25/11/2010

Meu manual pegou!

Em Abril de 2009 escrevi um texto (aqui) sobre o meu conceito de ser um homem romântico. Na época consegui alguma repercussão, dentro do que esperava de um blog secundário, escrito por alguém que não tem fama alguma. Depois quase esqueci do texto.
Em Junho deste ano começaram a contar os acessos, por meio de estatísticas. Passei a acompanhar e que surpresa a minha! O texto "Meu manual do homem romântico" era disparado o campeão de leitura. Na época contava com quase quinhentas visitas directas, aquelas que o sujeito faz de propósito e não porque estava passando, viu, achou interessante e resolveu dar uma olhada. Por algum tempo eu pensei que fossem sincronicidades, acidentes por buscas de palavras que acabaram levando aonde não se pretendia, mas não.
A reincidência é imensa! Há cerca de dez minutos já eram 696 acessos directos ao texto, nove vezes o segundo colocado, com palavras que só faltavam ser o link completo do artigo. Origem? Alemanha, Argentina, Canadá, Cingapura, Coréia, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido, enfim, um monte de países cuja figuração nas estatísticas coincide com os picos de acesso directo ao texto. Ou seja, há muitos brasileiros lá fora não só lendo, mas também recomendando.
Eu agradeço. Asseguro que fiz o manual com o maior carinho e nenhuma intenção secundária. Mas me deixou intrigado, porque há outros textos com teores parecidos e os mesmos também são, embora não tanto, acessados directamente. Nem imagino o montante de acessos anteriores à contagem e feitos dentro do próprio blog.
Eu sinto falta do bom romantismo de pés no chão. Eu tenho saudades de quando um assobio não era motivo para processo por assédio sexual. Eu me sinto mal em uma época na qual até bonecas infláveis recebem mais carinho do que uma mulher. Juro que pensava que fosse só eu! Quer dizer, pensava que só eu tinha coragem de assumir meu romantismo e que poucas mulheres davam valor a homens assim.
Vendo dramas de cartunistas como Allan Sieber, Benett e Laerte, que vivem enfrentando a ira de internautas agressivos, revoltados e gramaticidas, estudei o modo como eles lidam com a gratuidade estúpida dos ataques de machismo aleatório que hoje prolifera, e infelizmente chega a dar status. Ser fútil, animalesco, egoico e repulsivo, caros leitores, é a onda do momento. Pois desejo um naufrágio breve e em caráter perene, dos idiotas e de quem os apoia.
Está acontecendo ao mundo o que já era de se esperar, mas eu não imaginava constactar dentro desta casa. As pessoas estão sufocadas! Estão ansiosas em expressar seus sentimentos e já não sabem mais como. Enfrentam a hostilidade da maioria materialista e imediatista que ora domina os meios de comunicação, então ficam tímidas e buscam, talvez inconscientemente, um lugar para escape. Mesmo que seja um artigo curto e sem referências acadêmicas de um sujeito que não tem sequer diploma universitário. Tudo o que escrevi naquele artigo foi de experiência própria, do convívio com profissionais de saúde mental, de educação, de assistência social e gente comum. Agora descubro que tudo o que escrevi bate com a realidade de não sei quantas pessoas ao redor do globo. Não é de hoje que sei de academias de dança onde as mulheres precisam dançar umas com as outras, porque faltam homens que queiram praticar dança de salão. Pode parecer apenas o ocaso de uma prática antiga, mas a proliferação de festas e estabelecimentos afins prova que não é. Dança é uma expressão suprema, os que conseguem praticar regularmente também conseguem expressar seus sentimentos com muito mais facilidade, mas isto implica em abrir mão de uma armadura e geralmente também de uma máscara. Mas e o medo da rejeição? Pedir um ombro amigo se tornou sinônimo de fraqueza e senha certa para o ostracismo em muitos grupos, então muitos preferem contar vantagem de algo que precisaram pagar para obter. Só que não resolve, vicia e todo vício leva ao vazio existencial, cedo ou tarde; acontece cada vez mais cedo.
Coincidência ou não, com a iminência de guerras e hostilidade explícita entre nações recentes, os acessos cresceram e ficaram mais estáveis. A crise econômica que deve estar fazendo a Chanceler Merkel soltar palavrões inéditos, também ajudou a planilha.
O medo de não viver aquilo que realmente se quer e tudo acabar de repente é uma hipótese, mas que não pode ser generalizada. Acredito que a maioria viu algo que precisava ver, não necessáriamente que queria ver. Viu um sujeito se abrindo com certo critério, explanando de modo suscinto e sem adornos o que entende por romantismo e se identificou. A reincidência na leitura pode ser muito bem o desejo de assumir-se romântico, algo que passou a ser visto como anacronismo patológico, visto que muitos "profissionais famosos" só focam as virilhas, quando falam de romance, dizendo nas entrelinhas "se você não transar sempre, está ocupando espaço de outro no mundo". Não é de todo seguro praticar um estilo de vida que o status quo tenta enterrar a todo custo, mas asseguro que vale à pena. Na pior das hipóteses, a auto agressão de querer parecer o que não se é desaparece, com ela boa parte da descrença no mundo.
A pessoa que deseja assumir seu romantismo, o sem firulas nem delírios que descrevi, deve ser discreta, mas deve se assumir. As cousas de que gosta ainda são caras não só pela boa qualidade, mas também pela escala de produção ainda pequena. As canções que nos parecem dignas de serem ouvidas voltaram a ser produzidas, mas não saem das seções mais obscuras das lojas se seu público não se declarar vivo. Os programas de televisão continuarão a ser a boçalidade estereotipada enquanto os fãs de Audrey Hepburn não se mostrarem à luz do dia. Acreditem, aquela sim era mulher moderna de verdade. As revistas com o detalhamento útil de outrora permanecerão noutrora , enquanto seus potenciais leitores tentarem remediar com as porcarias sueprficiais que as editoras nos oferecem.
Me intrigou o número de leitores, sim, mas também me preocupou a motivação da leitura. Faço este blog de livre arbírtrio, mas com o rigor de quem deve fazer, não que vá fazer diferença no meu orçamento. Não faço idéia da quantidade de gente que se identificou com o que eu escrevo, mas não deve estar menos deslocada neste mundo do que eu. Falarei mais das cousas que quero para o mundo, do mundo que quero e de como pretendo agir para realizar. Tudo com os pés no chão, respeitando a inteligência do leitor e a confiança depositada. Falarei mais de cousas bonitas, mas também de outras nem tanto, mas nunca apelando da linha do bom senso, me mantendo longe do mundo-cão e do mundo alienado, as duas faces que hoje dominam a Terra.
Finalizo este curto artigo com algo muito bonito, a saudosa Nicolette Larson com Lotta Love, em uma apresentação em plenos anos oitenta, o que as roupas deixam claro. Aqui um site dedicado.

3 comentários:

Umbelina disse...

É isso ai, quem sabe as pessoas estão mesmo precisando deste manual para dar uma virada.
Parabéns pelo texto

Nanael Soubaim disse...

Eita responsabilidade!!!

New disse...

Oiêee!
Você é sempre sucesso, meu querido amigo.

Beijos doces.