24/04/2010

Ditadura dos Coitados

Urbano está amargurado. Jamais tinha entrado em uma delegacia, imagine figurar como réu em um tribunal. Seu único crime foi ter dito "É só deste pretinho eu gosto", no pátio da faculdade, mostrando o Phebo Patchouli que comprou e usa desde criança. Urbano sempre foi liberal, de um bom senso raro e personalidade refinada. Cresceu se acostumando a relevar pilhérias e levá-las como tal, não como ofensa. Mãe alemã e pai irlandês, aprendeu desde a mais tenra idade a valorizar o trabalho honesto e ter alergia à palavra "aposentadoria". A mãe sempre lhe podou a vaidade, para que sua beleza não lhe subisse à cabeça e se tornasse fútil, o pai sempre dizia "Faça por merecer" quando lhe pedia um brinquedo.

Alto, forte, louro-mel, olhos azuis brilhantes, queixo talhado a machado, peitoral avantajado e uma inteligência muito desenvolvida, além da voz de Elvis Presley que deixa colegas de faculdade e funcionárias delirando. Apelido: Capitão América, mas também o chamam de "iô-iô", "Rei Leão", "Fedido", "Feioso", e mais uma dúzia de apelidos que ele leva na esportiva.

Foi educado desde que aprendeu a andar para que se colocasse no mesmo nível dos demais, apesar de a bondade divina o ter superdotado de beleza tanto quando de porte físico e inteligência. Seus pais foram bem sucedidos, talvez muito mais do que uma sociedade que preza o "coitadismo" é capaz de tolerar.

Medita enquanto o advogado de acusação tenta convencer o juiz de que ele ofendeu propositalmente todos os negros do país. Ele sabe que vai dar em nada, a argumentação é ridícula, baseada simplesmente da inveja de uns e na paranóia de outros. Mas o constrangimento pelo qual está passando é prato cheio para muita gente.

Alegam que ele jamais participou dos movimentos estudantís, omitindo o facto de estar sempre trabalhando nas empresas da família, que em suas férias sempre prefere ir para a Região Sul do país, que viaja para a Europa e nunca esticou para a África, e outros do mesmo teor. Desconsiderando que Urbano é casado, o acusam de preterir as moças negras (ou cidadãs afrodescendentes, como preferem) nos flertes. Chegam ao cúmulo de afirmar que ter se casado com uma loura é uma tentativa para "purificar sua raça".

"Raça"... Aprendeu desde moleque que todos os humanos têm quarenta e seis cromossomos. Ficou furo da vida quando o governo instituiu "Quotas de raciais", foi a institucionalização do racismo.

Os mesmos grupos de "direitos humanos" que agora tentam tomar-lhe os cobres e desmoralizá-lo, viraram as costas quando um de seus motoristas, que era negro, foi assassinado em serviço, mas não tardaram a defender o assassino como "vítima da sociedade capitalista". Aquele rapaz tinha sido tirado de uma favela, teve menos chances na vida do que o seu algoz, mas preferiu prestar. A família está sendo amparada pelo seguro da empresa, porque o Estado coitadista não tem pressa nenhuma em pagar-lhe indenizações por ter falhado naquilo que é bem pago para fazer.

Urbano olha para a advogada, para a esposa, pensa nos pais e erege sua postura. Quando o juiz lhe dirige a palavra, ele é taxativo: Gasto mil reais para que não me roubem um centavo. Nunca fui sectarista e nunca pedi ajuda do governo para conseguir nada, assim como minha família, meus amigos e meus funcionários. Me acusam de racismo por fazer o mesmo que eles dizem fazer, cultivar minhas raízes e me comportar conforme meus pais me ensinaram. Ter me referido a um sabonete como "pretinho" não deveria ser motivo nem para ofensa, quanto mais para um processo. Sou sim, contra quotas, tenho amigos (então) muito pobres que fizeram por merecer o ingresso à faculdade, mas por não serem considerados "discriminados" nunca tiveram ajuda de espécie alguma. Se ofender deliberadamente fosse motivo para acusação, eu já teria processado todos os que me acionaram, mas meus pais me ensinaram a não agir como criança depois dos doze anos, porque aos doze eu já estava me tornando um homem e é assim que me comporto. Veja o meritíssimo o que causou tudo, chamei de pretinho um sabonete preto, não me referi a ninguém, me referi a uma coisa que esfrego no corpo para me lavar. Já processaram um pobre blogueiro por causa disso, não basta? Se fosse vermelho um ruivo poderia me processar?

Não delonga. Chega a vez da defesa, que mostra vídeos internos da faculdade, históricos do rapaz, depoimentos de quem realmente o conhece. É absolvido, como já esperava, mas não pode dizer que a vida acadêmica será como antes. Doravante, para evitar problemas, não cumprimentará mais certas pessoas para que não lhe distorçam as palavras, levará os amigos para outros lugares para que possam conversar sem medo. Nunca imaginou que não gostar de algo pudesse causar problemas. É pressionado para assumir uma homossexualidade que não tem, para assumir um machismo que não tem, olhado torto por suas roupas "de branco conservador", por sua família "perfeitinha", enfim, por não ser de nenhuma "minoria secularmente oprimida".

Volta para casa, onde a mãe já é tranqüilizada pela nora via telemóvel. Mas se pensam que vai mudar uma vírgula de sua vida para agradar aos "coitadinhos" neuróticos, estão esperando ovo de galo. Já basta ter que financiar com seus impostos os que o denigrem.

16/04/2010

Como envergonhar um país


Comece desprezando a prata da casa. Tudo o que se faz aqui dentro não presta e ponto final. Nada de argumentação técnica, pesquisa ou mesmo ouvir conselhos de quem entende do assunto, não presta e pronto.
Quando for encomendar um carro de representação, esqueça que a indústria genuinamente nacional pode providenciar um do jeito que se quiser, vá directo para um importado sem dar satisfações. O mesmo se precisar de um avião novo, afinal, quem já ouviu falar de um filme estrelado por um Embraer? Esqueça que na segunda metade dos anos 1970 nós conseguimos construir um computador totalmente nacional, sem um pitaco estrangeiro sequer, ainda que defasado na época, foi conquista de um país que então não recebia pelota nenhuma do primeiro mundo. Se é daqui, não presta e ponto, e humilhe publicamente quem discordar.
Entidades tradicionais devem ser esquecidas, servir apenas para cabide de empregos. O povo precisa perder totalmente a confiança em autarquias tidas como felizes excessões, em um país carente de bons serviços. Afinal, se o povo não confiar, não vai usar e o pessoal beneficiado terá que trabalhar (ainda) menos. Alardeie investimentos que jamais chegarão aos finalmentes, fazendo que que seja palavra contra palavra, quando a imprensa desmentir.
Soluções maravilhosas como trólebus não são essenciais, ao primeiro problema que um só der, terá o pretexto para desactivar ao menos a maioria. Nem pense em disseminar o meio de transporte pelo país, o povo ficaria orgulhoso de ser brasileiro. É para tirar quase todos das ruas e deixar o restante ser sucateado. Ferrovia? Não me faça rir. Alavancaria o país em três tempos e o povo passaria a gostar de ser brasileiro.
Aeromóvel? Nem pensar. Lembre-se, é invenção brasileira, então não presta. Além de ser muito simples e confiável, não geraria os problemas sérios de que precisamos. Deixe tudo o que nossos pesquisadores conseguiram sem apoio nenhum cair no esquecimento, para que algum estrangeiro consiga a patente por uma ninharia e se vanglorie, depois importe a "inovação".
Faça piadinhas impróprias e sem fundamentos, como chamar escancaradamente os portugueses de burros, dizendo diante das câmeras que eles não produzem nada e não têm senso de humor, ou ainda faça piadinhas de nazismo em solo alemão, é vergonha nacional garantida, principalmente se vier de uma pessoa pública. Nem precisa sair do país, na verdade, demonstre toda a tua ignorância dizendo que Cuiabá é a capital de Goiânia, prove toda a tua futilidade tecendo comentários sobre tribos indígenas e passagens de boiada no centro da cidade.
Aliás, louve a ignorância, não só a falta de diploma. Menospreze a philosophia, tratando-a como conversa de gente metida a besta. Fale palavrão diante das câmeras sem motivo algum, só para parecer descolado, macho, autêntico ou outra desculpa esfarrapada que estiver em voga. E como conhecimento e cultura são supérfulos, defenda menininhas mimadas que se prostituem por prazer e incentivam à prostituição. Afinal os trouxas que se aprimoram e trabalham sustentam tudo isto, já que não têm tempo para verem as asneiras que vocês fazem. Incentive seus filhos ao descaso com a educação, já que a escola é obrigada a passá-los de qualquer jeito mesmo.
Se um Secretário de Estado vier preparar a vinda do Chefe de Estado ou Governo, esnobe sem dó, nem olhe na cara. Diga que só fala com quem é do seu nível. Se for espectador, aplauda como se fosse uma demonstração de liberdade nacional perante o imperialismo estrangeiro junto à comunidade mundial ao nível de ideologia no contexto com gravura. Invente uma besteira qualquer, é preciso justificar o vexame para incentivá-lo.
Alimente estereótipos. Rio de Janeiro é bunda de fora, Salvador é preguiça, São Paulo só tem gente malcriada e arrogante, Porto Alegre é gente fria e insensível, Belém é terra de ninguém e o Brasil é só litoral. Rico e pobre não podem ser amigos, homem e mulher só podem ser amantes, quem não gosta de futebol não tem direito de ser homem e todo praticante de artes marciais é marginal. Mas tudo isto em público, é preciso disseminar a alienação em rede nacional, para que as pessoas passem a tomar tais cretinices como normais. Diga que meninas de quinze anos já têm bundão e peitão, então deve ser certo um homem maduro transar com elas, na verdade é obrigação do sujeito. Dane-se que suas cabecinhas ainda sejam de meninas, guie-se pelas aparências e por sua torpe capacidade de julgamento.
Proteste contra a ditadura que terminou já há um quarto de século, talvez tu nem tenhas nascido ainda, mas faça vistas grossas de o governo se aproximar de regimes totalitários sangrentos, depois saia por aí berrando palavras de ordem. Se tua praia for a de direita, tudo bem, faça exactamente o mesmo, só que trocando de lado, dará na mesma, fará a Pátria Mãe Gentil enfiar a cabeça no avental de vergonha. Tudo isto com divulgação, de preferência via internet, para o mundo inteiro ver o quanto brasileiro é idiota.
Chore de ansiedade pelos próximo elenco de algum reality show, quanto mais permissividade e baixaria melhor, mas não dê a mínima para os apelos de
iniciativas nobres e sem fins lucrativos. Gaste os tubos com ligações para microphones de onde só sairá escatologia da pior origem, depois reclame que o governo não sustenta instituições de caridade, mas reclame xingando, senão não vale.
Por falar em governo, as eleições estão próximas. Reeleja quem já se viciou em mamatas, troque teus votos por um benefício qualquer, alicie toda a família em troca de um carguinho no tricentésimo escalão. Alegue que todo mundo faria o mesmo no teu lugar e dê os ombros para quem deveria receber a verba desviada, depois vá às câmeras defender o teu candidato, pois se ele afundar, te leva também.

Só mais uma cousa, para de ler este blog, ele é patriota até a medula.

10/04/2010

A cidade não deveria dormir

Megalopoles como a Cidade-Estado de São Paulo é uma das felizes excessões no país, que mesmo assim não têm tudo o que poderiam ter.
Imaginem a inexistência de horários de pico, uma vez que o fluxo seria distribuído ao longo das vinte e quatro horas do dia. Para começar, não haveria mais estresse ao volante, o motorista encontraria poucos carros à sua frente e encontraria facilmente vagas para estacionar. Ao sair, o trânsito moderado permitiria ir embora sem as grandes demoras. As pessoas poderiam, assim, sair um pouco mais tarde de casa, devidamente alimentadas, e voltariam bem mais cedo. Só lembrando que Sampa tem linhas de ônibus que chegam a sessenta quilômetros de itinerário, pensem o sofrimento de quem mora no extremo sul e trabalha do extremo norte da cidade; mora no ônibus e vai dormir em casa.

Haveria muito menos poluição. O trânsito mais fluido evita o anda-e-pára dos carros, permitindo velocidades de cruzeiro mais altas e em marchas mais longas. As emissões não só ficariam distribuídas ao longo do dia, facilitando a dissipação, como seriam muito menores, ocasionando menos doenças aéreas e ópticas, poupando inclusive serviços de saúde pública. Esta, aliás, seria beneficiada também pelo número muito menor e menos grave de acidentes, também evitando faltas prolongadas ao trabalho; crucial para profissionais liberais.

São Paulo tem serviços ininterruptos, e muitos, mas deveriam ser todos. Triste de nós, que só fazemos o que precisamos em poucas horas de prazo.

Encontrar uma agência com guichês funcionando vinte e quatro horas por dia é um sonho, então imaginemos um expediente de dezesseis horas, as outras oito ficariam a cargo de serviços burocráticos internos. Com bancos funcionando das seis às vinte e duas horas para o público, não haveriam mais filas imensas, um cheque emitido no fim da tarde de sexta-feira não seria mais um problema para o comerciante. Com menos clientes para vigiar, a segurança bancária seria mais eficiente e o seguro um pouco mais barato. Sair do trabalho sabendo que há um caixa pronto para auxiliar no pagamento das contas, um gerente pronto para esclarecer dúvidas e ajudar com investimentos, testemunhas em bom número para reduzir as chances dos meliantes; psicólogos e psiquiatras poderiam se despreocupar com doenças crônicas e tratar da melhoria pessoal de seus pacientes.

Escolas públicas funcionando em quatro turnos atenderiam devidamente o cidadão. Porque há Secretários que pensam que todos acordam às oito horas e voltam de carro no fim da tarde. As salas ficariam menos cheias, professores gritariam menos para serem compreendidos, os alunos ficariam menos anônimos na multidão de colegas e todos se entenderiam melhor. Com as escolas sempre movimentadas, depredações e furtos seriam menores e menos freqüentes.

O transporte público ficaria desafogado. Se apenas um quinto dos usuários fosse para a madrugada, o aperto dos ônibus se tornaria perfeitamente suportável nos outros períodos, talvez até desaparecesse em certas épocas. Com menos gente para embarque e desembarque, se perderia menos tempo com o veículo parado, consumindo combustível e gerando ruído desnecessários, o fluxo seria mais ordeiro e mais uma vez os meliantes sairiam perdendo, pois se aproveitam justo de tumultos para fazerem o que não presta. Precisa falar que os motoristas sairiam do trabalho menos neuróticos? Daria até para apreciar a paisagem, cousa que hoje quase ninguém faz, mas areja muito a cabeça.

A televisão teria que rebolar, porque já não existiria mais o tal "horário nobre". Bons filmes e boas séries teriam que ser distribuídos ao longo do dia, facilitando a vida do trabalhador. Aliás, com boas produções disponíveis a qualquer momento, o senso crítico do espectador acordaria, não duvidem que a maioria dos programas sairia do ar em três tempos: surpresa, negação e demissão. uma mente descansada é menos susceptível a baixarias. E aqueles filminhos barra-pesada, heim... Se hoje a garotada burla a vigilância dos pais, imaginem neste cenário. A programação teria que ser aprimorada sem choro nem vela.

Já citado em trechos, o criminoso sofreria mais. Haveriam sempre muitas testemunhas, sempre alguém escondido o bastante para apertar o botão de pânico do celular, já há câmeras embutidas em canetas a preços razoáveis, sempre haveria alguém em um carro potente para photographar e cascar fora, facilitando a captura dos marginais. A polícia sempre encontraria alguém que acabou de ver para onde o filho de uma coitada (que de vida fácil não tem nada) foi. Depredadores e pixadores seriam rapidamente localizados, teriam menos onde se esconder e o risco de depararem com o lutador que os flagrou pixando seu muro seria muito maior. Menos vandalismo, menos prejuízos para o cidadão e para os cofres públicos.

Os apartamentos do centro valorizariam sensivelmente. Menos poluição, menos barulho, menos criminalidade, as janelas poderiam ficar sempre abertas, para o morador do edifício aproveitar a vista que sua residência oferece. Um horizonte sem fumaça, um fluxo ordenado de carros, quem sabe dons artísticos sufocados pela metropolopatia emergem.

O judiciário funcionando sem parar é o sonho de todo envonvido em alguma causa, principalmente advogados, que teriam mais tranqüilidade para analisar e se valer de pareceres. Não haveria mais a figura (até certo ponto discriminada) do plantonista, de um ocaso ao outro seria semrpe horário de serviço e todos teriam a companhia dos colegas, não só juízes, mas de todas as altarquias. Solidão forçada é triste.

Indo um pouco mais além, imagino um mundo em que as folgas semanais seriam individuais, ou no máximo divididas em grupos profissionais. Todos teriam seus dias de descanso, todos teriam suas folgas, todos teriam o lazer que merecem e de que até os iluminados necessitam, mas a cidade jamais pararia, as oscilações de movimento não comprometeriam a viabilidade econômica dos negócios, que poderiam ser melhor estruturados.

De cara, uma cidade que não dorme em ramo algum ficaria mais rica. Porque não é somente a quantidade de dinheiro que produz riqueza, mas a velocidade com que ele circula. O trabalho ininterrupto aceleraria de modo vertiginoso a circulação de capital, fazendo a mesma quantidade de papel-moeda comprar muito mais, reduzindo o custo unitário de productos e serviços, com ele o custo de vida. A geração de empregos seria natural, pois haveria demanda por serviços, talvez até a necessidade de importação de mão-de-obra.

Mais do que estudos de viabilidade técnica e econômica, seria preciso haver mudança de mentalidade para instalar este cenário, porque uma vez feito, as pessoas passariam a ter mais acesso à cultura e ao conhecimento, para desespero do grosso dos políticos. Mas se quiséssemos, o faríamos hoje, porque as pessoas precisam dormir, não as instituições.

03/04/2010

Sou pago para vadiar

Mas não vadio. Talvez seja este o meu problema.
Como o atendimento ao público começa uma hora depois de iniciado o expediente, eu poderia chegar atrasado e assinar o ponto sem medo.

Poderia me apresentar ao serviço apenas duas ou três vezes por semana, que qualquer tentativa de punição seria facilmente revertida em indenização, porque a lei do funcionalismo público me ampararia.

No decorrer do expediente, eu poderia sair sem prestar satisfações para fazer o que bem me proviesse, se fosse mulher poderia marcar salão e esticar até o shopping.

Ninguém me repreenderia se eu passasse a manhã perambulando pelos corredores, jogando conversa fiada e reclamando da miséria que a prefeitura nos paga, logo viria alguém ligado a algum sindicato me apoiar e a discussão duraria até a hora de fechar. Se eu estivesse com papelada nas mãos, então é que ninguém me incomodaria, pois em uma repartição pública ninguém sabe o que o outro está fazendo, então ninguém poderia dizer que eu não estaria trabalhando.

Se o contribuinte ligasse e eu o repassasse imediatamente, sem sequer dizer "alô", para outro departamento, ninguém daria a mínima. Todos fariam o jogo do empurra até o coitado desistir. Se ele fosse à televisão, melhor ainda, a reportagem registraria nossas precárias condições de trabalho, a papelada parada por falta de pessoal, as viaturas com problemas e a chefia sempre interrompida por uma reunião de emergência, que nunca dá em nada.

Por falar em reunião, eu poderia me disponibilizar para freqüentá-las e assim teria mais motivos para cultivar o ócio, pois quase sempre são eventos em que todos falam demais, retorizam demais, acham demais, se magoam demais, para no final se marcar a próxima reunião, a fim de dar andamento ao que não foi discutido; ou seja, tudo.

Qualquer machucadinho me valeria um atestado médico, bastando levá-lo com antecedência à divisão operacional, o que me renderia três dias de papo para o ar, corrompendo assim um direito que deveria apenas resguardar a saúde do trabalhador. Mas quem se importa?

Vai haver protesto? O contribuinte que se lasque! Será um dia inteiro com o álibi perfeito para vadiar e ao mesmo tempo agir em causa própria, ninguém pode punir alguém por reivindicar direitos trabalhistas.

O colega não fez o seu trabalho? Maravilha. Basta eu folhear peças e processos, coçar a cabeça de vez em quando e fazer as caminhadas pelo departamento, porque a culpa será toda dele. Aliás, a culpa será deste governo corrupto e reacionário, que explora o trabalhador assalariado em prol dos interesses bla-bla, bla-bla, bla-bla...

A culpa sempre seria do outro, mesmo que o outro não exista. Se fizesse tudo isto, eu seria muito popular.

Só que eu não fico de papo pelos corredores, não sei das últimas bobagens inúteis da televisão, não falto ao trabalho mesmo (isto em mim é crônico) com a cabeça estourando, não perco as preciosas horas da manhã alimentando intrigas internas, não desisto de um trabalho se o procedimento padrão não funcionou, e geralmente não funciona... É triste ter que admitir que, às vezes, o Boris Casoy tem razão. Tenho certeza de ter inimigos não declarados por isto.

Hoje eu votaria pelo fim da estabilidade do servidor público, ao menos do jeito que está não deveria permanecer. Porque quem quer fazer hora extra, e o contribuinte sempre precisa de hora extra, não recebe e às vezes é proibido, mas quem entra mais tarde e sai mais cedo não tem um centavo de desconto, mesmo sem se justificar. Quem quer fazer o que a honestidade espera de um servidor púiblico é trouxa, pelego, uma persona non grata no ambiente. Estamos na iminência de perder colegas de grande valor por isso, e ninguém dá a mínima.

27/03/2010

Elegância Simples

Não sou um ícone no assunto, mas aprendi com a vida, e com gente realmente elegante, o suficiente para passar de modo conciso e objectivo o que quero dizer.

Não tente agradar. Adulação pode parecer natural em uma época em que todos têm medo de parecerem politicamente incorrectos, ainda mais que o simples não gostar pode render um processo para quem declara não gostar. Mas se formos pautar nossas vidas pelos neuróticos, ficaremos tão doentes quanto eles. É direito de qualquer um não gostar e dever de todos respeitar a posição alheia. Não agrida, mas seja natural. Até porque se fingir que gosta, vão acabar te empurrando algo que vai te fazer passar mal.

Não exceda o seu espaço. É perigoso se arriscar a dar uma cotovelada em alguém de quem não se conhece a índole. Gestos amplos são para quem tem domínio do próprio corpo e excelente noção de espaço e tempo, além de senso de oportunidade. Isto é para poucos, bem poucos. Dançar permite expressar em movimentos amplos, rápidos e fortes, por isto exerce tanto fascínio. Por falar nisto...

Dance. A dança disciplina, refina os modos e fortalece tanto os músculos quando o controle sobre os mesmos. Dançar sociabiliza, produz benefícios físicos, psicológicos espirituais, o Rei David que o diga. Não é preciso freqüentar aulas de dança, nem se tornar um Fred Astaire, o andar firme e suave de quem dança habitualmente já sai do anonimato.

Não abaixe a cabeça, não empine o nariz. Andar com os olhos nivelados evita tombos e cabeçadas, mostra que estás com os pés no chão e tens planos em andamento. É uma demonstração de atitude firme sem agressividade. Não seja arrogante com os humildes, nem humilde com os arrogantes; é uma lição milenar que tem todo o fundamento do mundo. Não devemos nos contaminar, mas devemos falar o idioma que o outro entende, por mais desagradável que nos pareça, ou a comunicação não se dá. Além do quê, tratar bem quem se apresenta em uma aparência de inferioridade social arregimenta bons amigos, as pessoas humildes jamais se esquecem de quem lhes disse "bom dia" com simpatia, principalmente se o cumprimento sai de quem está subindo na vida. Jamais se esqueça: É o povo que sustenta a elite, não o contrário, por isto é de bom tom tratá-lo bem e atentar à próxima lição...

Empregados não são sua propriedade. Respeitar seus limites não é perda de autoridade. Exigir demais deles é criar inimigos que circulam pela tua casa, pela tua empresa e conhecem a fundo todos os teus hábitos. Na primeira oportunidade, um empregado ressentido não vai hesitar em entregar os pontos fracos do mau patrão ao seu desafeto.

Pratique a discrição. Não ande com mais do que o necessário, ostentação só atrai a simpatia dos exploradores, que vão te abandonar assim que conseguirem o que querem, ou outro tolo mais rico acenar com o dedo. Há uma grande diferença entre ter vários celulares para atender a compromissos absolutamente distintos, e tê-los porque ninguém mais os tem ainda. Se te incomoda um telephone tocar no meio de um filme, ou da aula, imagine vários aparelhos apitando ao mesmo tempo. Ostentação é o sinal verde para gatunos agirem.

Não grite. Não pense que a tua surdez é contagiosa, os outros estão ouvindo e ninguém gosta de ser maltratado.
Modere seu consumo. Não é conversa de bicho-grilo. Muita gente compra porque pode comprar, sem aproveitar devidamente o que comprou. Muita gente come porque o estômago ainda não sinalizou que está cheio, pois ele leva vinte minutos para fazê-lo. Muita gente bebe porque ainda não se sentiu bêbada, e depois pega o carro. Comprar poucos objectos de valor artístico, tecnológico, histórico, cultural, é garantia de não se arrepender da compra. Um carro que passa de geração para geração tem um valor que o tempo e as crises não levam, só quem tem sabe. Há diferenças entre preservar uma coleção e trocar de carro pelo status de ter um novo a cada seis meses é, inclusive, o caráter que resulta do hábito. Compre tudo o que precisar, mas dependendo do teu projecto de vida (se o tiver) a lista pode até desaparecer.

Dê o que lhe sobra. Não vai lhe fazer falta mesmo.

Estude sempre. Não falo simplesmente de freqüentar aulas ou simpósios pomposos com diplomas floreados. É crescente a quantidade de fornandos que não sabem conjugar correctamente um verbo no presente. Estudar mantém o cérebro sadio , te dá motivos reais para viajar, experimentar novidades, comprar algo ou simplesmente tratar de um assunto. Facilita assim raciocinar e aceitar diferenças, facilitando o hábito da boa educação e da cortesia.

Se informe. Não é obrigação de ninguém saber de tudo, mas do que faz diferença na vida das pessoas é necessário. Saber que a pessoa passou por um trauma, uma separação ou um luto, evita tocar a ferida sem necessidade. Mas se puder ajudar, prontifique-se. Fofoca de pseudocelebridades não é informação útil.

Trabalhe. Trabalhar só é vergonhoso onde a corrupção é tida como cultural e natural, o que não é verdade. Saber o quanto custou o quê, de onde veio o dinheiro e quanto custa ganhá-lo é uma lição de ouro para os filhos. Se puder trabalhar até o fim da vida, não se aposente, a tua sanidade vai te agradecer por isso. Uma pessoa útil é mais admirada por quem realmente importa.

Aceite ajuda. Isto não só resolve o teu problema, como também faz o outro se sentir útil, e na maioria das vezes é o que impede alguém de dar cabo de si mesmo. Mas não use isto como pretexto para explorar alguém, exploradores deste naipe têm tapetes escorregadios.

Ajude. Isto não só resolve o problema do outro como o faz se sentir querido, e muitas vezes é o que o impede de dar cabo de si mesmo. Mas não vicie o outro na tua ajuda, ajude-o a sair com suas próprias pernas da situação.

Durma. O corpo precisa ficar no modo de espera por algumas horas, é tão necessário que a falta de sono é considerada doença. Sem ver o mundo material ao seu redor a contento, não vais conseguir discernir direito o que fazer ou não.

Sorria. Dói, muitas vezes dói muito e eu sei o quanto. Mas é necessário se apresentar bem, uma carranca estraga qualquer figurino, ao passo que um sorriso singelo ofusca um corte mal feito.

Dê sempre o seu melhor. Se não adianta dar tudo de si, imagine se não o fizer. Quem dá sempre o seu melhor no que faz, brilha sempre.

No final das contas, de um assunto para o qual não existem páginas suficientes, o básico da elegância se resume ao que as mulheres nos dizem, em tom de humor cáustico: Tente Perturbar Menos. O resto se aprende fácil.

20/03/2010

Da não liberação das drogas


A alegação de que a descriminalização reduziria o poder do tráfico esbarra na mesma questão dos jogos de azar, o próprio Estado oferece e dá concessões de jogos, mesmo assim os cassinos clandestinos continuam existindo. É assim com qualquer vício. Não se trata de questão social, o indivíduo parte para a clandestinidade para lucrar mais, fazer o que bem entender sem ter que dar satisfações, até ser descoberto e preso, é claro. O traficante não quer um meio para sustentar sua família, ele quer dinheiro e poder, não importa a que custo.

Quando se fala no assunto se esquece, ainda, que não bastaria autorizar e sair ao primeiro supermercado para comprar um maço do baseado. Tratamos aqui de entorpecentes fortes, que na legalidade estão sujeitos a regras rígidas. Já vi pharmácias de manipulação tradicionais fecharem e seus responsáveis técnico e legal serem presos, enquadrados em tráfico de entorpecentes, porque um balconista mau caráter vendeu mais anabolizantes do que todo o Estado de Goiás seria capaz de consumir, para uso terapêutico.

Na hipótese da legalização, os productos só poderiam ser produzidos ou importados, distribuídos, manipulados e vendidos no varejo por estabelecimentos credenciados. Seria necessário ter um livro electrônico para registro de entrada e saída de matéria-prima e doses prontas, registro de talonários de receitas B2, presença de um pharmacêutico durante todo o período de funcionamento do estabelecimento, alvará sanitário, caderneta de registro de irregularidades, responsáveis técnicos capacitados, enfim, toda uma estrutura que custa caro erguer e manter, e que reduz muito os bons lucros que o ramo de medicamentos permite. Um estabelecimento legalizado dá satisfações até mesmo do modo (não estou brincando) como a mobília é disposta.

O fornecimento de matéria-prima só poderia ser feito por indústrias legalizadas, que têm custos altos. Não tanto quanto os lucros, mas têm. E quando eu digo "custos altos", é como comparar um jogador de basquete com um jóquei. A legislação é dura e actualizada com freqüência. Quem se acostumou a ganhar muito sem sequer tratar direito o consumidor, não vai abrir mão do lucro fácil e rápido para se adequar às normas sanitárias e tributárias, principalmente às tributárias. O poder vicia, raras pessoas estão preparadas para ele e os traficantes não estão, por isto são dependentes dele.

Agora, na remotíssima, praticamente folclórica descriminalização para uso recreativo, a lei seria novamente um entrave. A constituição preconiza a igualdade de todos perante a lei. Se os traficantes puderem oferecer livremente seus entorpecentes, então os laboratórios também poderão. Se tu podes comprar um papelote de qualquer pó na esquina, então as tarjas de controle serão banidas. Drogarias e pharmácias poderão vender livremente e por preços menores, substâncias alucinógenas, anorexígenas, enrtorpecentes e outros. Por que? Porque eles têm estrutura para isto. Uma indústria compra toneladas diárias de substâncias químicas e princípios activos, com isto o custo unitário de cada dose é baixíssimo. Uma empresa legalizada tem condições e obrigação de oferecer garantia daquilo que vende. Quantos usuários já não reclamaram de haver farinha no meio do pó, ou morreram de imediato porque havia veneno misturado? Um estabelecimento legalizado seria duramente penalizado até mesmo por um mal-estar não descrito nos efeitos colaterais, constantes na bula. Ah, sim, haveria uma bula informando até mesmo o que fazer em caso de adversidades. O preço inclui a verba para indenizações. Na legalidade se exige um padrão mínimo de qualidade e seu monitoramento permanente, tanto a matéria-prima quanto o producto acabado devem permanecer em condições climáticas favoráveis à sua preservação. No caso do uso ilegal, se cair na rua, todo mundo foge para não levar a culpa. Climatização e limpeza não estão nos planos de um traficante, indenização então, nem pensar.

Com o poder da mídia a seu favor, as empresas legalmente estabelecidas poderiam fazer uma campanha maciça, vibrante, algo como "Seu barato não pode sair caro" ou "Viva para o próximo barato". Esmagariam rapidamente os vendedores ilegais, que assim teriam que passar a ser empregados ou arranjar outro emprego. Francamente? Eles arranjariam outra actividade ilícita para ganhar dinheiro fácil e poder dar demonstrações de poder. Talvez passassem a assaltar drogarias para continuar vendendo a preços competitivos.

No caso do usuário, ele poderia alegar que ninguém tem nada a ver com a sua vida somente se vivesse em uma caverna, no deserto, longe de todo mundo. Mas enquanto estiver em meio social, vai onerar o erário que nós provemos. Vai consumir força policial, jurídica e as já precárias prestações de serviço da Saúde Pública, porque não se sujeitaria aos trâmites do uso legalizado. Um viciado entorpecido pode ser considerado como um bêbado bastante piorado, com todas as conseqüências inerentes para a comunidade. Doses de entorpecentes registrados são controladas para fazer o efeito necessário e manter o paciente vivo, e mesmo assim ocorrem casos fatais. Entorpecentes ilegais são preparados para suprir a necessidade de doses cada vez maiores, não importa a que preço.

Por tudo o que disse, ainda que o Fungando Henrique Cheiroso seja garoto-propaganda, as drogas actualmente ilícitas não poderão ser liberadas tão cedo, não enquanto não houver controle sobre o tráfico e de modo algum para fins recreativos. Não se trata de ser careta nem de querer tolher a liberdade alheia, mas de saúde e segurança públicas. Se trata de ser o que se passa a ser aos dezoito anos: adulto. Reconhecer que o mundo não existe para suprir nossos prazeres e que estes devem ser conseqüências de alcançar um objectivo, não o objectivo. Isto faz parte de ser adulto.

Sou particularmente a favor do uso terapêutico dessas substâncias, sei muito bem o bem que o uso correcto proporciona. Mas no contexto em que vivemos não dá. Controlar o crime organizado pode abrir caminho para legalizar o uso útil das ervas hoje proibidas, o que depende muito dos usuários, mas simplesmente liberar não vai reduzir a criminalidade. Sim, é certo que existem empresas de fachada, legalizadas apenas para camuflar o tráfico, mas mais hora, menos hora elas caem. Sua existência não constitui argumento pró descriminalização.

Se alguém quer fazer uso de entorpecentes de modo seguro, com o devido amparo, que procure um psiquiatra. No decorrer do tratamento as doses serão ministradas com critério médico, até ele saber exactamente o que fazer. Asseguro que em pouco tempo ele traz a tua maturidade à tona e a vontade passa. Vida de adulto não é tão chata como fazem parecer, chato é adolescente ganhar idade, querer liberdade e não querer assumir os ônus da vida adulta.

13/03/2010

Venceu? Para o lixo!


Medicamentos não são productos comuns, tanto que quase todos não podem ser devolvidos à drogaria ou à pharmácia, como se faria com um pacote de biscoitos. O estabelecimento pode aceitar o medicamento e trocá-lo por outro, mas não pode colocá-lo de volta para vender, precisa necessáriamente ser encaminhado para o descarte adequado: incineração. Terá que assumir o prejuízo.

Incinerar, aliás, é o único destino que temos para resíduos fármacos e cirúrgicos. Há empresas especializadas no assunto.

Um medicamento é um princípio activo altamente sensível ao ambiente e à temperatura, é praticamente impossível prever no que vai se transformar quando jogado no lixo comum. O certo é que vai poluir o solo imediatamente, assim que seu invólucro for rompido. Do solo segue para o lençol freático, contaminando a água que nós vamos beber. Desnecessário dizer que a evaporação tornará até mesmo o ar local tóxico.

A prefeitura de Goiânia fez, com alarde, uma campanha para o recolhimento de medicamentos vencidos. Em princípio todos os postos de saúde e a Vigilância sanitária recolheriam medicamentos de contribuintes para dar o destino correcto. Apesar do alarde a campanha não foi direcionada adequadamente e levou a imprensa a divulgar que seria só por um curto período, o que não era verdade, mas se tornaria logo em seguida.

Meses depois os postos de saúde já não "sabiam da campanha". Seus funcionários, que antes recebiam os resíduos da população, então nunca tinham ouvido falr a respeito. Restou a Vigilância Sanitária que, em um ano, também parou de aceitar.

Agora a parcela consciente da população, que infelizmente é pequena, terá que retomar o insalubre esquema de amarrar os medicamentos vencidos em sacolinhas e torcer para que a parte perigosa se degrade antes de o plástico ser dissolvido. Ou antes que a falta de cuidado dos operadores rasgue as sacolinhas.

Uma alternativa, para a clientela mais assídua e com alguma intimidade com o estabelecimento, é conversar com a administração da drogaria e ver se a empresa aceita receber o resíduo, para que seja incinerado junto com o deles. Acontece que isto custa dinheiro, será difícil para o cidadão comum conseguir essa cooperação, ao menos não sem fazer uma baita compra no lugar.

Ignorando que agentes patogênicos poderão ser beneficiados, com mutações de bactérias, bacilos mais resistentes, et cétera, a prefeitura vira as costas enquanto programa inalgurações barulhentas e fartamente coberta pela mídia.

Aos que reclamam, eles dizem para a pessoa fazer um contracto com a incineradora. Isso, como já disse, é caro. Não é para o cidadão de classe média, que custeia os programas assistencialistas do país. Imagine para quem supostamente seria assistido, talvez nem saiba que remédio pode fazer mal.

Conheço gente que estava recolhendo medicamentos da família inteira, para entregar nos postos de saúde, mas agora ficará sem ter o que fazer. Lhe direi para conversar com o gerente da drogaria da qual é cliente antiga e tentar um acordo. Aliás, é o que digo a todos vocês que não têm, como nós, um prefeito interessado na saúde pública e no meio ambiente. Provavelmente vocês se verão obrigados a comprar mais, não necesáriamente medicamentos, mas cosméticos, talcos, alimentos funcionais, enfim... Ficou para nós fazermos o trabalho do Estado, como sempre.