14/01/2007

AEROMÓVEL


Li a respeito, pela primeira vez, em 1983, na revista Quatro Rodas. Mais de vinte e um anos se passaram até ler novamente sobre ele, na revista Eco Spy. Desde então, não tenho mais notícias.
O princípio é simples: Uma estrutura leve, dotada de rodas e uma vela, esta dentro de um túnel pelo qual corre o ar comprimido ou vácuo gerado por ventiladores eléctricos. Teóricamente pode passar de duzentos quilômetros por hora, mas o bom senso aconselha ir mais devagar, afinal é para transporte urbano. Existe uma linha em Porto Alegre e outra em Esteio (RS), que eu saiba as únicas no país.
Seria mais um sonho mirabolante para resolver o problema de transporte urbano, não fossem os detalhes:
  1. Foi idealizado e concebido por Oscar Coester, brasileiro que está resistindo às tentações de vender a patente para grupos alemães, ianques e japoneses, ele quer que a tecnologia fique aqui;
  2. É muito mais barato do que o metrô, não só para construir como para manter;
  3. A pista fica a cinco metros e meio de altura, facilmente acessível aos grupos de resgate, que não precisariam tomar qualquer precaução especial em caso de pane ou acidente;
  4. A construção é baseada em peças pré-moldadas, que são rápidas para montar e facilmente adaptáveis às condições do percurso.
A ausência de ruídos e trepidações torna a viagem confortável, particularmente preciosa para quem teve um dia de trabalho estressante. Nem me fale nos motores diesel dos ônibus, que por serem dianteiros, em sua maioria, estressam ainda mais os passageiros e, o que é pior, o motorista.
Por ter custos tão baixos, a passagem do aeromóvel também seria bem em conta. Para grandes empresas seria uma boa idéia usar o invento para a circulação de funcionários, correspondência e pequenas cargas dentro da propriedade, o mesmo se dizendo para o transporte de lavradores da cidade para a lavoura.
O senhor Coester se mostrou optimista na reportagem à Eco Spy, confesso que bem mais do que eu, pois nunca mais ouvi falar dele. Olha que já vai quase um quarto de século desde que tive a primeira notícia do aeromóvel, que teve seu primeiro protótipo bem sucedido feito em 1980 e foi concebido em 1959 (!) por esse verdadeiro herói da tecnologia nacional.
A idéia deste texto me veio antes de ontem, quando do incidente do metrô em São Paulo. Os custos elevados da empreitada não garantiram sequer segurança para os operários. Nas linhas do aeromóvel, bastaria verificar a resistência do solo nos locais onde as vigas (que só tomam meio metro de largura) seriam instaladas, a conclusão de toda a obra seria feita em poucos meses, talvez até os trechos já concluídos pudessem ser usados enquanto o trajeto todo não fosse inalgurado. Mas como eu disse em um dos primeiros textos desta página, o carro do presidente é importado, a despeito de haver gente e empresas brasileiras competentes para fornecer um veículo à altura do cargo, mantendo aqui as divisas e os empregos.
Grande parte da responsabilidade, porém, é nossa. A maioria de nós ainda acredita que o Estado teme um apresentador grosseiro e/ou alienado que solta palavrões e entrevista artistas que nada entendem do assunto, enquanto os programas televisivos que realmente fazem a diferença ficam jogados às traças; Só para citar um exemplo. Não adianta apelar às "autoridades", que estas estão muito ocupadas em ajeitar suas condecorações e ver no espelho se ficaram bem. Não tenho qualquer esperança nessa parcela mais medíocre do funcionalismo público. Ao contrário do inventor, minha única esperança é que nós tomemos a iniciativa de cutucar as devidas pessoas, fazendo-as sentir medo de contrair câncer de bolso ou de urna. Depois de anos tentando fazê-lo sozinho, espero que os caros leitores me ajudem nessa missão (ainda) ingrata.

2 comentários:

Lídia Chululú disse...

Nanael é CULTURA!
obrigada pelos elogios no meu blog.

Nanael Soubaim disse...

Lídia é sapiência. Os elogios foram merecidos 8)