muito antes da Gleba, apresentando o grupo Metrô, na Record. A qualidade do vídeo não é das melhores, mas é boa o suficiente e o som é limpo

https://www.youtube.com/watch?v=xikazpgOAjk

07/09/2022

O valor das coisas e do trabalho

De 0 a US$1.000.000,00 em menos de vinte anos.

             Em 1969 A Chrysler fez uma aposta muito ousada, não porque queria, mas porque o regulamento da NASCAR exigia uma produção mínima para um carro poder competir, na época e ainda por muitos anos só carros que o cidadão pudesse tirar da concessionária e ir dirigindo para casa poderiam ser homologados na categoria. Daí nasceram os gêmeos de suas subsidiárias Dodge Daytona e Playmmouth Superbird. Autênticos representantes da escola americana de esportivos, esses muscle cars na época ultrapassavam a então altíssima marca de 250km/h, quando chegar a 200km/h já fazia o motorista sentir-se em um foguete. A cereja do bolo, entretanto, vinha nas versões especiais, com preparação de corrida, verdadeiros monstros que passavam dos 320km/h, marca que os outros carros de rua lavaram mais de vinte anos para bater. Pela referência ao Papa-léguas da Warner Bross, e seu apelo mais jovial, o Road Runner, que é o nome original da ave, sempre foi mais popular. De quebra a aerodinâmica foi planejada em conjunto com a NASA e até hoje é muito superior à da maioria absoluta dos carros do mundo, de rua ou de competição. Com o lema de "vença no domingo e venda na segunda", as expectativas eram muito altas para a dupla, que era relativamente cara, mas nem de longe via os preços absurdos cobrados pelos esnobes e pouco confiáveis europeus bipostos, cuja única argumentação de verdade era a exclusividade.


            Infelizmente as coisas não saíram como planejado. O visual muito exótico para o gosto americano da época não ajudava, embora não tenha sido decisivo. O consumo de combustível era muito alto mesmo para os padrões da época, fazer 2km/l na cidade já fazia o dono se dar por satisfeito, mas isso sozinho também não seria motivo para o fracasso retumbante. O maior problema não era eles não serem bons, eram excelentes, verdadeiras maravilhas da enxuta e espartana engenharia americana, eram na verdade bons demais, a ponto de eles terem ameaçado o interesse do público pela NASCAR. Se houvesse mais de dois Superbird na competição, por exemplo, os outros competidores poderiam esquecer o pódio. A Chrysler produziu dois foguetes a pistão que facilmente deixavam os mais velozes dos outros comendo poeira, os responsáveis não tiveram outra escolha para salvar a categoria além de mudar as regras e assim tirar Daytona e Superbird do páreo. Não bastasse esse golpe duro, as seguradoras simplesmente se recusavam a fazer apólices para carros tão rápidos e velozes que estavam disponíveis a qualquer cidadão de classe média. Não era como um Porsche, cujo peço absurdo de sua grife limitava sua população, eram carros feitos para as massas. Em muitos Estados americanos um carro até pode rodar sem placa por alguns meses, mas jamais sem seguro, especialmente na Califórnia, que ainda é o maior consumidor automotivo dos Estados Unidos. Se eu não posso tirar o carro da garagem para ir ao supermercado, por que o compraria?


            Os Daytona e Superbird chegavam a ficar dois anos parados nas concessionárias, mesmo com promoções absurdas, feitas só para desovar o estoque e liberar o pátio. O resultado, além do prejuízo enorme, é que o primeiro carro feito em colaboração com a NASA valia, da noite para o dia, absolutamente nada. Valia alguma coisa como matéria-prima de siderúrgica, absolutamente nada como carro. As crises do petróleo puseram uma pá de cal na corrida dos cavalos, fenômeno causado pelo gosto do americano por motores cada vez maiores e mais potentes, enterrando de vez os investimentos nos dois bólidos. Vejam bem, o trabalho absurdo de dimensionamento e refinamento de duas máquinas que tinham tudo para serem clássicos instantâneos passou a valer zero. Pelo menos três anos de trabalho duro de milhares de pessoas, que chegaram a resolver os problemas mais crônicos de confiabilidade de um motor que era absurdamente poderoso, mas tendente a se autodestruir por superaquecimento, agora valiam zero. Centenas de milhões de dólares na época valiam, repentinamente, zero. Enquanto os outros muscle cars com haras muito menores continuavam recebendo encomendas e mantinham seus valores, os dois ápices da espécie valiam zero. Todo o trabalho estava lá, os carros cumpriam com o que prometiam e seu alto consumo era até razoável para o desempenho que forneciam, fora o facto de levaram a família toda e sua bagagem, coisa que nem sonhando um europeu "puro sangue" conseguiria, mas eles valiam zero.


            Na virada do século, porém, o interesse por eles ressurgiu como não surgira na época de seu lançamento, então um monte de sucata abandonada no mato já valia facilmente dez mpouco tempo depois um Superbird em perfeitas condições não trocaria de garagem por menos de cento e cinqüenta mil dólares, já as versões especiais pedeíam mais do que os duzentos e vinte mil dólares de cotação, era preciso convencer o proprietário de que não é uma idéia de jerico desfazer-se de seu agora sim clássico; um foi recentemente leiloado por mais de, segurem-se na cadeira e peguem fôlego, cerca de US$1.600.000,00! Se os carros são os mesmos, o desempenho é o mesmo e ainda há outros sendo descobertos e restaurados por aí, o que explica esse preço? A resposta é o interesse. Não acredito que essas cifras durem por muitos mais anos, mas não espere chegar com muito menos do que isso e sair dirigindo um Superbird. Agora as pessoas não só aceitam pagar, como pagam sorrido essas pequenas fortunas pelo que há menos de vinte e cinco anos não valia seu peso como sucata. Não foi uma grande corporação e nem uma nação dominante que definiu isso, foi o interesse das pessoas, sua admiração espontânea pelos modelos que os fez valorizar tanto. Então cai por terra a tese pueril de que uma empresa põe o preço que quiser em seus artigos.


            Mudando de exemplo, imaginem uma tonelada de pedregulho, pedrinhas de riacho. Bonitinhas, arredondadas, todas amontoadas em um monte. Experimente de sua própria iniciativa, carregar essa tonelada de pedras para um lugar que lhe seja mais conveniente. Vai levar muito tempo, algumas pedrinhas vão se perder e terão que ser encontradas, mas é um trabalho possível. Ajuda muito se usar dois baldes não grandes demais, pois isso arruinaria sua coluna e aceleraria sua fadiga. Se ao fim do serviço não estiver satisfeito, sendo de sua vontade podes realocar a tonelada de pedregulhos para outro lugar, até mesmo para o original. é um trabalho árduo e com o tempo seria os métodos de empilhamento seriam aperfeiçoados. Agora a pergunta de um milhão: quanto vale esse trabalho? Difícil de calcular? Então vamos a outras: Quem pediu para fazer isso? O que foi combinado? Resolveu que problemas? Além do ganho de massa muscular, se tiver feito o trabalho com a parcimônia necessária, eu lamento informar que seu trabalho vale absolutamente nada. Não importam sua dedicação, seus ferimentos, seu tempo e nem mesmo o desapego para tê-lo executado, mover uma tonelada de pedregulhos sem deixar um sequer perdido, vale absolutamente zero. Seu prejuízo, descontando a maior força muscular resultante, foi de 100% do capital investido... se os baldes forem seus, porque se tiver se endividado para a empreitada, eu lamento.


            Não importa o quanto tenha investido em um trabalho, seja para fazer um producto, prestar um serviço, oferecer entretenimento, o que seja! É o consumidor que vai dizer que quer ou precisa daquilo o suficiente para pagar pelo preço pedido, afinal o dinheiro é dele, fruto do trabalho dele, ele diz se troca ou não uma parcela do trabalho que teve pelo trabalho que está sendo oferecido. Daí idéias muito boas nem sempre virem ao mercado, porque o público-alvo não está disposto a pagar por elas, não pelo preço mínimo que o idealizador pode vendê-las. Algum tempo depois alguém descobre um meio melhor de fazer ou de oferecer essas idéias, de modo que entrem na faixa de preços exequíveis ou atendam a um público que se disponha a gastar mais. Não adianta apelar para o Estado, ele não tem dinheiro! Tudo o que entra em seus cofres é tirado à força da mesa do cidadão que paga impostos. A pessoa não escolhe contribuir para o erário, é coagida a isso. Ao contrário de épocas de grande crise, como a segunda guerra em que todo mundo comprava voluntariamente bônus de guerra para ajudar a derrotar o Eixo, não há virtualmente motivos para uma pessoa tirar da boca de seus filhos para dar a uma gigantesca onerosa burocracia, isso a faz dar mais valor àquilo que quer fazer por si, daí a indústria de entretenimento e os alimentos recreativos serem tão valorizados, mesmo que nem sempre sejam saudáveis.


            Cito o caso ocorrido há cerca de vinte e cinco anos, na Praça Coronel Joaquim Lúcio, aqui no Setor Campinas, quando um desses artesãos de rua começou a pedir uma passagem de ônibus para o centro, ou para Goiânia como alguns campineiros ainda falam, sem obter êxito. Ele ofereceu qualquer um de seus artesanatos em troca da passagem, todos eles bijouterias feitas com penas, pedras e resinas. Eram até bonitos, mas absolutamente não interessavam aos presentes nos dois pontos de ônibus da pracinha. Aquelas pessoas estavam em sua maioria muito ocupadas com seus afazeres, provavelmente com o dinheiro contado para as despesas da jornada, eu mesmo não conheço ninguém que usaria aquele tipo de enfeites, então ele não conseguiu a passagem que queria. Ficou triste e desolado, certo? Errado! Ele começou a gritar e xingar, chamando repetidamente todo mundo de hipócrita, alegando que não queria passagem de graça, que pagaria com o trabalho exposto no tecido que servia de mostruário. O problema, além de ele ter intimidado e afastado a potencial clientela com sua agressividade discursada, é que ninguém realmente se interessava por aquilo, mesmo os que porventura pudessem pagar o que pedia não estavam dispostos, ainda mais após a saraivada de ofensas bradadas por alguém que parecia acreditar que as pessoas eram obrigadas a comprar o que ele produzia. Nem restaurantes, que oferecem artigos de primeira necessidade, agem assim. Se em princípio, para aquele público, o trabalho dele valia zero, a partir daquele momento o valor de sua presença era negativo. Assim como com os bólidos já citados, não foi uma entidade burguesa que definiu o valor negativo do que era oferecido de modo rude, eram as pessoas que então não queriam nem ver a oferta.


            Da feita que não é o custo, seja lá em que padrão ele seja medido, que define o preço final possível de uma oferta, então meus amigos a teoria pueril de que existe um valor intrínseco em todo trabalho é completamente falsa, fruto de uma análise rasa de pessoas que em verdade nunca pegaram no cabo de uma enxada. Sim, eu já fiz isso, já fui até servente de pedreiro, já limpei até fosse séptica. Por isso gente externa à negociação raramente consegue avaliar o valor de uma oferta, via de regra não consegue avaliar direito nem mesmo os custos, que ao contrário do que a maioria pensa não são fixos, variam ao sabor até mesmo das intempéries, mesmo uma eventualidade que agilize ou precarize a logística pode alterar esses custos, e mesmo assim eles nem sempre podem ser repassados. Da mesma forma uma vaga pode ficar meses em aberto porque o público-alvo da oferta considera os termos envolvidos muito aquém do que deveriam ser; nem sempre é por "vagabundagem", embora eu conheça casos, na maioria das vezes o pagamento e os benefícios não cobrem o mínimo esperado. Na verdade, comprar um carrinho de pipoca ou pegar um de picolé para vender pode render mais do que a maioria dos empregos mais simples, que por conta disso estão empregando robôs, como as vending machines que infestam cada esquina de Tóquio. Custo e remuneração é que definem se um negócio sobrevive ou não, porque só quitar as contas não basta, as pessoas que investiram seu tempo e seus recursos materiais, precisam sair felizes assim como o cliente precisa sair feliz com o que tiver adiquirido.


            O valor intrínseco não existe nas relações materiais, ele é meramente moral e afetivo. Seu emprego em relações comerciais se deu por um erro de cálculo de pessoas que usaram a si e sua posição social como parâmetros para uma equação que deu zero, como se houvesse simetria e perfeição possíveis nas relações mundanas; não há, é tudo muito mais pessoal e menos racional do que sugerem os manuais catedráticos. Muito dessa mentalidade surgiu quando eclodiu a revolução industrial e as pessoas migraram em massa para as cidades, então a imprensa e os, vamos chamar assim por falta de outros adjetivos não ofensivos, intelectuais começaram a enxergar pessoas e condições de vida que simplesmente não conheciam, pelo facto de que jamais se preocupavam e ainda não se preocupam realmente em saber o que existe fora de seus mundinhos particulares. Analisar uma situação nacional pelas condições que ocorrem em seu bairro até faz sentido em um primeiro momento, mas tudo isso rui a medida em que o tempo passa e as condições naturais mudam, e uma análise real demanda uma capilaridade que grandes organizações rígidas são incapazes de ter, assim como uma grande locomotiva de modo algum consegue fazer entregas de porta em porta. Ainda que se construam duas fábricas idênticas em tudo, a diferença de localização e as diferenças pessoais entre os funcionários de ambas ditarão custos diferentes, e só cada uma vai saber como equacionar sua fração de realidade. Mais do que isso, as partes precisam inspirar confiança mútua, se não houver essa confiança o negócio simplesmente não acontece, não importa o quão vantajoso pareça, e isso sempre varia de pessoa para pessoa; como o investidor que nem olha para promessas absurdas e o trouxa que vai torrar eu patrimônio de novo em mais uma pirâmide, enfim ... Não pode e não tem como dar zero, funciona se perder um pouco agora para ganhar depois, é como respirar, consome-se energia para fazer a troca voluntária de dióxido de carbono por oxigênio, em movimentos alternantes.


            O conceito de valor intrínseco e tudo que dele deriva, inclusive a malfadada "mais valia", embora faça sentido a quem não se aprofunda no inferno invernal das análises de causa e conseqüência, simplesmente não existem.

24/07/2022

Só pensando com meus botões. Trabalhar no verão e descansar no inverno.

Imagine chegar mais cedo e ser recebido assim.
1950s-60s


             Não existe um tempo realmente certo para se tirar férias ou folgas prolongadas, primeiro porque a civilização geralmente nos provê o necessário para escolhermos quando isso vai acontecer, segundo porque essa mesma civilização precisa de nós tanto quanto nós dela, por isso essa escolha precisa ser bem pensada e feita com alguma antecedência sem garantias de que não haverá prejuízos De qualquer forma, é imoral que nos deixem morrer de fome, então com maior ou menor presteza haverá algum socorro; não espere por isso em comunidades isoladas, elas são tão restritas que quando um membro precisa parar, todos os outros sentem o peso e todos padecem junto em maior ou menor grau. Em uma comunidade isolada, ou mesmo no caso de eremitas, o que dita a época de trabalho e a época de descanso é o clima. Em época de fartura, trabalha-se duro para prover o necessário, reparar eventuais danos inclusive à saúde, reforçar a despensa e planejar a próxima estação restritiva, quando o repouso compulsório para a preservação dos recursos amealhados se dá.


            Era mais ou menos assim a até não muito tempo, na verdade até a revolução industrial muita gente nem sabia o que era um relógio, então não estranhava dormir mais no inverno do que no verão; provavelmente a maioria nem percebia esse fenômeno, simplesmente tratava de dançar de acordo com a música circadiana e ponto final. As coisas começaram a mudar quando deslocar-se deixou de ser algo de estrita necessidade à sobrevivência, e ser analphabeto não era mais uma "obrigação". As pessoas passaram a ler e escrever à luz de velas, sair para visitar alguém na primeira folga, coisas que incentivavam varar algumas horas além do ocaso. Com isso o hábito de dormir em dois turnos durante a noite, regra quase absoluta até a idade média, começou a dar lugar às horas corridas de sono. Foi um efeito colateral especialmente para a caótica era de reurbanização ocidental, quando sair para visitar alguém no fiofó da madrugada deixou de ser socialmente aceitável; isso é hábito medieval do sono de dois turnos. Para quem ainda não soube, na idade média as pessoas iam dormir com o sol, então sobravam horas de vida noturna que não cabiam no sono, então eles simplesmente tocavam a vida como se fosse dia, incluindo ir visitar pessoas no meio da madrugada, então voltavam para mais uma soneca. Imagine isso no inverno, com suas noites tão longas!


            Com o avanço dos meios de produção, que tornaram até um tecido caro como o algodão acessível aos mais pobres, as pessoas passavam a prestar mais atenção aos detalhes e não só ao conjunto, posto que sua sobrevivência agora dependia também disso, inclusive pelas novas regras sociais, por outro lado essas mesmas regras novas e sua fome por novidades deixaram as pessoas do povão cada vez menos parecidas, dando ao trabalhador braçal noções mínimas de individualidade. Embora as novidades tecnológicas da bélle époque ainda fossem inacessíveis, posto que eram tecnologias muito novas e com produção ainda consideravelmente rudimentar para se manter a qualidade em larga escala, antigos luxos como livros e relógios já não eram mais surpresas em casas pobres. As pessoas estavam mais cientes de si mesmas e de seu tempo disponível, então todas essas celebrações pessoais que temos hoje se alastraram. Já não se era mais um reles passageiro do tempo, já se era membro da tripulação, já se poderia fazer um mínimo para organizar a vida com relativa eficiência. Quando do advento das férias, com elas o hábito de viajar, que era reservado aos muito ricos e à extrema necessidade, a preferência especialmente setentrional pelo verão tornou-se mais cultural.


            Ficou quase que padronizado, o verão seria a época de se descansar e divertir, o inverno a de maior recolhimento mesmo com as actividades laborais ainda vigentes, primavera e outono seriam épocas festivas com ecos das tradições pagãs e tudo mais. O interessante disso é que justo nas épocas de maior fartura, as pessoas estão mais propensas a descansar. O irônico nisso é que do meio da primavera até o auge do outono temos a melhor época para acumular recursos e enfrentar os rigores invernais. Então seria o verão, com os bons efeitos da primavera ainda vigentes e as colheitas do outono se anunciando, a melhor época para fazer horas extras e não precisar trabalhar quando for mais necessário poupar energia. Aqueles memes que tratam o frio como tendo mais vida, deixam de lado por sua natureza satírica o facto de que o corpo trabalha mais para manter-se funcionando, com isso reclamando ingestão de mais calorias, que dão a sensação de saciedade que um quilo de brócolis não conseguem; dá um trabalho enorme digerir brócolis e, vai muita energia embora nisso. Assim consumimos os recursos que as fábricas fornecem, pois já há tecnologia mais do que suficiente para isso acontecer sem perda de qualidade, garantindo a quem precisa andar de ônibus uma subsistência mais confortável do que os ricos da baixa idade média tinham, até em casas de nobres a garantia de sobreviver ao frio era questionável. Um pobre de hoje pode ser mais rico do que os ricos de então, não romantizem tanto a idade média, na verdade ela era bem abaixo da nossa média.


            Ficou muito fácil produzir calorias de modo que não apodreçam em uma semana. Sim, a qualidade nutricional de um alimento industrializado é geralmente questionável, na maioria dos casos eles são alimentos recreativos, mas adivinha o que acontece se modificarem o sabor de uma barra doce para ser mais funcional do que saborosa. Ainda vai tempo até tudo ser saudável e saboroso sem custar os olhos da cada, até lá não subestime o poder de um refrigerante e suas altas doses de açúcar para quem está sofrendo de hipotermia e não tem outro recurso à mão. O facto é que essas calorias abundantes e baratas, com extensa validade, simplesmente não podem faltar em uma despensa de emergência, e um inverno rigoroso é uma emergência prolongada. Só temos algo parecido no Brasil na região Sul e olhe lá, não dura muito, mas enquanto dura ela castiga quem vive lá; admirar-se pela televisão com o espetáculo da neve caindo é coisa de gente tropical. Bem, se é fácil e barato produzir alimentos em plena era glacial provisória, imagine fazendo isso quando o clima é propício! Não que se deva parar no inverno, imprevistos ocorrem e precisam ser supridos, mas o ritmo biológico é naturalmente mais lento quando há menos luz, e em certas partes do mundo há mais de três meses de breu. Seria então mais econômico e até mais producente trabalhar mais nos meses mais quentes e confortáveis, para trabalhar uma ou duas horas diárias a menos no inverno, aproveitando mais a família e os amigos, bem como dedicando mais tempo à própria pessoa.


            Há de se pensar que o ocidental já é um trabalhador compulsivo, que passa horas no trânsito todos os dias, mas isso pode ser resolvido com planejamento, as empresas combinando de os operários da indústria de base entrar e sair uma hora mais cedo, por exemplo, mantendo esse escalonamento para as etapas econômicas consecutivas, bem como incentivar o quanto se puder o trabalho remoto. Nem tudo pode ser feito remotamente, não se desamassa um capô com planilhas e e-mails, mas boa parte da actividade intelectual pode, pelo menos uma parte da semana. Nisso se aproveitaria não só o clima favorável como também o dia mais longo para desestressar o trânsito em horários de pico. Com tudo propício para se produzir mais com menos dispêndio de recursos, com o calor e a luz solares incrementando o crescimento vegetal, animais engordando com mais rapidez, lâmpadas acesas por menos tempo, aquecimentos obrigatórios demandando menos energia e tudo mais, os custos de produção dos recursos necessários à época de escassez diminuiriam consideravelmente, pelo muito maior aproveitamento dessa janela energética. Nos meses consecutivos os preparos para o inverno incluiriam a redução gradual da jornada de trabalho, para facilitar a adaptação de nossos corpos que ainda são os mesmos da pré-história. A produção apenas para reposição e manutenção demandaria horas a menos de trabalho diário, dando às pessoas a serenidade que a estação demanda.


            Sim, é claro que é lícito entreter-se e esbaldar-se com a fartura veraneia, para isso se tem o excedente de produção, em nenhum momento eu disse o contrário. O que eu disse é que as estações mais claras e quentes são as melhores para se trabalhar mais e acumular recursos. E é este o ponto, porque as pessoas à amiúde querem aproveitar o dia mais longo para justamente aproveitar o dia, como se uma ou duas horas extras coletivas bem planejadas não o permitissem. Muito ajuda a manter essa mentalidade o cinema, que louva o verão como a estação do usufruto, como se pessoas não precisassem trabalhar duro para que alguns usufruam. Assim como a passagem da mentalidade laboral medieval para a moderna/contemporânea, não seria algo abrupto e impositivo, isso simplesmente não funciona. teria que ser incentivada a adesão voluntária ao modelo de cargas horárias cíclicas, em que se trabalha um pouco mais todos os dias nos meses quentes e o contrário nos mais frios, do modo mais gradual possível. Claro que o mesmo cinema que atrapalha aqui, ajudaria a incentivar essa adesão, da mesma forma como mostra o não trabalho como objectivo de vida.


            Decerto que nos países tropicais essa mudança seria bem menor e traria menos benefícios, fazer o quê? A economia gerada pelo resto do mundo, entretanto, seria benéfica para nós, que não precisando trabalhar menos nos poucos momentos de frio real que temos, venderíamos para eles o de que necessitam e, afinal, há artigos que simplesmente não são cultiváveis em zonas temperadas, não sem um custo abusivamente alto. Além do quê, não é para cá que eles viajam quando o inverno aperta lá? E esse mesmo inverno, com seu convite à introspecção e à meditação, tem tudo para se tornar uma época extremamente aprazível e romântica. Não, não estou apresentando uma agenda para impor e tampouco ordenando ao cancelamento de quem não aderir, meu grau de idiotice ainda é bastante baixo. Como diz o título, isto é apenas uma coisa que me veio à mente e que daria algo decente para publicar, mas também algo em que eu acredito, ou não teria me dado o trabalho de um dia inteiro dedicado a este labor. Desse modo nós deixaríamos de lutar contra o relógio, ele seria nosso aliado.

30/04/2022

A pergunta do espelho

Margarita Terekhova em Mirror 1975


             Quem é você? Não estou perguntando pelo seu nome, isso é mais frágil do que pensa, ele pode mudar de acordo com o idioma, até mesmo o sotaque de uma cidade para a outra! De um Estado para o outro seu nome pode perder o "S" e ganhar um "X" na pronúncia de uma pessoa comum, e lá pode ser que ninguém consiga pronunciá-lo como foi registrado, com o tempo alguém de fora que te conheça não saberá de quem eles estarão falando. Seu nome aqui pode ser comum, até bonitinho, mas em alguns lugares pode ser a coisa mais feia para se dizer, não raro até obsceno! Experimente, por exemplo, dizer "Rui" na Rússia, quando pedirem que se apresente, especialmente se houver crianças no ambiente! Vão te levar preso, depois de algumas bordoadas. Sua carteira de identidade é posterior à sua existência, não o contrário, então guarde seu registro geral e pense de novo em minha pergunta.

            Quem é você? Não, sua profissão também não conta. Ela é aquilo que você conseguiu, ou o que alguém conseguiu para você se manter e não depender tanto das pessoas. Digo "tanto" porque até mesmo as pessoas mais independentes dependem de prestações alheias, ainda que seja o simples acto de fazer seu pedido à atendente da loja. Hoje és um motorista, amanhã podes vir a ser o gerente de frota, um dia quem sabe largar tudo e abrir uma lojinha de doces a granel, então não importa! Assim como a identidade, o profissional depende do que você for, não o contrário, isso é apenas uma função para lhe servir de esteio, com muita boa vontade também para evolução moral. Para quem aprende sobre os melindres da vida em sociedade, é muito fácil montar um personagem para cara ambiente e ocasião e pode ser que NENHUM deles sequer represente o que ou quem é você. Nem mesmo nas festas de confraternização da empresa uma pessoa se apresente realmente como é, não se deve levar em conta o estado de embriaguez porque ele á uma caricatura tosca da pessoa, não ela em si.

            Quem é você? Criatura, de todas as coisas da vida, poucas são mais supérfluas e voláteis do que sua imagem social. Seu status nem começou pela sua vontade, lhe foi dado por seus pais assim que deste seus primeiros berros neste mundo. Só depois é que suas ações construíram a armadura de papel que, se fosse efetiva, não precisaria ser defendida, ela te protegeria, mas não é assim que funciona. Pode-se ter uma alta reputação vivendo de rendas modestas, assim como ter todos os bens que se sonha e ninguém ser capaz de não cuspir ao ouvir seu nome; bem como sua figura pode inspirar medo, admiração ou escárnio sem que qualquer uma dessas reações seja a justa. Não, definitivamente seu status não diz quem és, porque os motivos de o ter podem ser totalmente opostos aos que lhe são atribuídos. Seja um plebeu sem eira ou o imperador, essa imagem não vai refletir o que ela guarda.

            Quem é você? Muito menos o que as pessoas pensam a seu respeito. Como já dito, o público só poderá fazer juízo do que lhe for apresentado, e isso é demasiadamente submisso aos interesses do apresentador, cuja imparcialidade não pode ser fiel de balança nenhuma, afinal ele é humano! Mesmo que a tarefa seja dada a uma máquina, ela terá sido construída por um humano, cujo julgamento de sua pessoa vai influenciar pontos nodais de sua apresentação ao público, não importa o quão justo ele tente ser. Conhecer toda a sua história e ter acesso até a pensamentos que lhe são involuntários, é o mínimo que outra pessoa precisaria para fazer um julgamento confiável a seu respeito, e assim ter um pensamento minimamente justo, o que já deve ter percebido ser mera quimera. Quem o preza tenderá a compensar qualquer agravo exagerando algo que considere ser uma virtude sua, e que pode ser uma característica que em seu íntimo considere um defeito, mas parecerá ser uma qualidade aos olhos das pessoas.

            Sei que posso parecer arrogante ou cruel, mas é imperioso que nesta altura da vida você tenha um pouco de noção de quem realmente você é. Não peço que sejas ciente plena e em toda a vastidão, porque isso é tarefa para deuses, não para um reles mortal. Ter essa noção mínima já te imuniza contra uma miríades de mazelas da sociedade, não só a desta época, mas as de qualquer uma no espaço-tempo. Tendo o norte de quem você é, te desvia automaticamente de tentações que te induziriam a escapar da realidade como modo de vida, te arrastando não só para longe das feridas como também de sua cura, te vestindo com máscara sobre máscara até que a quantidade delas seria tão grande, e sua acomodação à fuga tão arraigada, que não conseguiria mais voltar a encarar sua vida como ela se apresenta, quando muito procurarias um culpado para o que deu errado, recorrendo aos inimigos do grupo que ora integrasse para ser o bode expiatório.

            As conseqüências disso eu não precisaria, mas lembrarei brevemente o que suas curtas meditações já explicaram. É como uma ovelha que é criada com cães e acaba acreditando ser uma deles. Enquanto o perigo real não vir, ela até pode ser útil ajudando a guardar a casa, alertar audivelmente a qualquer tentativa de invasão, até mesmo afugentando invasores de baixo calibre, mas ela jamais poderá comer da mesma ração dada aos cães, o que seria um risco quando não houvesse grama fresca, como em tempos de seca, mas o perigo real viria quando com eles precisasse enfrentar invasores realmente perigosos, como os lobos. Lobos respeitam cães, não ovelhas, e eles sabem muito bem diferenciar um do outro, sabem que cães são ameaças, mas ovelhas são refeições, não importa se ela credita ser um leão, vai virar a caça do dia... infelizmente o condicionamento a impelirá a atacar a alcateia, levando seu frágil pescoço directo para os caninos do inimigo. Da mesma forma um cão que pense ser uma ovelha morrerá rapidamente de inanição por comer grama, e fugirá dos lobos que em situações normais seria capaz de enfrentar.

            A única coisa certa do que sabes, é que és aquela pessoa que vem diariamente ao lavabo, dar de cara com um espelho para jamais se olhar nos olhos, centrando-se na higiene matinal e na estética para ser mais agradável do que repulsivo. Eu sei, todas as manhãs tens que ser ágil e prático, do cumprimento de sua rotina depende o sucesso da rotina de mais pessoas, nada há de errado nisso, é louvável sua consideração para com os outros. Entretanto, nos momentos de folga, em vez de fugir da realidade fingindo vê-la em telejornais, seria bom se encarar de vez em quando, por poucos minutos que fossem. Nem precisa vir ao lavabo e dar de frente para o meu painel de prata sob vidro fixo na parede. Desligue o que não for necessário, peça que só te liguem quando for realmente necessário, deixe o ambiente arejado, mas com a luz estritamente necessária, fique em silêncio na posição que achar melhor, por mais ridícula e impublicável que seja, e deixe os pensamentos fruírem. Apenas deixe fluir e não tente mudar de assunto quando um deles te encarar. Vai ser rápido. Com o mundo alheio lá fora, sem poder entrar, em pouco tempo não vou mais precisar repetir a pergunta: Quem é você?

31/03/2022

Esther e Sarah; A beleza

 

The American Look of 1945 by Nina Leen

Sarah visita a mãe levando um pequeno pacotinho barulhento de carne e travessuras. Esther recebe as duas de forma efusiva e calorosa, pega nos braços aquela bonequinha que dará a primeira continuidade ao seu sangue e a balança com suavidade. Ela serve suas descendentes, a pequena Maria com leitinho morno e à filha com chá de hortelã e biscoitos de limão. As duas conversam amenidades em voz pausada para a pequenina se familiarizar melhor com as palavras e o bom português decentemente pronunciado, dando-lhe todos os afagos que lhes pede. A matriarca sobe aos seus aposentos e desce em seguida com duas camisetas que mandou estampar…

 

- “Mamãe arquiteta projetou essa estruturazinha linda”! Mama, eu amei!

 

Ester sorri largamente enquanto sara veste a si e Maria com as peças, cujas colas em “V” e os arremates de mangas foram customizados com flores ao estilo das culturas balcânicas…

 

- Eu queria tanto poder caprichar nos meus projectos como caprichei nessa bolinha de carne barulhenta que tira meu sono todas as noites!

- O que te impede de fazê-lo, Sarah?

- Os próprios clientes, mama. Meu escritório tem uma salinha cheia de maquetes e sketches de demonstração, mas eles preferem essas coisas que estão na moda… até consigo aqui e acolá colocar pontos e detalhes de beleza e personalidade, mas nada além disso…

- Que tristeza repentina é essa, minha filha? Conte para sua mama.

 

Ela conta à mãe com uma mágoa indisfarçada, até porque sabe que não adianta esconder seus sentimentos de quem conhece até o modo de suas írises contraírem. Diz ouvir muito que beleza, entre muitas outras coisas, é construção social e não deveria sequer ser posta a público…

 

- Enganam-se! Essa afirmação estapafúrdia não tem fundamento.

- Mas tem narrativas fortes.

- Há aves pequenas que cantam e são ouvidas a quilômetros, mas todos calam-se imediatamente assim que vêem uma águia.

- Sei, mas como dizer a um acadêmico cheio de títulos que ele está errado?

- Se ele estiver errado, simplesmente diga que está. Somente Deus não erra, abaixo D’Ele, todos são sujeitos a falhas, tanto mais quanto mais arrogante se for.

- Muitos deles são ateus, então…

- Isso é irrelevante. Esse tipo de ateu arrogante tem seus deuses, só que de carne e osso. Sente-se, respire pausadamente para não preocupar Maria, vou servir-lhe mais chá e biscoitos então explicarei.

 

Sarah se senta acariciando a filha no colo, faz o que a mãe pediu então é servida com finesse. Não se trata de elitismo, mas de autocontrole, utilizando-se da cerimônia do chá para recuperar o centro e se colocar no comando das emoções…

 

- Minha joia, antes de mais nada existe sim um padrão natural de beleza, que não é absolutamente rígido, mas tem suas regras claras e escritas pela própria evolução de cada espécie. Não se trata de futilidade estética, mas do resultado de bilhões de anos de aprimoramento até chegar ao que melhor funciona para a subsistência da espécie na nossa era. As espécies mais primitivas, como alguns reptilianos, se atêm a quem se pareça consigo e que emane odores específicos, mas até entre eles há diferenças fenotípicas entre o macho e a fêmea, que ajuda um crocodilo a não se meter no território de outro macho da espécie.

- Horror! Horror! Horror! Se eu tivesse dito algo assim na faculdade, teria sido decapitada!

- É com muito pesar que eu acredito. Não é de hoje que vejo essa negação da beleza, desde os anos setenta que grupos começaram a tratá-la de modo pejorativo e apontando o dedo para as moças que se cuidavam. Sabia que já puxaram meu cabelo, me acusando de sabotar as causas da liberação da mulher por “subserviência ao namorado”?

- Putsgrila! A pessoa não saiu impune, saiu?

- Decerto que não. Precisei desfazer o coque e prender num rabo-de-cavalo, mas a criatura estúrdia precisou de intervenção odontológica. E aqui vem outro ponto de nosso tópico; é justamente corrompendo as guardiãs da beleza, nós, que os dejetos genéticos conseguem numerário para seus fins espúrios. Incentivar a anorexia e a bulimia, acusando de preconceito e intolerância até mesmo aos médicos que se opõe a isso, faz parte dessa doença. Ponha uma coisa nessa sua cabecinha ainda tão jovem, que mal fez dezoito e já nos deu esta pequena bênção: Beleza é natural e essencial. Como eu disse, cada espécie tem a sua, e nisso reside sua relatividade, não nas narrativas de gente revoltada com o mundo que as sustenta. À parte os excessos, incentivados justamente por essa gente, a beleza humana tem sim um padrão com boas margens de tolerância; para mulheres é de feições delicadas, busto farto, cintura fina e quadril largo; para homens é feições severas, peito largo, braços fortes e postura altiva. Basta ver em agrupamentos mais primitivos e reconhecerá esses padrões, com maior ou menor intensidade, mas estão sempre lá justamente porque funcionam.

- E a senhora?

- Eu o quê, Sarah?

- Esbelta!

- É a minha compleição (risos)! Mas veja, não me furtei o direito a camadas salutares de gordura, isso me esculpiu… Sim, mesmo assim sou um tanto esbelta, mas nunca quis ser a gostosona do bairro.

- Nem na sua época de adolescente revoltada?

- Nem naquela época. Minha mãe me ensinou a ser crítica com o que vem de fora, isso me ajudou a ver que os grupos que tentavam me cooptar não eram diferentes dos outros, um lado me via como objecto, o outro como instrumento. Aprendi a me arrumar para mim, para gostar do que vejo no espelho, só depois de grandinha é que percebi que isso agradava aos garotos.

- A senhora me ensinou isso também…

- E espero que você ensine Maria.

 

Uma pausa, mais afagos em Maria, mais uma fornada de biscoitos, desta vez de chocolate, e mais um pouco de chá. Falam um pouco sobre Jacob e sua luta para fazer propagandas acima da linha do medíocre, ele sempre se lembrando com pesar da genialidade simples que eram os reclames do Fiat 147, em comparação com o lixo caro e caótico que usam para promover os carros de hoje, que não são muito melhores do que suas campanhas publicitárias…

 

- Eu compreendo e oro por meu filho, para que tenha forças e discernimento, porque sei muito bem em que ninhos de serpentes ele precisa pisar todos os dias. Lembre-se, Sarah: Um simples elogio não é por si mesmo um assédio, gostar do corpo feminino saudável não é machismo, tem mais afinidade para um fenótipo do que para os outros não é racismo, ficar horas admirando um corpo nu em uma revista não é estupro…  tem outros nomes, mas nem de longe é uma violência dessas…

- Ra! Ra! Ra! Ra! Ra! Ra! Ra! Ra!

- Eu chamaria essa fixação, de modo elegante, de puerilidade compulsiva…  mas voltemos ao assunto… Aquela frase desprezível “a quem a biologia serve” é mais uma invenção dos negadores da beleza, repetida à exaustão por gente que repete bordões alheios pensando que tem pensamento crítico. A biologia não serve a ninguém, ela não precisa de nós, existe desde antes da primeira cissiparidade, já agia nos coacervados para evoluírem até formarem os primeiros seres vivos. A medicina é sua filha primogênita, tudo o que ela faz é seguir os ditames da mãe para não cometer erros que não possa reparar. Você sabe como surgiu esse padrão de beleza que temos hoje no ocidente?

- Hollywood?

- Não. Por incrível que pareça, não foi obra de uma mídia. Foi nos anos 1940, quando a ciência passou a se valer de métodos mais rigorosos de pesquisas, o que infelizmente acabou gerando mais impessoalidade do que o necessário, mas deu frutos de que nos servimos ainda hoje. Uma dessas pesquisas revelou o que seria o corpo perfeito, do ponto de vista da saúde, e o resultado foi algo muito próximo do padrão natural de beleza humana; nada de esqualidez e tampouco excessos de adiposidade, mas simplesmente um corpo equilibrado com musculatura moderadamente desenvolvida, um pouco de abdômen, no caso do corpo feminino mais sinuosidade, postura erecta e olhar altivo. Como modelo se utilizaram de uma atleta, mas uma mulher tipicamente americana, sem nada de extraordinário em suas medidas e nem mesmo com um rosto particularmente bonito. Isso coincidiu com os valores de uma década que estava emergindo da grande depressão, a austeridade em todas as áreas ainda era vista como demonstração de civilidade e elegância, numa época em que elegância era parte do padrão social de beleza. Inclusive recentemente um corpo assim foi classificado como perfeito pelos cientistas, da modelo Kelly Brook. Ela não é uma atleta, como os escolhidos para as pesquisas nos anos quarenta, é simplesmente um corpo perfeito, mais sinuoso e macio do que na época. O atletismo antes dessa onda de doping, por ser sinônimo de saúde, foi o padrão utilizado como ponto de partida para o que divulgaram porque era um bom exemplo para a juventujde. O resultado é que por décadas o corpo curvilíneo e bem tonificado foi objecto de desejo das moças.

- E as gordinhas sofreram.

- Em muitos casos sim. O prêt-à-porter adorou o que considerou uma padronização do corpo humano, sem atentar para a flexibilidade de proporções que esse corpo perfeito permite, por outro lado isso garantiu o trabalho das costureiras que ajustavam as peças. Mais padronização, menos custos de produção, isso é óptimo para a fabricação de máquinas e insumos, mas não tanto para vestuário. Com a dificuldades em encontrar números adequados, especialmente as mais jovens, o humor de mal gosto teve início oficial, o resto nós já sabemos.

- Os cientistas com a melhor das intenções apontaram um norte…

- E os picaretas da moda transformaram uma estrada reta num labirinto. Claro que os ideólogos viram a oportunidade perfeita para cooptar pessoas com cujas lágrimas as pessoas não demonstravam compaixão, eles também não dão a mínima, mas fingem magistralmente que sim e guiam essas pessoas para outro labirinto. O mote é “Se agrada ao meu inimigo, é ruim”, mesmo que até então agrade à pessoa em questão também, de então em diante passa se reprimir para odiar. Assim começam a se encher de tudo o que não presta, seja comida, bebida ou drogas, para se afastar da harmonia de proporções que caracteriza um corpo saudável, porque o inimigo da causa aprova.

- Nem tudo é construção social…

- Não, na verdade o espaço para “construção” é mais estreito do que parece, as condições em que um ser humano consegue sobreviver são restritas, qualquer abuso comprometeria irreversivelmente a sobrevivência do indivíduo, por conseqüência também do grupo que integra. Os povos primitivos precisavam ser pragmáticos, se apegar ao que funciona e descartar o que não funciona, não existia mídia naquela época, foi assim que todas as tradições nasceram, e em todas elas a beleza tem papel central. O uso de coincidências como se fossem provas, à moda de advogados baratos de porta de cadeia, é uma das vigas frágeis desse chassi de vidro que sustenta essas narrativas negacionistas, e por isso defendem-nas com tamanha ferocidade, não admitindo que a outra parte tenha espaço para se expressar; no fundo, sabem que é tudo mentira, como num casamento de conveniências. Não precisamos que revoltados e picaretas nos ditem o que é belo ou não! Nós sabemos instintivamente o que é belo aos olhos humanos, um corpo harmonioso é belo e a beleza não é um crime.

 

Sarah acaricia as bochechas da filha, pensando em que tipo de mundo ela vai crescer, se desde que se sabe por gente ele só tem piorado. Se lembra de quando participou de um concurso informal de pinups no colégio e, justo na sua apresentação, o salão foi invadido por gremistas que queriam reprimir o evento e proibir futuros, gritando palavras de ordem sem dar chance de resposta, apontando dedos e acusando os presentes como se fossem criminosos, apesar de todos terem participado por seu próprio arbítrio; ninguém interferiu nos protestos pró drogas que aqueles fizeram dias depois. Fizeram outro concurso depois, em ambiente privado, mas aquilo não lhe sai da memória, nem a intervenção furiosa de seus pais na sala da reitoria. Ela olha para a mãe e toca no assunto…

- Eu acompanhei a vida de cada um deles, naquela época… metade já morreu de overdose.

 

Sarah arregala os olhos em uma expressão de terror que não surpreende Esther.

 

- Adivinha se houve mea-culpa ou mesmo um lamento pelo caminho que os idiotas escolheram…

- Aposto que não… exigiam respeito sem ter que respeitar a decisão alheia. Quando descobriram que eu fui premiada no estilo Alberto Vargas, apareci como pária no jornal do grêmio.

- Como foi quando decidi ser exclusivamente dona de casa. Meu corpo, minhas regras. Eu decidi preservar o que é naturalmente feminino em mim, e foi por isso que as pistoleiras se viram no direito de tentar sabotar meu casamento… e havia feministas incentivando, justo aquelas que me jogaram pedras na escola…

 

Sarah suspira fundo, vê nas edificações modernas os resultados disso, tem verdadeiro horror por fachadas de vidro, tanto pelo racionalismo patológico de conjuntos habitacionais financiados pelo Estado…

 

- Assumir a beleza é um risco.

- É um risco… muita gente usa da própria inveja para insuflar essas manifestações, fazendo direitinho o jogo dos cafajestes, que têm a chance de aprisionar uma mulher bonita que se sente culpada por sê-lo. Irônico, não?

- Não, nem um pouco irônico. É hipócrita mesmo.

 

Esther anui. Sarah dá o bebê à mãe e se levanta, vai ao espelho da sala, ajusta a camiseta e se admira, nota os glúteos que se formaram com as inúmeras vezes diárias em que sobe e desce os três andares que separam seu escritório do térreo, arregala os olhos, puxa uma perna das calças e nota a tonificação da perna, escancara o sorriso e olha para a mãe, que aplaude sendo imitada pela pequena…

 

- Quer saber? Vou encomendar um ensaio photográphico.

- Estou ansiosa para ver você finalmente assumir a sua beleza!

- Espera! Fique assim, do jeito que está!

 

Sarah saca o celular, abre a câmera e pega distância. Enquadra bem a cena explícita de feminilidade de sua mãe de vestido médio azul claro com a neta no colo, naquele sofá minimalista em cinza mescla claro, com flores nas mesas laterais e o jardim ao fundo. Ajusta a exposição, dá a maior resolução possível e presenteia a família inteira com aquela cena. Esther enrubesce, mas não perde a pose.

11/02/2022

The last goodbye

Audrey Hepburn

 

Don't cry so much because of me!

Because of me! Because of me!

I'm going away! I'm going away!


So far away! So far away!

I'm goind away! So far away!


You'll start your life over with someone who'll love you. Who'll love you!

Don't stop your life remembering the good times! Our sweet times!

The good times! Our sweet times!

The good tiems! Our sweet times!


All that moments with you was wonderfull! So wonderfull!

My life by your side had a great sense. So clear sense!

So clear sense! I had plans!

I had plans! A plans for us!


But honey, the life doesn't care about our feelings!

Don't care about our feelings! 

Don't care about our feelings!


Our feelings! Our feelings!

Our feelings! Our feelings!


Don't cry so much, get up and go ahead! Enjoy your life! Your single life.

Do it for me, walk away and live! Go and live. You're alive!

I don't regret anything I did! I did my best in everything.

I love you, but right now my live is ending.


I love you! I love you!
This is the end! This is the end.


I love you! I love you!

I love you! I love you!


I'd wish to live with you for ever! For ever! Anyway!

But life doesn't care about our feelings! Our plans.

Don't cry too much this is not our fault.

My life is ending! Is ending!


My life is ending! My life is ending!

I'm dying! I'm dying!


I'm dying! I'm dying!

I'm dying! I'm dying!


Good bye...



22/01/2022

Façam seu próprio doodle, se quiserem um




             Não é só aqui nesta porção do ocidente que as festividades de natal fazem a diferença, mito mais para o bem que para o mal, diga-se de passagem. Elas salvam as peles de muita gente no mundo inteiro, simplesmente porque a demanda comercial desta época gira a máquina econômica no mundo inteiro desde o início do século XX, desde a extração da matéria-prima bruta até a logística das encomendas. Não vou repetir aquela ladainha de condições de trabalho porque a mídia faz isso todos os anos sem o mínimo de graduação, e seus repetidores compulsivos alardeiam essas notícias execrando o natal sem JAMAIS fazerem absolutamente nada de concreto para melhorar as condições daquelas pessoas, pelo contrário, querem é destruir a única oportunidade certa de trabalho que muitos têm ao longo de um ano inteiro. Aceitar pagar mais para eles ganharem mais e viverem melhor? Não! Absolutamente não! Nem pensar! Qualquer coisa mais cara do que "de graça" para esses tipos é exploração pelo lucro. Mais do que isso, não só mais ideólogos neopentecostais que se metem nessa sanha utopista, tratando como pecado capital aquilo que na realidade salva milhões de mesas todos os anos, por três meses ou mais. Agora as ditas "big tecs", cujos rendimentos dependem das empresas que lucram alto, ou pelo menos se safam da falência nos meses que rondam o natal, também passaram a tratar ele e virtualmente TODAS as tradições cristãs como confissão de culpa; em resumo, aquele bebê recém-nascido já é culpado pelo que seu ancestral de 1650 possa ou não ter feito.


            Deixo claro que não sou contra, muito pelo contrário, que lembrem tradições de outras culturas, outras religiões, outros povos e até tragédias de comoção global. Quanto mais cultura, melhor. O típico e acomodado cidadão das Américas precisa mesmo saber que existem outras coisas para além de seus mundinho e suas fronteiras, e que as pessoas fora deles não são necessariamente alienígenas que se aproximam para dizer "phone... home..." ou qualquer outra coisa. Um doodle afim, por exemplo, é mais do que perfeito para lembrar e fixar isso na memória coletiva. Nenhum problema em lembrar do pessach e do ramadã, por que haveria? O problema é que por causa de "tradições históricas de povos historicamente oprimidos ao longo da história", povos esses que quase nunca chegaram aos locais em que estão de modo pacífico, às vezes nem poupando quem já estava lá, as estúpidas empresas de serviços virtuais de rede estão simplesmente desprezando as tradições justo dos povos que as sustentam. Falam em "multiculturalismo", mas são as primeiras a deixar claro que as milenares e nem um pouco mais culpadas do que as outras tradições do resto do mundo tradições cristãs, não têm lugar nesse mundo "multicultural". Isso não é de hoje. Só aceitam multiculturalismo com culturas dos outros, aquelas que os mantiveram vivos na juventude e os sustentam até hoje, não servem. Para muitas dessas culturas, aliás, o que eles defendem é pecado capital. Historicamente, mente muito mesmo!





            Há muitos anos, desde o começo do século (como podem ver clicando aqui) o Google se recusa de modo arrogante a fazer o doodle de páscoa. Também não é de hoje que essa gente tem medo patológico de polêmicas e desavenças, por isso mesmo prefere desabilitar uma busca, piorando ainda mais os serviços que nem de longe são os que eu conheci por muitos anos, do que assumir seus erros e acatar as demandas do público; não aquela gente que vive numa bolha e pensa que vai salvar a humanidade que odeia, mas o público mesmo, o montante tratado como ignorante e que na realidade sustenta todo o planeta. Se recusaram a fazer os doodles de páscoa, de semana santa, de natal e nada indica que esses cristofóbicos vão fazer algum para este ano. Fizeram para as festas NÃO CRISTÃS, celebrando prazeres, as diversões o vampirismo mútuo, mas nem pensar em lembrar o sentido original das celebrações que renegam. Isso não significa que não haja gente usando algo bom para fazer o mal, Hitler fez isso, Mussolini fez isso, Hirohito fez isso, Stálin fez isso, Mao fez isso, ninguém além de seus seguidores nega. No entanto, em vez de chamar as pessoas para o sentido mais nobre das celebrações ocidentais, se resumem a fingir que elas não existem, isso quando nas as demonizam. Chamar as pessoas para a partilha? Fazer lembrar o próximo em dificuldades? Mostrar que o presente é um meio e não o fim em si? NÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!!!!! É muito mais fácil, cômodo e divertido ser simplesmente contra e tentar fazer o mundo esquecer de suas origens. Apesar do que eles fazem parecer, existem sim altruísmo e filantropia sincera entre as pessoas mais tradicionais, não é nossa culpa terem escolhido lidar com as pessoas erradas.


            Vamos ser claros, nada na humanidade é perfeito, nada chega sequer a ser bom na maior parte do tempo, mas tem funcionado. Se não funcionasse, bestas, já estaríamos extintos, do jeito que seus mentores ideopatas querem, apesar de posarem como benfeitores filantropos altruístas. Se a SUA família é uma miséria que só existe para dar desgostos e depois finge que está tudo bem, o problema é SEU! Seu e de mais ninguém! Todas as famílias têm problemas e isso se estende até mesmo na natureza, não só no reino animal, mas até entre as plantas; uma semente que caia muito perto da árvore terá problemas. Bem ou mal, as famílias se protegem, protegem seus membros, os socorrem com podem e à amiúde deixam as diferenças de lado na hora da emergência. Essas cutucadas que vocês vêem em redes sociais são só isso mesmo! Ninguém ficaria junto, mesmo que de forma virtual, se um décimo do que os detratores dizem fosse verdade. Funciona! Funciona tanto que desde o século XVIII não é mais bem visto o comportamento bruto e cruel tolerado na idade antiga, desde o XIX não é mais bem visto comercializar pessoas, desde o XX não é mais bem visto tratar gente diferente como desmerecedora de dignidade. Isso tudo não foi conseguido por esses bocós de mula, foi feito pelos avós e bisavós que eles hoje desprezam e tratam como criminosos. Falam mal da riqueza sem abrir mão das fortunas rápidas que conseguiram com publicidade na internet. Nem vou repetir o que já digo há tempos sobre a tolerância que eles têm com ditaduras, enquanto censuram da forma mais sem-vergonha a opinião alheia, e tentam fazer doenças como obesidade e anorexia não serem vistas como doenças.





            Já faz tempo (ver aqui) que os descontentes buscam alternativas ao rebelde, com essa demanda os concorrentes surgem a todo momento e, é claro, a receita fica comprometida. Da mesma forma como deturpam as celebrações, usam dos mesmos expedientes para fazer o usuário acreditar que não pode viver sem eles, se baseando em facilidades, prazeres, vantagens e todo tipo de apologia à indolência, com isso fomentando o egoísmo que dizem combater. Mas contradições só a outra parte tem, a deles é bem intencionada e voltada para a preservação do meio ambiente, o mesmo que os países aos quais se curvaram moem e queimam todos os dias sem ninguém dar um piu. Pensando bem, a obra fala mais do que as palavras, então isso explica muita coisa! São reles fariseus digitais! Eles sabem no fundo que não servem para nada, vivem de enrolar as pessoas e tirar dinheiro dos incautos, vendendo cada passo e cada gesto seu na internet a quem pagar por isso. Então são até piores do que Judas! Ele fez aquela asneira acreditando que o pior não aconteceria, já aqueles o fazem sabendo que o pior vai acontecer! Se tu não pagas, não ajudas ou mesmo não encaminha a quem possa ajudar, então o serviço "grátis" cobra um preço bem alto! Pago o que posso, se não posso eu fico sem e continuo vivendo.


            O ditado "façam o que eu digo, não façam o que eu faço" é pouco, agora é "façam o que eu digo e nem olhem para o que eu faço" porque o risco de represálias é real. Eles querem que todos finjam estar em harmonia plena, que sejam submissos aos governos, que não vivam sem tirar os olhos de uma tela luminosa com acesso às redes sociais. Na verdade muita gente não consegue mais viver sem essas porcarias, precisamos urgente de um tratamento em massa de desintoxicação, nos mesmos moldes dos alcóolicos e narcóticos anônimos. Vá questioná-los para ver, vá! Se for nas redes sociais, o risco de punição e censura é quase uma certeza. Se for cara a cara, cosia que os covardes evitam a todo custo, virão com discursos prolixos de "uma discussão ampla e democrática" enquanto em seu meio a opinião (como, não gosto de funk carioca) é tratada e punida como crime hediondo e inafiançável. A única rede social electrônica confiável era a lista de contactos do telephone analógico, e olhe lá!


Nem Pedro me negou tantas vezes!



            Quanto aos doodles de páscoa, não queimem azeite procurando pelo que quase certamente não vão encontrar, façam vocês mesmos os seus. Eu sugiro até mesmo que os publiquem em seus perfis, enquanto ainda não forem censurados por "promoção da opressão às culturas secularmente oprimidas dos povos ribeirinhos dos desertos", mas sem alarde, apenas para que seus contactos vejam, compartilhem e se dêem conta de que não estão sozinhos, porque o bombardeio de desgraças que a mídia faz diariamente, os faz crer que estão. Vão alardear os preços dos ovos de páscoa, pegar o gancho para falar da inflação, tentar colocar na culpa do seu chocolate a causa da miséria nos países africanos cujos antigos líderes se alinharam aos soviéticos, mas sob hipótese alguma vão lembrar e insistir que algo de bom e repleto de esperanças pode haver ali, vão focar no consumo, te fazer sentir culpa por comer chocolate, enquanto embolsam os lucros dos anúncios. Esses doodles que aparecem neste artigo, são montagens que eu mesmo fiz no simples e arcaico paint brush. Se eu fui capaz de fazer, vocês tiram de letra.